Aviadores portugueses

Os pioneiros dos Céus
Na figura (em cima) partida do "Lusitânia" junto à Torre de Belém, em Lisboa.
Quando se fala nos grandes feitos da aviação portuguesa, dois nomes se destacam, os de Gago Coutinho e de Sacadura Cabral, navegador e piloto, respectivamente, que efectuaram pela primeira vez a travessia aérea do Atlântico Sul. A 30 de Março de 1922 saíram de Lisboa e foram necessários três aviões para que, a 17 de Junho, amarassem com êxito no Rio de Janeiro. Esta primeira travessia, baseada somente na navegação astronómica feita a partir do avião, encheu de orgulho os portugueses. Mas na realidade, nessa década e na seguinte, muitas outras viagens pioneiras foram realizadas.
Os relatos das suas viagens, em edições amarelecidas pelo tempo, revelam toda a aventura e dramatismo que viveram, os dias de incerteza e inquietude, o desafio de uma luta árdua contra os elementos e as limitações tecnológicas da época nos céus africanos e asiáticos. Impressões pessoais, escritas com grande entusiasmo, quase todas dedicadas a companheiros ausentes, vítimas de desastres de aviação. Livros cuja venda revertia para os familiares desses mesmos mortos. Como se todos os homens que tivessem voado juntos pertencessem à mesma e única família.
Viagem até Macau no aeroplano "Pátria"
José Manuel Sarmento de Beires (1892­ -1974) nasceu em Lisboa. Em 1916, terminou o curso de engenheiro militar na Escola de Guerra. Um ano mais tarde, com o posto de alferes, fez o primeiro curso de pilotagem militar efectuado em Portugal. Em Julho desse ano, promovido a tenente, partiu para França, onde frequentou cursos de aperfeiçoamento e se especializou como piloto de caça. Em 1919, regressou a Portugal para o Grupo de Esquadrilhas de Aviação "Repúbbica".
Sarmento de Beires foi o primeiro piloto a efectuar uma missão de voo nocturno em Portugal, a 22 de Janeiro de 1920. Nesse ano tentou alcançar a Madeira a bordo do avião "Cavaleiro Negro". Com ele, ia António Jacinto da Silva Brito Pais (1884-1934), outra figura grada dos primeiros tempos da aviação nacional.
Nascido em Vila Nova de Milfontes, também Brito Pais havia ingressado na Escola de Guerra em 1907 para cursar Infantaria. Promovido a alferes em 1910, participou em operações militares no Sul de Angola, regressando em 1912 à metrópole, por doença. Devido à sua acção brilhante nas trincheiras da Flandres, recebeu a Cruz de Guerra e a Torre e Espada.
Detentor de um "brevet" de piloto­ aviador desde 29 de Novembro de 1917, distinguiu-se em combate nos céus de França, incluído em esquadrilhas francesas. No fim da I Grande Guerra foi colocado no comando do Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República". É então que, com Sarmento de Beires, irá tentar a malograda ligação aérea à Madeira, em 1920. O naufrágio dá-se a 400km de Lisboa, depois de 1.500km de viagem e de o nevoeiro - o terrível inimigo dos aviadores de então - ter feito abortar a aterragem na ilha. Foram recolhidos no mar pelo navio "Gambia River".
Em 1924, os dois homens, acompanhados do então oficial-mecânico Manuel Gouveia - o qual, pouco depois, terminaria o curso de piloto-aviador, atravessando em 1927, com Jorge Castilho e Sarmento de Beires, o Atlântico Sul, num voo nocturno pioneiro, a bordo do "Argos" - realizaram a primeira viagem aérea Lisboa-Macau.
Sobre Manuel Gouveia (1890-1966), Sarmento de Beires teceu elogiosas palavras: "( ... ) no meio da indiferença e da desconfiança quase gerais, o seu gesto constitui um exemplo raro de fé, de idealismo e de dedicação".
Em Junho de 1921, o aeroplano "Breguet XVI", com motor Renault de 300 cavalos, estava nos hangares da actual cidade da Amadora. Enquanto os mecânicos o preparavam para a grande viagem, Brito Pais escolhia o nome e mandou inscrever na tela da fuselagem o verso dos "Lusíadas": "Esta é a ditosa PÁTRIA minha amada".
O "Pátria" efectuou os primeiros voos nos arredores de Lisboa e, o facto de Gago Coutinho e Sacadura Cabral estarem a realizar a viagem Lisboa-Rio de Janeiro, levou Sarmento de Beires e Brito Pais a colocarem de parte o projecto inicial de tentar a travessia do Atlântico Sul.
Assim, somente em 1924 o "Pátria" descolou da actual cidade da Amadora rumo a Vila Nova de Milfontes (Sul de Portugal – Alentejo). Ali chegados, a aeronave foi baptizada pelo bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias. Maria do Céu (a irmã de Brito Pais) quebrou no cubo da hélice a tradicional garrafa de champanhe. As palavras de Sarmento de Beires: "O pai tirou do dedo o anel brasonado da família e entregou-o ao filho que vai partir. No capitão Brito Pais, concentrava-se naquele instante a tradição impoluta de uma família inteira."
Na figura (em cima) - Sarmento de Beires e Brito Pais juntos ao aeroplano "Pátria" em Rangum (Índia).
A 7 de Abril, partem decididos a estabelecer a ligação a Macau. Manuel Gouveia, viajaria de barco até Tunes, onde se juntaria à tripulação. A viagem começou mal, devido a um forte temporal. Indiferentes ao perigo, fazem descolar o "Pátria" em direcção a Tunes, mas o mau tempo obrigou-os a escalar Málaga e depois Oran: "As cordas zunem, as asas estalam, tudo range. Mãos crispadas nas alavancas de comando, sentimos o aparelho que se despenha, se furta debaixo de nós, que nos abandona no espaço, que parece ir despe­daçar-se em pleno voo. O pesadelo dura alguns segundos."
Embarcado Manuel Gouveia em Tunes, o voo decorre sem problemas de maior, passando por Tripoli, Homs, Bengazi e Cairo.
Viagem a Timor
Humberto Cruz (1900-1981), natural de Coimbra e detentor dos cursos de artilharia, de piloto aviador e de piloto de voo sem visibilidade exterior, serviu, a partir de 1927, em várias esquadrilhas da Força Aérea e chegou mesmo a comandar a base aérea de São Miguel. Entre 1930 e 1931, na companhia de outro aviador, Carlos Bleck, Humberto Cruz realizou, aos comandos do avião "Jorge Castilho", a primeira viagem aérea Lisboa-Guiné-Angola e regresso, numa distância de 20.160km. O percurso foi feito num total de 167 horas.
Humberto Cruz escreveu a propósito: "O glorioso navegador (Jorge Castilho) do Atlântico Sul, a quem a Pátria tanto deve; aquele que soube marcar no Grande Oceano a rota do 'Argos', o hidroavião que, pela primeira vez, navegou uma noite inteira ligando os dois continentes e duas pátrias, estabelecendo um recorde durável que nós não soubemos perpetuar na memória do mundo; o sábio aviador iria acompanhar-nos na nossa empresa", escreveu. Mas foi em 1934 que, juntamente com o primeiro-sargento mecânico da Aeronáutica Militar, António João Gonçalves Lobato (1909-1935), na avioneta Leopard Moth "Dilly" fez a viagem Lisboa­Timor-Lisboa.
Este é um dos maiores feitos da aviação portuguesa e o facto de o avião ser relativamente frágil enobrece ainda mais a façanha. A 25 de Outubro de 1934, saíram da Amadora com destino a Timor, a bordo do "Dilly". No dia do regresso, a 21 de Dezembro de 1934, haviam percorrido 42.670km, voando 268 horas e 25 minutos.
O voo de ida atravessou a África do Norte, com paragens em Argel, Tripoli, Bengazi e Tobruk, o Médio Oriente, com passagem por Gaza e Basra, internando-se depois pelo actual Paquistão e Índia, com as etapas a terminarem em Jask, Karachi, Allhabad, para finalmente rumar ao Sudeste Asiático e às Índias Orientais Holandesas, passando por Akyab, Banguecoque, Prachuab, Singapura, Soerabaia, Rambang e Díli, onde foram recebidos com grande entusiasmo, a 7 de Novembro de 1934: "Os indígenas de Timor são mais dóceis e subordinados do que geralmente se acredita ( ... ) Não existia já um português em Timor, há tantos anos que a nossa força naquelas ilhas é nula, pois a força que existe é tirada deles mesmos", comenta.
Os aviadores saíram de Díli a 13 de Novembro e aterraram na actual cidade da Amadora (Portugal) a 21 de Dezembro, pouco antes do Natal, como desejara Humberto Cruz. Galardoado com a Torre e Espada, publicou diversas obras sobre aviação, tendo falecido a 10 de Junho de 1981. António Lobato foi escolhido como companheiro de viagem por Humberto Cruz, devido à sua competência, carácter alegre, correcção, aprumo e camaradagem. No ano seguinte ao da viagem, em 1935, morreu num desastre de avião perto de Viseu. "Morreu o Lobato!". A mensagem que ecoou, na sua simplicidade, transmitia a memória e o carinho colectivos que o País conservava de tão jovem e corajoso ás da navegação aérea.

