Fantasias - Fantasmas

O que são as fantasias?
Na acepção mais comum, as fantasias são a produção imaginária de um indivíduo que cria uma realidade mental em alternativa à realidade da vida de todos os dias.
Se nos indivíduos saudáveis é normal sonhar de serem mais bonitos, mais ricos, mais sedutores, mais potentes e cheios de dotes, nos neuróticos as fantasias estão ligadas à neurose e geram por vezes um objectivo impossível de alcançar, um modelo ão realístico, um obstáculo à realização de si, com inevitável sensação de angústia.
Existe porém também outra definição de "fantasia" baseada nos conceitos psicanalíticos e no modelo da estrutura da psique que dela deriva.
A natureza das fantasias segundo a psicanálise
As fantasias - ou fantasmas, conforme os autores e as escolas de pensamento à qual pertencem - são uma produção da parte incônscia da psique que emerge a nível cônscio (ciente, que tem conhecimento íntimo do que lhe cumpre fazer). As fantasias são processos interiores, psíquicos, aos quais só o indivíduo em questão pode ter acesso: os outros podem só imaginá-los, tentar deuzi-los através dos seus relatos ou comportamentos, nunca captá-los directamente. Não existe nada de mais secreto, de mais pessoal, e menos comunicável que uma fantasia.
Inicialmente, uma fantasia é a resposta primária a uma pulsão libídica ou destrutiva e aparece como uma forma de defesa, uma satisfação do desejo ou a compensação de um estado de angústia.
Nesta fase é vivida como pura sensação, que não tem nenhuma necessidade de palavras para encontrar expressão. Em seguida, baseando-se em experiências sucessivas, enriquece-se de imagens, é elaborada, articula-se pouco a pouco como uma cenografia cinematográfica ou teatral.
As fantasias podem então encontrar expressão, mas existem já há muito tempo antes desta fase.
Quem está sujeito a fantasias?
Todos nós, sem excepções, mesmo se a intensidade com a qual são vividas varia notavelmente de pessoa para pessoa. Já nos primeiros meses de vida, a psique da criança produz fantasias que dizem respeito, em particular, à satisfação da fome e, em seguida, à identificação com a mãe ou com o pai. Aquilo que ainda não pode ser expresso verbalmente manifesta-se através de gestos, atitudes, comportamentos. A fantasia desempenha um papel importante na maneira cmo a criança descobre o mundo externo e encontra nele o próprio lugar. E se nos adutos a fantasia a nível cônscio pode ser vivida como moralmente inaceitável ou perversa, isto não significa que as pessoas dotadas de princípios morais muito rígidos não tenham fantasias.
Pelo contrário, as fantasias são o meio mais imediato de defesa do incônscio para satisfazer as pulsões oprimidas, removidas ou inibidas pela consciência. Os indivíduos que têm uma vida real rica e intensa têm pelo contrário menos necessidade de fantasias para se libertarem das próprias pulsões.
Em percentagem maior ou menor a adaptação à realidade tem de qualquer das formas necessidade de fantasias que permitem suportá-la e integrá-la. Nisto as fantasias diferenciam-se dos sonhos e das alucinações, que se afastam, pelo contrário, da realidade.
Quais são os efeitos das fantasias?
Apesar de serem uma criação puramente mental, as fantasias são vividas como experiências reais porque desencadeiam emoções, sensações físicas, processos mentais semelhantes àqueles produzidos pela realidade.
Estes efeitos físicos e mentais são a consequência das fantasias, não a sua causa nem, tão pouco, constituem as fantasias propriamente ditas, como demasiadas vezes se pensa.
Neste sentido as fantasias sexuais podem dar uma sensação de bem-estar, porque dissolvem o excesso de tensão produzido pela insatisfação das necessidades. As percepções físicas experimentadas durante a elaboração de uma fantasia, que alcança por vezes até o orgasmo, podem resultar tão benéficas como o acto real, tanto mais que resultam livres de todos os vínculos impostos pela realidade. Muitas vezes a fantasia elaborada realiza a função também de factor desencadeante de um desejo que encontrará satisfação na realidade, com um parceiro que não tem nada de imaginário. Isto contribui para o equilíbrio do indivíduo, do casal e da vida social.
Pode fazer-se qualquer coisa contra as fantasias?
Lutar contra as fantasias não só parece impossível, como nem sequer é desejável, porque estas representam o emergir da parte mais profunda, mais secreta de um indivíduo.
Muitas religiões, entre as quais a católica, têm estigmatizado as fantasias, sobretudo aquelas com conteúdo sexual ou em contraste com os ditames morais, condenando-as como pecados, com o resultado de favorecer os processos de remoção e inibição, que estão à base das neuroses.
Por outro lado, o indivíduo deve ser capaz de um certo autocontrolo para evitar que as fantasias invadam o campo da realidade, sobretudo no âmbito sexual, onde se podem tornar o ponto de partida de atitudes perversas.
As fantasias ou fantasmas como lhes queiram chamar fazem parte de todos nós e, quanto a isso, parece não haver nada a fazer. Resta-nos então vivermos o melhor que pudermos com ou sem fantasias.
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6 comentários:

  1. Eu quero todas as minhas fantasias..
    Relaxante demais pra mim!

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  2. Sonhar, imaginar, fantasiar... atividades importantíssimas e está aí demonstrado.

    ResponderEliminar
  3. Não ter fantasias é que é anormal...
    Elas são essenciais ao crescimento humano.
    Beijo,

    Milouska

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  4. Bom texto Km Mad,

    Ressalva 1:
    As fantasias são comuníssimas e um bom tema para ser abordado, dado que freqüentes vezes pessoas que as desenvolvem acabem julgando-se anormais ou “problemáticas”.

    Por esta razão e para não disseminar tais concepções, em um texto generalista como este, é bom destacar que NOS NEURÓTICOS as fantasias estão ligadas à neurose e ÀS VEZES geram distúrbios graves, mas isto não é necessariamente obrigatório. Neuroses são psicopatologias relativamente comuns. Inúmeras pessoas convivem suas vidas inteiras com elas, sem tornarem-se incapazes ou perigosas para a vida social.

    Ressalva 2:
    Assumindo os preceitos da psicanálise (dos quais discordo, por absoluta falta de evidências empírico científicas) entender que as fantasias são uma produção do inconsciente que vem à consciência, mas, tal como foi descrito:

    “...emerge a nível cônscio (ciente, que tem conhecimento íntimo do que lhe cumpre fazer)”

    pode dar a impressão de que as fantasias são uma espécie de obrigação oculta que afloram como se devêssemos cumpri-las.

    Blogante

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  5. Na minha actividade pictórica, dentro de um estilo surrealista, o que mais me dá prazer, é fantasiar. O imaginário faz parte do meu trabalho.
    Quando criança, e mesmo na fase de adolescente, isolava-me para criar as minhas fantasias. Lembro-me muito bem de algumas delas.
    Soube-me bem ler a sua noticia
    Abraços

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  6. Muito elucidativo.
    Creio que o problema está mesmo nos efeitos reais da fantasia. Eu já vivenciei as emoções advindas dessa atividade mental de maneira negativa e assim destrutiva. Em contrapartida, a fantasia pode até mesmo ser o motor para a realização de algumas vontades muito construtivas.
    ótimo Post.

    Luciane Trevisan

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