Profecias, presságios e superstições célebres

Homens célebres e superstições
Muitas são as histórias que se contam sobre superstições. Sobre este assunto, existe em Espanha uma famosa piada, em que um sujeito diz: "Yo no creo en brujos, pero que los hay, los hay" que podemos traduzir das seguintes formas: "Não acredito em fantasmas, mas que eles existem, existem!" ou " Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!".
Era mais ou menos esse o caso de Napoleão Bonaparte. Ele não gostava de adivinhos, que chamava de charlatães, mas, mesmo assim, tinha as suas superstições. Ora vejamos: num dia de Janeiro de 1794, em Marselha, Napoleão deixou que uma cigana lhe lesse a sina. Ela então dise-lhe: "Cruzará os mares, regressará e será maior do que nunca". A profecia deu certo, mas Napoleão não ligava muito a essas coisas. è que ele era um fatalista, isto é, achava que o destino de cada criatura humana já estava traçado de antemão. Tanto que se recusava a tomar os remédios que os seus médicos lhe receitavam. Para Napoleão, a rópria guerra tinha muito de jogo de azar; nos seus planos militares não tentava prever tudo, deixando boa parte ao imprevisto e ao acaso.
Mas em duas coisas ele acreditava: em presságios e na sua boa estrela. Quando chegou a Burgos, na Espanha, em 1808, a primeira notícia que teve foi má. Bastou isso para acabar com a alegria do conquistador francês. A partir daí, Napoleão ficou apreensivo.
A outra coisa em que Napoleão acreditava era que havia uma estrela nova na constelação da Virgem, e que essa estrela lhe aparecia nos momentos mais importantes da sua vida. Quer dizer: no fim de contas, ele era supersticioso como qualquer simples mortal!...
O Kaiser Guilherme II, da Alemanha,também tinha as suas crendices nos mistérios do Além. Ele acreditava piamente que o anel que usava, dos seus antepassados, assegurava a continuidade da sua dinastia real. Havia até uma lenda para justificar esse facto. Um ancestral seu, Jorge Frederico-Carlos, fora enterrado com esse anel, e um dos seus ramos familiares, a casa dos Hohenzollern, extinguiu-se em 1806 por falta de descendência masculina. O outro ramo também iria terminar, pois o rei frederico Guilherme II só tinha uma filha até então. Aí aconteceu o seguinte: um dos seus camareiros, por três noites consecutivas, sonhou com o anel de Jorge Frederico-Carlos. Avisou, então, ao rei que era necessário recuperar o anel!... do túmulo.
Dito e feito. Assim que o monarca passou a usar o anel, teve um filho varão, que seria mais tarde o bisavô do Kaiser Guilherme II e, a dinastia acabou por não se extinguir.

O célebre escritor escocês Walter Scott, autor de Ivanhoé, tinha uma curiosa superstição enquanto estudante. Sempre que precisava de recitar uma lição, apertava um botão de madeira do seu casaco. Pois, é que naquele tempo (século XVIII) acreditava-se que tocar na madeira dava sorte. Um dia, os seus colegas resolveram pregar-lhe uma partida: cortaram o botão do casaco sem que ele se apercebesse. Na hora de dizer a lição, segundo o próprio Scott, ele "fracassou vergonhosamente"...

Às vezes, a superstição acompanha até o pensamento de alguns sábios e cientistas. Por exemplo: consta que Freud, o criador da psicanálise, acreditava em numerologia. Também na Inglaterra, todas as unidades militares acreditam que ter uma mascote lhes poderá trazer boa sorte contra maus presságios. Assim, todas têm a sua mascote. Trata-se de algo que é levado muito a sério pelos ingleses, de tal forma que a posse desses animais mascotes é considerada pelo Ministério da Defesa Britânico como um direito dos seus regimentos. Por isso, até um burro, um cão, um gato ou outro bicho qualquer pode ter a sua folha de serviços e aparecer na ordem do dia dos quartéis ingleses. Consta que as cabras são os mais antigos animais que já "sentaram praça". Os regimentos franceses usavam cabras brancas como mascotes, costume esse ainda conservado nos regimentos ingleses, onde a cabra mascote é tradicionalmente chamada de Billie.