2 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

A doença de Paget

O que é a doença de Paget?
Trata-se de uma afecção crónica dos ossos, relativamente frequente, que associa uma aceleração do crescimento ósseo a uma excessiva destruição do tecido existente, provocando graves deformações ósseas.
Esta doença afecta cerca de 3% da população com mais de quarenta anos e cerca de 10% dos idosos com mais de oitenta anos, os homens mais frequentemente do que as mulheres. Geralmente imaginamos o tecido ósseo como algo de inerte e rígido, mas na realidade este é um dos tecidos mais activos do organismo, o tecido ósseo velho é constantemente substituído por tecido novo.
Este remodelamento do osso é normalmente realizado por células denominadas osteoclastos, que destroem o tecido velho e o substituem. A doença de Paget afecta muitas vezes o maxilar inferior provocando uma deformação do rosto. Na doença de Paget estas células são hiperactivas, com uma produção de tecido mais rápida. O novo tecido é, de consequência, pouco resistente e hipertrófico, para além de ser mais vascularizado, e, quando substitui o velho, os ossos fracturam-se mais facilmente. Todos os ossos podem ser afectados por esta doença, mas os mais afectados são, em ordem de frequência, a bacia, o fémur, o crânio, a tíbia, as vértebras, a clavícula e o úmero.
SINTOMAS
-->Dores ósseas;
-->Rigidez;
-->Cefaleias;
-->Cansaço;
-->Aumento do perímetro craniano;
-->Deformação dos membros;
-->Fracturas frequentes.
Quais são as causas da doença de Paget?
A causa desta doença, que tem o nome do médico inglês que a descreveu pela primeira vez, James Paget, não é conhecida. As últimas investigações atribuiriam a hiperactividade óssea a um vírus.
Terapia da doença de Paget
Quando se deve consultar o médico?
Deve consultar-se o médico se se nota uma mudança da forma dos membros. As bbias, por exemplo, sob o peso do corpo adquirem a uma forma de "lâmina de sabre".
O que faz o médico?
O médico descobre muitas vezes a doença, as sintomática na fase inicial, de maneira casual, graças a uma radiografia ou a exames de laboratório pedidos por outros motivos. O diagnóstico pode basear­ se também nos sintomas descritos pelo paciente: dores, rigidez, deformação dos membros, cefaleias, diminuição da audição e aumento do perímetro craniano. O médico a seguir prescreve as análises do sangue e da urina. A doença de Paget está efectivamente associada à presença de uma taxa elevada de fosfatase alcalina no sangue e de hidroxiprolina na urina (aminoácido do tecido conjuntivo ).
O médico prescreve, para além disso, algumas radiografias que permitem excluir outras doenças, como a osteoartrite, o cancro dos ossos ou a doença de Hodgkin. Os resultados mostram uma maior opacidade do osso afectado, uma estrutura anómala, um espessamento, uma deformação ou uma hipertrofia. Para além disso, por causa da maior vascularização, o tecido ósseo afectado pela doença mostra na cintigrafia uma fixação elevada de produtos radioactivos.
Qual é a terapia da doença de Paget?
As formas localizadas e assintomáticas não requerem nenhuma terapia. A aspirina permite atenuar a dor. Nos casos mais graves, deve recorrer-se a fármacos mais potentes ou à cirurgia. Administra-se então calcitonina, que abranda a reabsorção do tecido ósseo, e um difosfonato, que inibe o seu renovamento. Nalguns casos a cirurgia ortopédica é capaz de substituir uma secção particularmente danificada com uma prótese.
O que fazer sozinhos?
Devem realizar-se actividades e exercícios físicos que não sobrecarreguem os ossos atingidos pela doença. Aconselha-se, por exemplo, de andar e nadar em vez de correr ou jogar ténis. Podem utilizar-se sapatos ortopédicos para corrigir as deformações dos membros inferiores.
Como se desenvolve a doença de Paget?
Nas formas menos graves a doença pode permanecer assintomática por muitos anos. Nalguns casos, pelo contrário, progride rapidamente e provoca dores intensas e deformações graves acompanhadas por fragilidade dos ossos. O crânio, as pernas e a coluna vertebral deformam­ se. Uma forma grave de tumor ósseo (sarcoma) atinge cerca de 1% dos pacientes afectados pela doença de Paget.
A doença de Paget é uma doença grave?
Na maior parte dos casos não constitui uma ameaça grave para a saúde, mas pode ser invalidante e, por vezes, pôr também em perigo a vida do doente. Por fim, esta doença aumenta o risco de cancro.
Pode prevenir-se a doença de Paget?
Não existem medidas preventivas. Alguns estudiosos põem a hipótese que a mesma seja causada pelo vírus do sarampo. Por conseguinte, é aconselhável que as pessoas tomem a vacina contra esta doença infecciosa.

5 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

A síndroma de Guillain-Barré

O que é a síndroma de Guillain-Barré?
A síndroma de Guillain­Barré, ou poliradiculonevrite, é uma doença muito rara causada por uma inflamação das raízes dos nervos periféricos espinais, que provoca uma redução da sensibilidade e do movimento. Manifesta-se inicialmente com um enfraquecimento de alguns músculos. Este sintoma acentua-se e no final leva à paralisia.
Geralmente, enfraquecimento e paralisias manifestam-se primeiro nas pernas para a seguir propagarem-se em direcção ao resto do corpo. Os músculos involuntários, como aqueles da respiração e do coração, podem ser também estes afectados. O paciente manifesta então insuficiência respiratória e alterações do ritmo cardíaco.
Os sintomas agravam-se no decurso de alguns dias ou algumas semanas, a seguir as condições do paciente melhoram progressivamente. A paralisia desaparece e o indivíduo readquira a sensibilidade. Nem sempre, porém, os sintomas desaparecem completamente. Nalguns casos, um certo enfraquecimento ou uma paralisia parcial persistem durante toda a vida.
SINTOMAS
-->Dores e perturbações da sensibilidade;
-->Progressivo enfraquecimento muscular;
-->Paralisia difusa.

Fig. 1 - A síndroma de Guillain-Barré manifesta-se com um enfraquecimento muscular que leva gradualmente à paralisia. Os sintmas partem das pernas e ascendem em direcção aos músculos do aparelho respiratório

Causas da síndroma de Guillain-Barré

As causas desta doença não são conhecidas, mas a metade dos indivíduos afectados são sobreviventes de uma afecção viral, como por exemplo, uma afecção das vias respiratórias superiores ou do intestino.
Os linfócitos reagrupam-se à volta da medula espinal provocando uma destruição da bainha de rnielina que protege as fibras nervosas. A progressão dos impulsos nervosos em direcção ao cérebro é desta maneira fortemente abrandada.
Terapia da síndroma de Guillain-Barré?
Quando consultar o médico?
Quando se sente um enfraquecimento muscular com dificuldades motoras ou um sinal de paralisia uma ou duas semanas após uma infecção viral, é necessário consultar um médico. Geralmente os primeiros sintomas manifestam-se nos membros inferiores. O que faz o médico? O médico efectua um exame neurológico completo: controla os reflexos, a sensibilidade e a força muscular do paciente. Prescreve também um exame do sangue, uma ressonância magnética e, em certos casos, uma punção lombar. A doença requer internamento hospitalar para efectuar terapias intensivas imediatas, sobretudo no caso de dificuldades de respiração. A respiração e o ritmo cardíaco devem ser constantemente controlados, dado que os músculos respiratórios e cardíacos correm o risco de ficarem paralisados. No caso de sobrevir a paralisia destes músculos, o doente é ligado a um aparelho para a respiração assistida. As outras medidas de reanimação dependem da evolução da doença.
Como é que se desenvolve a síndroma de Guillain-Barré?
Em princípio, a síndroma de Guillain-Barré manifesta­ -se num período que vai de uma a três semanas a seguir a uma infecção viral ou a uma injecção de um soro. Após um período que varia desde os 2 até aos 30 dias, podem ser afectados os músculos respiratórios e o paciente deve ser ligado a um aparelho para a respiração assistida. Quando a paralisia afecta os músculos da boca e da laringe, o doente é alimentado com uma sonda ou por infusão intravenosa. Alguns pacientes curam-se rapidamente e a doença não deixa nenhuma consequência. Mas muitas vezes a cura requer muitos meses, os músculos afectados ficam mais lentos e as zonas paralisadas enfraquecidas e menos dinâmicas.

Fig. 2 - O desenvolvimento da síndroma de Guillan-Barré.

A síndroma de Guillain­ Barré é perigosa?

É uma doença grave que pode ser mortal; no entanto, com tratamentos intensivos pode-se ficar curado. As paralisias causadas pela síndroma de Guillain-Barré não são definitivas. O doente não deve nunca desesperar, porque na maior parte dos casos a cura é completa.
Como é que se pode evitar?
Não sendo ainda conhecida a causa desta doença, não se pode fazer nada para a evitar.

107 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

ELA - Esclerose lateral amiotrófica: sintomas e tratamento

O que é a esclerose lateral amiotrófica?
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença nervosa grave e rara, também denominada doença de Charcot. Esta afecção caracteriza-se pela destruição progressiva dos neurónios motores, que controlam a actividade dos músculos envolvidos nos movimentos voluntários e involuntários (actividade reflexa).

A esclerose lateral amiotrófica, bloqueando os estímulos nervosos, afecta os músculos e altera a sua estrutura. Pode afectar todos os tipos de células nervosas da medula espinal, do tronco cerebral e do córtex. A forma espinal afecta as células nervosas da região dorsal da medula. Os primeiros nervos afectados são os dos membros superiores, que inervam o braço e a mão. Geralmente, uma das mãos é afectada alguns meses antes da outra. A forma bulbar ataca as células nervosas do tronco cerebral e os nervos cranianos que ligam o cérebro aos vários órgãos. Os nervos mais frequentemente afectados são os que comandam os músculos da língua, da face, da laringe e dos olhos. Existe também uma forma pseudobulbar, que tem sintomas semelhantes aos da forma bulbar mas afecta outra área do tronco cerebral. Esta forma de esclerose lateral amiotrófica manifesta-se geralmente entre os 40 e os 60 anos e, dada a sua evolução progressiva, conduz à morte em poucos anos.

Fig. 1 - A esclerose lateral amiotrófica pode afectar os nervos cranianos qe controlam os músculos oculares e faciais da laringe e da língua.
Causas da esclerose lateral amiotrófica
Os factores que predispõem um indivíduo a esta doença e os estímulos que a desencadeiam não são conhecidos. Não foi estabelecida qualquer relação com uma infecção que possa explicar esta síndroma nem há evidência a favor da transmissão hereditária.
SINTOMAS da esclerose lateral amiotrófica
-->Atrofia dos músculos das mãos, perda de força;
-->Diminuição da força muscular;
-->Dificuldades na articulação da fala;
-->Paralisia de uma parte do corpo;
-->Ataques de choro e de riso sem qualquer razão aparente;
-->Tremor involuntário das mãos;
-->Cãibras musculares.
Terapêutica da esclerose lateral amiotrófica
Quando se deve consultar o médico?
Em situações de cansaço inexplicável e de entorpecimento, cãibras musculares ou tremor das mãos, deve-se consultar o médico. Os sintomas da esclerose lateral amiotrófica são muito vagos e podem evocar outras doenças. Por a sua sintomatologia ser frustre e a sua progressão ser lenta torna-se difícil estabelecer quando se deve consultar o médico.
O que faz o médico? O médico interroga o paciente e faz um exame clínico completo. Para testar a integridade dos nervos cranianos o médico pede ao paciente para contrair os músculos comandados por estes nervos. Também avalia a força muscular e os reflexos dos membros. Para diagnosticar a doença, o médico pode proceder à recolha de uma amostra de líquido cefalorraquidiano através de uma punção lombar. Pode também solicitar uma TAC ou uma ressonância magnética da medula espinal. Por fim, o paciente poderá ter que ser submetido a um electromiograma. Nas enfermarias de neurologia podem efectuar-se vários exames neurológicos mais complexos.
Qual é a terapêutica da esclerose lateral amiotrófica?
Actualmente não existem terapêuticas eficazes na cura desta doença. O médico pode apenas receitar medicamentos que facilitam a absorção dos alimentos e reduzem a produção de saliva durante as refeições. Estes medicamentos melhoram a mastigação e a deglutição, mas a sua eficácia a longo prazo, é limitada.
Como se desenvolve
Dado que a esclerose lateral é uma doença crónica, os sintomas manifestam-se de forma insidiosa e gradual. As formas cerebrospinais e pseudobulbares progridem mais rapidamente que os outros tipos de esclerose lateral amiotrófica.
A esclerose lateral amiotrófica é perigosa?
Sim, uma vez que pode afectar os músculos respiratórios levando progressivamente à perda da capacidade respiratória e à morte em alguns anos.

202 comments:

«O mais antigo   ‹Mais antiga     Mais recente›   Mais recente»
«O mais antigo ‹Mais antiga     Mais recente› Mais recente»