Algumas das mais célebres curas de superstições

Há quem acredite tanto em superstições, que crê igualmente em curas para as mesmas. Na Idade Média, especialmente, a saúde era muito ligada a superstição, e a medicina tinha muito de feitiçaria. Muitas dessa práticas ficaram até a actualidade. Em certas regiões acredita-se que o orvalho da noite de São João tem um poder miraculoso. Na Sicília, é considerado um óptimo bálsamo para feridas. Em Veneza muitos curam queimaduras duma forma algo engraçada. Amarram-se ao tronco de uma árvore, dizendo três vezes sem tomar fôlego: "Aí te ponho e aí te deixo". Noutras regiões cura-se a dor de cabeça de um jeito ainda mais cómico: esfrega-se um fio na cabeça do paciente. Depois, ele é atado a uma árvore (o fio não o paciente...). Aí, o primeiro pássaro que pousar na árvore levará a dor de cabeça embora... Os antigos egípcios usavam um sistema curiosa. Os enfermos passavam uma noite no templo do deus Serapis que, durante o sono, "receitava" o remédio salvador. No Brasil também existem vários remédios populares de origem portuguesa, como a água-panada, por exemplo. É uma infusão feita com pão bem seco e água para curar males intestinais. Outro, para curar azia: dizer três vezes "Azia, Ave Maria". E a oração: "Santa Iria/temtrês filhas;/uma fia, outra cose/ e outra cura/ o mal da azia". Para tirar um cisco do olho, há dois recursos. Um é esfregar a pálpebra e dizer três vezes: "Vai-te, argueiro (cisco), pro olho do companheiro". Outro modo mais simpático e científico: coloca-se uma semente de alfavaca na pálpebra, que então é esfregada. A semente de alfavaca liga-se ao cisco, que é retirado facilmente.

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Hibernação

Hibernação: a estação dormente
As árvores como não podem escapar aos rigores de um Inverno Temperado frio, com neve, usam a queda das folhas para se protegerem nos meses frígidos do ano.
No mundo animal, só um reduzido número de espécies sabe usar um método protector tão drástico, para acompanhar o frio do Inverno, como o despojar dos freixos, carvalhos e áceres.
Esse método - a hibernação - só é usado por uma minoria de animais vertebrados de sangue quente, e só um desses hibernadores é que não é mamífero.
Alguns ouriços-cacheiros, esquilos terrestres, hamsters, morcegos e arganazes hibernam. Nos meses de Inverno, nas duras condições selvagens, os animais que hibernam deixam a actividade normal das criaturas de sangue quente para entrarem num estado de arrefecimento e letargia. Só se conhece uma ave que sofre o mesmo tipo de alteração, o curiango norte-americano «poor-will», Phalaeonoptilus nuttalli. Muitos animais que vulgarmente se julgam hibernarem, incluindo os ursos, esquilos e texugos, de facto não hibernam. Em vez disso,esse animais entram num estado de torpor.
As duas condições, torpor e hibernação, são semelhantes, mas a hibernação é mais extrema em todos os sentidos. A hibernação implica temperaturas corporais mais baixas e um maior relentamento metabólico e dá-e por períodos muito maislongos que o torpor físico. Na maior parte dos aspectos, estas diferenças são mais de graduação do que de tipo. Assim, a velocidade do coração e da respiração do urso encontram-se reduzidas. O seu metabolismo é relentado e ele pode deixar de urinar durante alguns meses, mas a temperatura do seu corpo é, quanto muito, só alguns graus inferior à do urso activo no Verão e nunca se aproxima do ponto de congelação, como a do esquilo terrestre e a do arganaz em hibernação.
O esquilo terrestre norte-americano de pelagem dourada, Citellus lateralis, hiberna para sobreviver aos longos e duros Invernos das montanhas Rochosas. Contudo, não são as condições externas que desencadeiam este comportamento, pois que, mesmo mantido quente e em condições de luz, o animal entra espontaneamente em dormência invernal, conduzido pelo seu próprio relógio interno. Durante a hibernação, o esquilo terrestre acorda com intervalos frequentes. Quando enroscado em sono profundo, o corpo mantém-se próximo da congelação. Quando se agita, as diferentes posições indicam níveis crescentes de vigília e temperatura em rápido aumento. Em 2 horas fica inteiramente desperto e o corpo recupera a temperatura normal.
O esquilo terrestre entra gradualmente em hibernação no Outono. A sua temperatura de sono desce todas as noites até que a 5ºC fica em letargia. Quando acorda, com intervalos de poucas semanas, a temperatura salta para os 37,2ºC normais. Durante os 5 meses da fase de hibernação perde peso, visto que recorre às reservas nutritivas acumuladas no fim do Outono.

A falta de insectos para comer e o inadequado revestimento do corpo tornam a hibernação uma estratégia de sobrevivência útil para o ouriço, Erinaceus europaeus. Abrigado numa sebe ou sob um monte de folhas, enrola-se numa bola apertada de picos no Inverno, contando com estes para deter os predadores e com as reservas de gordura para o sustentar. Quando o tempo mais suave volta em Março, o ouriço reinjecta vida no seu corpo sonolento. Como outros hibernadores, activa depósitos de gordura castanha,ricos em energia, para elevar a sua temperatura de perto de 0ºC a 37ºC. Em algumas horas, a gordura gera bastante energia para fazer voltar ao normal as funções fisiológicas do corpo.

O curiango norte-americano, Phalaenoptilis nuttalli, é a única ave que se sabe que hiberna. Quando entra em letargia no Outono, não só a sua temperatura desce para valores próximos dos do ambiente como também a velocidade da pulsação cardíaca e respiratória cai em níveis quase indetectáveis. Durante os anos 50, observou-se o regresso dum curiango ao mesmo buraco de rocha 4 Invernos seguidos.

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