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

Esterilidade e fertilidade

ESTERILIDADE E FERTILIDADE
A média estatística diz-nos que entre dez e quinze por cento dos casais que querem ter um filho não conseguem que a mulher fique grávida depois de um ano em que mantêm relações regulares sem usar ne­nhum método anticonceptivo. Apesar da sobrepopulação que apresenta hoje em dia o mundo moderno a incidência de casais estéreis aumentou consideravelmente e converteu-se num problema que afecta milhões de homens e mulheres em todo o mundo.
Distintos factores, tanto sócio-económi­cos como fisicopsíquicos, justificam este fenómeno. Na sociedade ocidental, o desenvolvimento económico, e o acesso aos métodos de contracepção, favoreceram a integração da mulher no mundo laboral, científico, político e económico. Este novo rol determinou que, em muitos casos, a maternidade passasse para segundo plano ou simplesmente fosse adiada para idades mais avançadas.
Como se sabe, a fertili­dade na mulher diminui com a idade, pelo que só este último já é um factor impor­tante no aumento da incidência de casais estéreis. Também influenciam outros factores resultantes da nossa forma de viver no século XXI, como a frequência de alterações crescente nas trompas de Falópio como consequência de infecções pélvicas causa­ das por doenças de transmissão sexual ou, noutra ordem de coisas, os transtornos provocados por quadros de stress.
Também se poderia dizer que o fácil acesso aos métodos anticonceptivos, que têm a grande vantagem de permitir pla­near ou programar a concepção dos filhos, cria um novo inconveniente: em determi­nadas ocasiões, ao não se conseguir a gra­videz no prazo previsto, surgem situações de intranquilidade e ansiedade - quando de facto, é perfeitamente normal que pas­sem uns meses até se conseguir que a mu­lher fique grávida - que levam os casais a consultar a sua possível esterilidade.
Podemos dividir as causas de esterilidade em três grupos:
--> causas físicas (no homem e na mulher), --> causas psicológicas, --> causas sexuais.
As causas físicas, ou seja, as alterações no sistema reprodutor no homem ou na mulher (algumas vezes consequência, de doenças como a diabetes), são as principais causas de esterilidade, sem que por isso tenhamos que tirar importância aos facto­res de índole psicológica e sexual que podem alterar a fertilidade do casal.
O stress ou a ansiedade provocados tanto pela impossibilidade de conseguir a gravidez desejada, como também por um estado de tensão desencadeado pelos exa­mes e tratamentos aos quais se submete um casal estéril não ajudarão em nada para a resolução do problema.
Não é raro que se produza uma gravidez imediatamente após começar o tratamento ou estudo do problema de fertilidade, facto que pode ser explicado pela tranquilidade criada ao depositar a confiança numa equipa médica que vai oferecer uma solução ao problema. E, em algumas ocasiões, a mulher fica grávida ao abandonar o tratamento, quer seja porque não deu os resultados esperados ou por outras razões, ou inclusive depois de ter formalizado a adopção de um filho.
Como se sabe, todos os factores psicos­somáticos repercutem na relação sexual. As limitações e obrigações impostas por um tratamento - por exemplo, realizar o coito nos dias férteis evitando a ejaculação nos dias anteriores - podem alterar os mecanismos do desejo e a resposta sexual. O círculo vicioso psicossomático que se cria desta maneira pode dificultar enorme­ mente a solução a um problema de esterili­dade. É, então, necessária uma especial - atenção aos factores psicoemocionais no estudo e tratamento da infertilidade de um casal.
Na mulher, as alterações do seu sistema reprodutor podem situar-se em distintos níveis do mesmo. Por isso fala-se de cau­sas vaginais, cervicais, uterinas, tubárias e ováricas. Em alguns casos a sua origem radica numa malformação congénita de órgãos do aparelho genital (por exemplo uma malformação uterina, como o útero bicorne ou a falta de ovários) ou em alte­rações de todo o sistema endócrino (diabe­tes, hipotiroiditis, etc.).
Causas vaginais
São aquelas alterações que impedem o depósito dos espermatozóides na vagina. Podem dever-se a razões físicas (não existe vagina ou há algum impedimento para a penetração), mas na maioria dos casos encontrar-nos-emos perante um problema de disfuncionalidade sexual: ejaculação precoce do homem, vaginismo, dispareu­nia, etc ..
Causas cervicais
Nos momentos próximos da ovulação, o colo uterino produz o que chamamos muco cervical, um fluxo mucoso transpa­rente e elástico, que facilita a subida dos espermatozóides para o útero. Diversas circunstâncias podem alterar as condições do muco cervical (por exemplo uma infecção ou alterações do próprio ciclo de ovulação), impossibilitando a subida do espermatozóide. Também pode existir um problema de incompatibilidade imunoló­gica, no qual o corpo da mulher está a gerar umas substâncias denominadas anti­corpos que actuam contra os espermato­zóides do homem destruindo-os ou imobi­lizando-os.
Causas uterinas
O tecido mucoso que cobre o interior do útero, ao qual chamamos endométrio, deve ter a preparação adequada para per­mitir ao óvulo fecundado aninhar. Deter­minadas alterações hormonais do processo de ovulação podem alterar esta prepa­ração. Da mesma maneira, algumas alte­rações orgânicas, como os tumores (póli­pos ou mi mas ) e as infecções também podem provocar uma alteração da função e da preparação uterina normal.
Causas tubáricas
A trompa de Falópio capta o óvulo quando é expulso pelo ovário correspondente e o desloca. Normalmente, o encontro com o espermatozóide produz-se no terço externo da trompa e, uma vez produzida a fecundação, a trompa continua a transpor­tar o óvulo fecundado até ao útero, onde aninhará. A obstrução tubárica, que cos­tuma dever-se a problemas de tipo infec­cioso mais que a malformações, é aquela alteração da trompa que impedirá este pro­cesso. Pode tratar-se duma obstrução que impeça que a trompa capte o óvulo, que torne impossível o encontro óvulo -esper­matozóide ou a subida do espermatozóide desde o útero e, consequentemente tam­bém da fecundação. Estas obstruções com­pletas são menos frequentes que as alte­rações intermédias que dificultam o pro­cesso.
Causas ováricas
A ovulação ou maturação do óvulo pro­duz-se todos os meses, e é um processo que está controlado pela acção de hormonas produzidas no ovário (estrógenos e pro­gesterona), que pela sua vez obedecem às ordens que lhes são dadas pela hipófise, que é una glândula situada no cérebro que produz as hormonas denominadas F5H (folicoestimulante) e LH (luteinizante). Qualquer alteração na produção de qual­ quer destas hormonas, quer seja no ovário ou na hipófise, pode provocar uma modifi­caçao dos mecanismos da ovulação che­gando mesmo ao ponto de impedi-la. Encontrar-nos-emos com um diagnóstico de não ovulação ou ovulação irregular, que é a causa mais frequente de infertilidade na mulher.
A esterilidade no homem
Os espermatozóides formam-se e amadu­recem nos testículos, concretamente nos túbulos seminíferos, e no epidídimo. Nu­ ma ejaculação normal, de três a cinco centímetros cúbicos de sémen, contabilizam­ se entre quarenta e cento e vinte milhões de espermatozóides por centímetro cúbico. O processo de produção pode ser alterado por diferentes motivos, dando lugar a modificações na quantidade, movimento ou forma dos espermatozóides, de modo que diminuam ou desapareçam as possibi­lidades de fecundação.
Dão-se distintas situações:
Azoospermia: é a ausência de esper­matozóides no sémen, e pode dever-se a que o testículo não os produz ou à obstru­ção ou ausência dos condutores que os transportam (condutores deferentes). Esta situação é grave e difícil de resolver.
Oligospermia e astenospermia: são as alterações do sémen nas quais se observa uma diminuição da quantidade de esper­matozóides (oligospermia) ou de ambas (oligoastenoteratozoospermia). Segundo a gravidade dos casos repercutirá em maior ou menor grau na possibilidade de fecun­dação. Uma quantidade inferior a quaren­ta milhões de espermatozóides por centí­metro cúbico está por baixo do normal, mas ainda assim observaram-se gravide­zes em contagens de menos de vinte mi­lhões por centímetro cúbico.
Estas situações podem dever-se a distintas causas físicas (infecções testicula­res chamadas orquite, traumatismos geni­tais, malformações como varicocele ou cliptoquirdia, etc.), hormonais (insuficiên­cias ou mal funcionamento das glândulas endócrinas, como a hipófise, e outras en­docrinopatias como, por exemplo, a dia­betes) ou, raramente, imunológicas (quan­do o próprio organismo produz anticorpos que matam os espermatozóides).
Quando o casal é estéril
Considera-se que um casal é estéril quando não se consegue uma gravidez depois de dois anos de relações sexuais (coitais) com o objectivo da gravidez. Portanto, o estudo sobre a esterilidade do casal deverá iniciar­ -se depois destes dois anos de espera; sem embargo, normalmente realiza-se antes, quer seja pela idade da mulher ou pela ansiedade do casal. Ainda assim, é impor­tante não se precipitar em fazer exames e tratamentos, já que, muitas vezes, um pouco mais de paciência e a tranquilidade que podem proporcionar umas primeiras sessões de diálogo e informação com uma equipa médica resolvem um grande número de casos.
Em que consiste o estudo da esterilidade?
Trata-se de realizar tanto ao homem como à mulher, uma série de exames com o objectivo de investigar se existe alguma alteração no seu sistema reprodutor que possa ser a causa da esterilidade, tal como se explicou. Esta investigação inicia-se com uma entrevista pessoal em relação com o historial clínico de ambos os membros do casal para estabelecer se há antecedentes patológicos, uma exploração dos órgãos genitais externos e internos - em determi­nadas ocasiões com a ajuda de ecografias -, e diversas análises, como pode ser uma citologia.
Os exames que se realizam em seguida costumam ser:
• Um controlo de temperatura de base da mulher, registada cada manhã antes de se levantar da cama, para saber se há ovulação e em que momento do ciclo se produz. Num ciclo normal, a temperatura depois da menstruação oscila à volta dos 36,5°C, e imediatamente depois da ovulação, aumenta aproximadamente meio grau, mantendo-se elevada entre dez e catorze dias, até à seguinte menstruação. Se não se observa este aumento de temperatura de base, deve-se supor que não existiu ovulação.
• Um teste pós-coital nos dias próximos à ovulação. Este exame realiza-se entre oito a doze horas depois de um coito, com o fim de conhecer o estado do esperma, se a recepção deste por parte da mulher é adequada e se os espermatozóides podem sobreviver no muco cervical. Segundo os resultados deste exame pode suspeitar-se da existência de alterações no sémen masculino ou no muco cervical, ou então um problema de incompatibilidade imunológica.
• Um seminograma, ou seja, uma análi­se do sémen masculino recolhido de uma masturbação e examinado antes de que passe uma 'hora da sua obtenção, para de­ terminar a quantidade, o grau de mobili­dade e a forma dos espermatozóides. É evidente que se se descobre alguma altera­ção, o homem deve ser visto por um an­drólogo para investigar as causas desta alteração e o seu possível tratamento.
Se estes três exames são normais e não permitem um diagnóstico imediato em relação à causa da esterilidade, e depen­dendo de outros factores, como a idade da mulher, o tempo decorrido de infertilida­de, etc., completa-se o estudo com uma bi­ópsia de endométrio. Trata-se de um exa­me que consiste em extrair e analisar uma porção do endométrio, a mucosa que rece­be o interior do útero, com o objectivo de conhecer o grau de preparação uterina e descartar possíveis infecções ou alterações que poderiam interceptar a normal nidação do óvulo fecundado.
Finalmente pode realizar-se uma histe­rossalpingografia, que é uma radiografia de contraste na qual se injecta à mulher um líquido que enche o útero e as trompas de Falópio e que, em casos normais, deve pas­sar à cavidade abdominal e difundir-se pela parte baixa da mesma, o que permite ao investigador observar as possíveis mal­ formações do útero ou obstruções nas trompas.
Estas cinco provas configuram o estudo básico da esterilidade, uma vez realizadas, pode estabelecer-se o diagnóstico e iniciar­-se o tratamento oportuno para conseguir a gravidez. Mas, em determinadas ocasiões o resultado deste estudo básico, ou a não resolução do problema depois do trata­mento indicado farão necessária a elabo­ração de um estudo mais exaustivo, que pode compreender diversas análises hor monais (por exemplo, quando se detecta um problema na ovulação), exames imu­nológicos se se suspeita de que existe incompatibilidade, larascopia e/ou histe­roscopia quando se detectaram indícios de alterações no útero ou nas trompas, etc.
O tratamento da esterilidade
A problemática da esterilidade, tanto no homem como na mulher, é um dos campos nos quais a ciência médica mais avançou. Hoje a medicina pode oferecer uma solução à maioria dos casais que não têm filhos, solução mais ou menos complicada ou com maiores ou menores possibilidades de êxito segundo os casos concretos. E, no caso de que, esgotadas todas as possibili­dades terapêuticas, se estabeleça que o casal está impossibilitado para procriar, ainda faltam, pelo menos duas alternati­vas: a adopção, sujeita às distintas legis­lações de cada país, ou também as diferen­tes formas de maternidade - o que se deno­mina como «mães de aluguer» -, um tema polémico e discutido pelas suas reper­cussões éticas, legais e psicológicas.
Os tratamentos para os casos de esterili­dade ou as diversas soluções que oferece o que conhecemos por reprodução assistida podem dividir-se em quatro grandes pon­tos: tratamentos cirúrgicos, tratamentos médicos, inseminação artificial e fecun­dação in vitro.
Os tratamentos cirúrgicos
Somente serão necessários nos casos em que existam anomalias do ponto genital que possam influenciar a concepção ou a gestação, como podem ser: a existência de miomas ou outras tumorações uterinas, de malformações dos órgãos genitais inter­nos, de obstruções tubáricas (tanto no homem como na mulher) susceptíveis de serem resolvidas através de uma inter­venção cirúrgica, etc.
Os tratamentos médicos
A maioria são tratamentos hormonais cujo objectivo é restabelecer o equilíbrio endócrino necessário para o correcto funciona­mento dos mecanismos de reprodução tanto no homem como na mulher, que é o caso no qual indiscutivelmente têm maior aplicação.
Na mulher, a administração de estróge­nos a pequenas doses, por exemplo, mos­trou-se muito útil para melhorar as con­dições do muco cervical. O uso de proges­terona é especialmente indicado quando existem problemas relativos à preparação do endométrio. Nos transtornos da ovulação mostraram-se especialmente eficazes os tratamentos com citrato de clomiphene e as injecções de gonadotrofinas (que tam­bém se utilizaram para estimular a função testicular no homem). Mas estes tratamen­tos necessitam de um controlo médico muito estrito, já que apresentam muitos efeitos secundários extremamente difíceis de controlar, sendo o mais frequente de todos a aparição de gravidezes múltiplas de alto risco.
A inseminação artificial
Não se deve confundir a inseminação arti­ficial com a fecundação in vitro: a insemi­nação consiste simplesmente em depositar os espermatozóides na vagina, no colo do útero ou directamente dentro do útero para que estes sigam o seu caminho até à trompa, onde vai ter lugar o processo nor­mal de fecundação do óvulo. A inseminação realiza-se coincidindo com a ovu­lação da mulher. Existem dois tipos de inseminação, a que se faz com o sémen do membro mas­culino do casal e a que se faz com o sémen de um doador, que se obtém normalmente num banco de sémen. As técnicas de inseminação artificial são muito simples, não dolorosas e normal­ mente realizam-se de forma ambulatória.
A inseminação intraconjugal
É a que se realiza com o sémen do marido obtido por masturbação, e que normal­ mente foi preparado ou melhorado em laboratório. O simples facto de depositar o sémen o mais próximo possível do local de fecundação aumenta notavelmente as pos­sibilidades de gravidez, já que, num coito normal, somente uma pequena parte dos espermatozóides expulsos chegam até ao colo do útero.
Opta-se por praticar a inseminação intraconjugal em dois casos distintos: quando havendo uma alteração do sémen, normalmente uma oligospermia, não se conseguiram melhorias depois do trata­mento indicado pelo andrólogo, e quando sendo o sémen normal, existem alterações físicas ou disfunções sexuais que impedem a correcta realização do coito e, por conse­guinte, o depósito de espermatozóides na vagina.
A inseminação com sémen de doador
Quando a causa da infertilidade do casal é uma azoospermia do homem recorre-se ao sémen de um doador. Os bancos de sémen, onde se guarda o sémen congelado, dispõem da informação sobre as caracterís­ticas físicas, especialmente as étnicas, do doador, para assim poder seleccionar as amostras mais adequadas às características do casal, mas guardam o anonimato do doador.
Este tipo de inseminação pratica-se quan­do há uma alteração irreversível que anula as possibilidades de fecundação do sémen do homem, de maneira a que o casal não possa beneficiar das técnicas de insemi­nação com melhoria do sémen nem dos distintos modos de fecundação in vitro com sémen do homem. Excepcionalmente também se realiza no caso de alteração genética do homem que comprometeria a sua descendência.
A fecundação in vitro
A fecundação produz-se quando um óvulo perfeitamente maduro e um espermato­zóide potencialmente fértil se encontram no terço superior de uma das trompas de Falópio. Inicialmente desenvolveu-se a denominada fecundação in vitro, ou seja, a fecundação num meio artificial, pensando naqueles casos em que um problema, nor­malmente uma obstrução, das trompas de Falópio obstaculizava ou impedia o pro­cesso natural. Mas hoje em dia muitos casais, cuja infertilidade se deve a outras causas, beneficiam desta técnica, que alcançou um elevado grau de sofisticação e êxito. Vejamos em seguida os passos que constituem o processo básico de fecun­dação in vitro.
A estimulação da ovulação
No ciclo normal, somente amadurece um óvulo cada mês. Mas para uma fecundação in vitro interessa obter o maior número possível de óvulos, para assim contar com uma probabilidade de êxito superior na fecundação e aumentar as possibilidades de nidação do óvulo fecundado e a sua ges­tação. Por isso realizam-se tratamentos hormonais para induzir à ovulação para conseguir o amadurecimento de vários óvulos.
A recuperação dos óvulos
A mulher submetida a um tratamento indutor da ovulação permanece sob um estrito controlo médico, que inclui ecogra­fias e análises hormonais. Este controlo permite conhecer o êxito do tratamento e o momento pré-ovulatório idóneo para a recuperação dos ovos. A recuperação ou extracção realiza-se através duma punção do ovário e a posterior aspiração dos óvu­los maduros que contém. A punção pode efectuar-se através duma laparoscopia - isto é, com um aparelho especial através do umbigo - ou por via vaginal o labora­ tório estuda-se o material obtido e identi­ficam-se os óvulos.
A inseminação
Uma vez identificados os ovos colocam-se numa bandeja de laboratório que contém um meio de cultivo adequado o mais pare­cido possível às condições naturais do inte­rior das trompas de Falópio. A este cultivo acrescenta-se o sémen masculino, que pode proceder do marido ou de um doa­ dor, descongelado se tinha sido congelado e preparado para aumentar as possibilida­des de fecundação.
A fertilização
Entre 17 e 20 horas depois da inseminação identificam-se os sinais de que a inseminação foi produzida: no citoplasma do óvulo, que agora denominamos zigoto, distinguem-se dois prónuc1eos. O zigoto seguirá com a sua divisão celular para converter-se nas horas seguintes na chamada mórula. De facto, já se trata de um embrião humano.
A transferência
Entre 24 e 30 horas depois de comprovar que se produziu a fertilização, as mórulas serão introduzidas no útero da mulher através duma técnica muito simples seme­lhante à utilizada na inseminação artificial intra-uterina. Costuma administrar-se um tratamento hormonal para garantir uma preparação uterina correcta, de maneira que não existam dificuldades para a nidação do óvulo fecundado.
Quando as trompas de Falópio são nor­mais, pode-se realizar a transferência das mórulas directamente para as trompas para que cheguem ao útero pelo seu caminho natural. Com esta técnica as pos­sibilidades de nidação parecem aumentar, mas, por outro lado, tem o inconveniente de que é necessária uma laparoscopia, o que implica uma anestesia e uma passa­gem pela sala de operações.
As maiores possibilidades de gravidez obtêm-se quando se transferem três ou quatro mórulas para o útero. Quando depois da fertilização se obtém um número superior de óvulos fecundados, procede-se à sua congelação, de modo que possam transferir-se em ciclos posteriores se a gra­videz não se consegue nesta primeira ten­tativa ou se posteriormente o casal deseja uma segunda gravidez.
A comprovação da gravidez
Duas semanas depois da transferência de óvulos efectuam-se as análises adequadas para comprovar que se produziu a gravi­dez. Ainda que se trate de uma etapa muito recente, em alguns casos já é possí­vel detectar se se trata de uma gravidez múltipla e actuar caso necessário.
Os novos horizontes
A partir da fecundação in vitro foram-se desenvolvendo uma série de novas técni­cas de assistência à reprodução que tornam possível a gravidez em situações impensá­veis há uns anos atrás.
• As técnicas de micromanipulação do óvulo (com a microinjecção de espermato­zóides, ou a dissecação parcial da zona pelúcida, que é a membrana que envolve o óvulo) têm como principal objectivo elimi­nar ao máximo os obstáculos que devem superar os espermatozóides para que se produza a fecundação. Usam-se tanto em problemas relacionados com os óvulos da mulher como com a qualidade do esperma do homem.
• A doação de óvulos é uma técnica que se utiliza quando a mulher não os pode produzir, quer seja por carecer de ovários, por patologias disfuncionais destes que outros tratamentos médicos não consegui­ram solucionar, ou porque os seus óvulos apresentam alterações genéticas que cau­sariam doenças hereditárias. Recuperam­-se os óvulos de uma mulher sã (que pode ser uma doadora anónima ou, como prefe­rem algumas pacientes, um membro da sua própria família) e fertilizam-se com o sémen do homem, para transferi-los para o útero da paciente. • Naqueles casos nos quais existem alte­rações de ambos os gâmetas (ou seja, tanto do óvulo da mulher como dos espermato­zóides do homem) pode-se recorrer à doação de embriões obtidos por fecun­dação in vitro com gâmetas sãs de doadores anónimos.
Graças ao desenvolvimento destas téc­nicas, a sociedade dos finais do século XX vive uma autêntica revolução no campo da reprodução humana: hoje em dia a ciência pode oferecer soluções a muitos problemas de esterilidade no casal que há poucos anos pareciam sem solução e definitivos. Se os avanços tecnológicos e científicos continuam pelo mesmo caminho, com pro­cessos cada vez mais simplificados, menos custosos e com possibilidades de êxito, num futuro próximo serão muitos mais os casais que poderão beneficiar das técnicas de reprodução assistida.
Sem embargo, é certo que o desenvolvi­mento e aplicação de algumas destas técni­cas geraram numerosas polémicas sociais sobre o seu alcance ético e legal. Por exem­plo, há pessoas que, por motivos religio­sos, consideram inaceitável a inseminação artificial com sémen de um doador, assim como a doação de óvulos ou embriões. Também se pensou na legalidade de permitir que uma mulher solteira ou sem companheiro estável que deseja uma gra­videz e um filho possa aceder à insemi­nação artificial.
Outro dilema ético aparece relacionado com o uso ou destino dos óvulos fecunda­ dos in vitro que não são transferidos para o útero materno: para alguns grupos de opi­nião, a destruição destes zigotos que sobram equivale a um aborto.
O tema das «mães de aluguer» não é menos problemático: o que se passa se uma vez terminada a gravidez, a «mãe de alu­guer» deseja ficar com esse filho e não entregá-lo ao casal que solicitou a sua cola­boração, ou se os pais recusam uma criança que apresenta malformações físicas ou deficiências psíquicas? É lícito o intercâm­bio de uma função corporal, como o caso da gravidez, simplesmente por uma deter­ minada quantidade de dinheiro?
Em muitos países já existe bastante juris­prudência, ainda que seja contraditória, sobre estes temas, que, em alguns casos se reflecte na sua legislação. Mas os avanços científicos nos campos da reprodução humana e a engenharia celular e genética suscitam, dia após dia, novas e importan­tes questões às quais a sociedade deve dar resposta.

4 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

Os vinhos portugueses: história, actualidade e futuro

Os vinhos portugueses
A cultura da vinha em Portugal já remonta ao século VII a. C. Diz-se que os Romanos, quando por aqui estiveram, apreciavam muito os vinhos provenientes das redonde­zas de Lisboa e de Setúbal, o que só prova que tinham bom gosto, como qualquer adorador de Baco que tenha provado os vinhos de Colares, Carcavelos e Setúbal (Moscatel) pode constatar.
Mas não ficou por aí a história dos vinhos portugueses. Segundo dizem os historiadores, e são eles quem sabe, o Infante D. Henrique teria enviado caravelas a Chipre e ao Levante buscarem cepas com que, «viticulturalmente» falando, povoaram a Madeira, para grande delícia de futuros «gourmets».
Também os vinhos de Monção, possíveis antepassados dos actuais vinhos verdes, já no século XV, depois de exportados por Viana do Castelo, satisfaziam os mais exigen­tes paladares ingleses. Os hábitos alteram-se, e o consumidor inglês, influenciado por aquilo que na altura ainda não se chamava publi­cidade e «marketing», passou a preferir os vinhos de Riba Doyro, que o Marquês de Pombal, (que aliás tudo leva a crer ter sido entendido na matéria, pois foi da sua quinta de Oeiras que foram «exportados» os primeiros Carca­velos para a Imperial Corte do Meio), estadista de visão, prote­geu, mandando delimitar a região, agora chamada do Douro, com enormes marcos de pedra traba­lhada, dos quais alguns ainda per­manecem nos locais em que foram implantados, criando em 1756, com prerrogativas majestáticas, a Companhia Geral de Agricultura das "Vinhas do Alto Douro, e com­ batendo quaisquer veleidades con­correnciais (mandando arrancar, por exemplo, as vinhas da Bair­rada, medida que só foi desagravada pela Rainha D. Maria, que as mandou replantar).
Historicamente falando, as coi­sas parecem ter ficado neste pé até 1907-1912, altura em que os últi­mos governos da Monarquia e os primeiros da República avançaram com a redefinição da região do Vinho do Porto (que passou a chamar-se do Douro) e instituíram as sete outras regiões demarcadas agora existentes; e, tirando a nova redefinição da região do Douro (em 1932) e a criação do Entre­posto de Vila Nova de Gaia (1926), as coisas ficaram por aí até esta nossa IIª República que, querendo também incensar Dionísio, criou cinco novas regiões demarcadas.
O que representam os vinhos portugueses
Deixando a história, o que é que representam hoje os vinhos portu­gueses? Portugal é um dos principais produtores mundiais de vinho, que é igualmente um dos mais importantes produtos de exportação (cerca de 140 mil euros/ano), mais de 200 mil postos de trabalho (só no sector da produção propriamente dita), cerca de 300 mil explorações vitivinícolas e uma produção média anual de cerca de 10 milhões de hectolitros, dos quais perto de um quinto se destina à exportação. No entanto a produ­ção tem altos e baixos o que leva a que Portugal tenha por vezes de importar vinho para garantir o abastecimento do mer­cado interno, sem faltar aos com­promissos externos já assumidos. Por exemplo, em 1979, importámos 500 mil hl de vinho comum.
Contudo o vinho não é só núme­ros, cifras, graduações e outras coi­sas desse teor, e qualquer de nós que tenha regado lauto repasto com um fino Bucelas ou um encorpado Dão, ou colocado a pedra de remate de frugal refeição com uma cálida de aguardente Moscatel de Setúbal, não deixará de saber que o vinho é também um elemento de convívio, uma fonte de alegria, um fugaz momento a ser relembrado. No entanto, há pessoas que não conhecem os vinhos portugueses, ou que, conhecendo-os empirica­mente, não estão a par das suas denominações e características. Para uns e outros, dá-se a seguir uma breve resenha dos vinhos por­tugueses, suas origens e caracterís­ticas, e como devem ser bebidos.
Vinhos do Porto e da Madeira
Para começar, temos o vinho do Porto, oriundo da região do Douro, que se espraia pelo Vale do Douro acima, de cerca de 100 quilómetros do Porto até à fronteira espanhola. O vinho do Porto tem um teor alcoólico compreendido entre os 19º e os 22° e quanto a cor pode ser branco, aloirado, tinto aloirado ou tinto. Os Vintages (colheitas de um só ano de reconhecida qualidade) envelhecem em garrafa depois de terem sido engarrafados entre o segundo e o terceiro anos de idade.
Os L.B.V.s (Late Bottled Vintages - colheitas tardiamente en­garrafadas) diferem dos anteriores por serem engarrafados entre o quarto e o sexto anos de idade. Há também os vinhos do Porto enve­lhecidos em cascos comuns e com a indicação de idade. O vinho do Porto bebe-se de preferência como aperitivo, para acompanhar queijos ou sobremesas, ou depois dos doces e das frutas. A região do Douro produz, para além do vinho do Porto, vinhos de mesa que são comercializados sob a designação regional de Douro, e, numa pequena mancha de terreno, um vinho generoso que é comercializado sob o nome de Moscatel de Favaios.
O Madeira, vinho licoroso produ­zido na ilha do mesmo nome, tem entre 18º e 20° e pode ser de vários tipos, conforme as castas de que é produzido; o Malvasia é muito doce, encorpado, de cor carregada e acentuado perfume; o Sercial é seco, leve, de cor clara e suave­ mente perfumado; o Verdelho e o Boal são tipos intermédios entre os dois anteriores, sendo o Verdelho mais parecido com o Sercial e o Boal mais parecido com o Malva­sia. Existe também a designação de Solera, que é atribuída a vinhos de determinada colheita e quali­dade comprovada, envelhecidos em casco e que, durante certos períodos e de acordo com determi­nadas regras, poderão ser lotados com outros vinhos. O Madeira pode ser bebido nas mesmas oca­siões que o Porto.
Outros vinhos generosos
O Carcavelos, excelente vinho generoso hoje unicamente produ­zido em uma pequena mancha de 6 há, tem entre 18 e 20° e caracteriza-se pelas suas qualida­des especiais, de aveludado aroma e sabor inconfundível. O Carcave­los deverá ser bebido a acompa­nhar queijos ou depois de frutas e sobremesas.
O Moscatel de Setúbal, vinho generoso produzido nos concelhos de Palmela e Setúbal tem uma gra­duação alcoólica entre os 18º e os 20°, uma tonalidade que vai do topázio claro ao topázio queimado, um perfume suave e um delicado sabor que o torna inconfundível. Pode ser bebido como aperitivo ou para acompanhar queijos ou sobre­ mesas. Nesta região, e suas imedia­ções, também se produzem vinhos de mesa tintos Periquita, que são encorpados, com elevado extracto seco, quando novos com acentuado sabor e aroma a fruto, melhorando com o envelhecimento, e com graduação alcoólica não inferior a 12°.
Os vinhos de mesa
Os vinhos verdes, designação que desde 1973 beneficia do registo internacional de origem e «marca colectiva», e que desde 1949 é reconhecida pelo Office Internacio­nal de la Vigne et du Vin, são pro­duzidos em 45 concelhos do No­ roeste, têm graduações alcoólicas que oscilam entre os 8º e os 11,5°, e elevado teor em ácido láctico e ani­drido carbónico, o que, pelo seu alto poder dessedentante, faz com que os vinhos verdes sejam extre­mamente agradáveis de beber na época quente. Os vinhos verdes brancos vão muito bem com ostras e mariscos de concha. Os tintos são óptimos para se acompanhar carnes vermelhas, grelhados e car­nes guisadas.
O Dão, produzido nas bacias do Dão e do Mondego, em um teor alcoólico médio de 12º e deve ser consumido com crustáceos e pei­xes frios (branco), charcutarias quentes, criação ou caça de penas (tinto muito encorpado), carnes brancas (tinto medianamente encor­pado), carnes vermelhas, grelha­dos e carnes guisadas (tinto encor­pado). O Dão tinto é caracterizado pelo sabor aveludado, pelo deli­ cioso aroma a fruto e pela viva cor de rubi. Melhora com o envelheci­mento, adquirindo cor acastanhada e um acentuado «bouquet». O Dão branco é leve, de cor citrina e tem um acentuado aroma e sabor a fruto, que se deve às cas­tas de que é produzido.
O Colares, vinho de areia produ­zido na freguesia do mesmo nome e em terrenos de areia solta das freguesias de S. Martinho e de S. João das Lampas, todas do conce­lho de Sintra, tem, quando tinto, uma graduação oscilando entre os 10,5º e os 11°; quando novo, é áspero e adstringente, mas o enve­lhecimento faz com que amacie e adquira um extraordinário aroma e uma tonalidade de casca de cebola. Deve ser bebido muito velho e a uma temperatura de 18°, e pode acompanhar charcutarias quentes, criação e carnes brancas. O branco, de teor, alcoólico mais elevado, entre 11º e 12°, apresenta uma cor citrina, é fresco, com um agradável aroma a fruto, também melhora com o envelhecimento e deve ser bebido, o velho, a 12°, e o novo a 10° C. O Colares branco é um excelente acompanhamento para crustáceos e peixes frios.
Por último o Bucelas, vinho branco com graduação entre 11º e 11,5°, produz-se em pequena região centrada na vila do mesmo nome, a 25 km a Norte de Lisboa. Bas­tante acídulo quando jovem e seco, ganha características organolépti­cas inconfundíveis após envelheci­mento. É de se beber o Bucelas com crustáceos e peixes frios, ace­pipes e charcutarias frias ou quentes.
Para além das regiões demarca­ das, existem outras que não o são, como a de Lafões, ilha do Pico, Alentejo, Ribatejo, etc., e ainda outras duas, já referidas, as da Bairrada e do Algarve, em que a implementação prática da demar­cação se encontra presentemente em curso. Não se encontra no âmbito deste artigo pormenorizar as características de cada uma des­tas regiões e dos vinhos que as mesmas produzem, mas não que­ remos deixar de referir o vinho do Pico, néctar que em tempos passa­ dos foi muito apreciado na Corte Imperial Russa e que hoje é desco­nhecido mesmo da maioria dos portugueses que apreciam vinho.
As perspectivas para o futuro
No entanto e regressando ao lado prático das coisas, nem tudo são rosas para os vinhos portugue­ses. É certo, que o momento difícil da acessão de vendas de vinho às então colónias já foi ultrapassado, mas levantam-se agora os proble­mas decorrentes da integra­ cão de Portugal na União Europeia, problemas que só poderão ser resolvidos melhorando­ -se e estandardizando-se qualida­des, rentabilizando-se uma produ­ção com métodos por vezes data­dos e combatendo-se a excessiva pulverização da propriedade vitivi­nícola.
De tudo isto e da vontade de todos, produtores, expositores e organismos oficiais, depende que os vinhos portugueses continuem a manter a imagem de alta qualidade com que presentemente contam e mesmo que a consigam melhorar no futuro.

5 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

Diabetes: as complicações; a prevenção e o tratamento

Compreender a doença - Diabetes
Ser diabético implica saber o que é a diabetes, as suas consequências e o que fazer para ser mais fácil viver com a doença. Quando não con­trolada surgem complicações que é sempre possível prevenir. Também é preciso que os doentes se comprometam com a sua saúde.
A diabetes é uma doença crónica que aparece quando o organismo não consegue utilizar a sua principal fonte de energia - a glucose - um açúcar produzido pelo fígado, mas também fornecido pela alimentação.
Para a glucose penetrar nas células é preciso insulina, uma hormona produ­zida pelo pâncreas, que vai transformar a glucose em energia. Quando há falta de insulina ou quando o organismo é resistente à sua acção, a gluco­se acumula-se no sangue. Surge então a diabetes.
São dois os tipos principais de diabetes:
Diabetes tipo 1 - Ocorre quando o organismo não produz insulina, surge quase sempre antes dos 30 anos. O tratamento requer sempre a adminis­tração de insulina, a par de uma alimentação adequada e exercício físico;
Diabetes tipo 2 - Ocorre quando a insulina produzida é insuficiente ou quando não é eficaz. Aparece, normalmente, após os 30 anos, podendo ser controlada com uma alimentação adequada, exercício físico regular e, se necessário, medicamentos. Corresponde à maioria dos casos;
Quando a glucose no sangue - glicemia - ultrapassa os valores normais, podem surgir alguns sinais e sintomas. Nem todas as pessoas os sentem, mas os mais comuns são:
Ter muita sede;
Urinar com mais frequência;
Ter muita fome;
Cansaço invulgar;
Perder peso rapidamente;
Dificuldade progressiva em ver;
Dificuldade em sarar feridas;
Infecções frequentes (como, por exemplo, infecções urinárias e vaginais).
Isolados ou em conjunto, estes sinais fazem suspeitar de diabetes. Uma dúvi­da que se esclarece com uma medição da glicemia. Os valores normais de glicemia são:
Menos de 110 mg/dl em jejum;
Menos de 140 mg/dl duas horas após as refeições.
Medir a glicemia é essencial, pois pode-se ter diabetes e não sentir nada.
Qualquer pessoa pode ter diabetes, mas tem maior risco se:
Tiver excesso de peso ou obesidade;
Antecedentes familiares de diabetes;
Não praticar actividade física regular;
For hipertenso;
For mulher e tiver tido diabetes na gravidez ou um filho com quatro ou mais quilos à nascença.
Por enquanto a diabetes não tem cura. Mas é possível controlá-la e viver com qualidade apesar da doença. Controlar a doença significa prevenir as suas complicações.
As principais complicações da diabetes são:
Cegueira;
Doença cardíaca;
Problemas circulatórios;
Problemas renais;
Alteração da sensibilidade nos pés;
Como controlar a doença
A diabetes é uma doença que permite uma vida saudável, activa e autóno­ma. Consegui-lo, implica manter os valores de glicemia tão próximos dos recomendados quanto possível.
Para a maioria das pessoas com diabetes recomenda-se os seguintes valo­res de glicemia:
Jejum e/ou antes das refeições) entre 80 - 120 mg/dl 1 a 2 horas após as refeições) até 160 mg/dl. Quanto aos valores de glicemia capilar plasmática pergunte ao seu médico quais os valores mais indicados para si. Controlar a diabetes exige um compromisso individual com a saúde, que passa sobretudo pela alteração de comportamentos, adequando-os a uma vida saudável.
Assim, é importante:
Ter uma alimentação saudável;
Praticar exercício físico regularmente;
Tomar correctamente os medicamentos;
Vigiar o peso, a glicemia, a pressão arterial, o colesterol e os triglicerídeos;
Não fumar.
A importância de uma boa alimentação: as escolhas correctas
O que se come está directamente ligado à quantidade de açúcar no san­gue. Por isso, fazer as escolhas correctas ajuda a manter a glicemia contro­lada:
Faça uma alimentação variada - inclua todos os alimentos na sua alimen­tação pois cada um apresenta benefícios próprios para o organismo;
Evite alimentos açucarados;
Coma pelo menos seis vezes ao dia - comer várias vezes ao dia não faz subir muito o açúcar no sangue e evita que ele desça para valores abaixo dos reco­mendados (hipoglicemia);
Durante a noite, não esteja mais de 7 a 8 horas em jejum;
Coma devagar e mastigue bem os alimentos;
Privilegie os hidratos de carbono (farináceos) - principal fonte de energia do organismo, devem integrar todas as refeições, em pequenas porções de cada vez. Encontram-se em muitos alimentos: massa, arroz, leguminosas (grão, feijão, ervilhas, favas), batata, pão (mistura ou integral), mas tam­bém no leite e na fruta;
Modere o consumo de proteínas animais - são fornecidas sobretudo pela carne, peixe, ovos e leite. Mas também pelas leguminosas secas (grão, feijão, lentilhas) e pelos cereais. Pode comer-se qualquer tipo de carne ou peixe, mas 120 gramas por dose são suficientes. Beba, pelo menos, meio litro de leite por dia, de preferência meio-gordo ou magro; Inclua legumes em todas as refeições - são boas fontes de fibras, vitami­nas e sais minerais. As fibras contribuem para o bom funcionamento dos intestinos, para que os açucares sejam absorvidos mais lentamente, o que ajuda a controlar a glicemia, e para reduzir o colesterol; Lembre-se de comer fruta - rica em vitaminas e fibras, coma 2 a 3 peças de fruta por dia, podendo comê-las no intervalo das refeições. Prefira comer a fruta em vez de sumo pois este perde muitas das vitaminas e fibras;
Reduza a ingestão de gorduras - evite o consumo de produtos de charcu­taria, salgados, bolos, fritos, chocolates, queijos, entre outros. Para cozi­nhar e temperar, utilize apenas a gordura indispensável (azeite de prefe­rência) e opte pelos cozidos, grelhados e estufados, em vez dos fritos e refogados;
Evite o açúcar, o mel, os refrigerantes e os alimentos açucarados (bolos, doces, chocolates, etc.) - fonte de energia, mas não de nutrientes, o açú­car deve ser consumido com muita moderação, pois, em excesso, é causa de dia­betes, obesidade, doença cardiovascular e cáries; Corte no sal - o sal ameaça a saúde do coração e vasos sanguíneos devendo ser limitado a cinco gramas diários;
Evite as bebidas alcoólicas - salvo con­tra-indicação médica, um diabético pode beber um copo de vinho numa das refei­ções mas deve abster­ se de "bebidas bran­cas" (whisky, aguardente ou licores);
Beba água - pelo menos 1,5 litros por dia. Beba mesmo sem sede. Pode substituir a água por chá sem açúcar.
A importância do exercício físico
O exercício físico é também uma medida que permite o controlo da diabe­tes e a prevenção das suas complicações, devendo integrar o compromisso do diabético com a sua saúde. Iniciar ou reforçar a prática de actividade física, combatendo o sedentaris­mo, apresenta diversas vantagens ao nível do bem-estar físico e emocional:
Diminui a glicemia;
Contribui para diminuir a massa gorda, logo ajuda a controlar o peso;
Reduz o risco cardiovascular;
Melhora a oxigenação dos tecidos;
Aumenta a auto-estima;
Melhora o estado geral de saúde.
Não há uma actividade física de eleição para os diabéticos, devendo o tipo de exercício ser escolhido em conjunto com o médico, em função do tipo de diabetes e da presença, ou não, de outros problemas de saúde. Mas, de uma forma geral, os exercícios aeróbicos são adequados: ajudam a respirar melhor e estimulam o funcionamento do coração. Caminhar todos os dias durante, pelo menos, 30 minutos é uma boa alternativa para a maio­ria dos diabéticos. Também pode fazer outro exercício como, por exemplo, nadar, dançar ou andar de bicicleta de acordo com as suas possibilidades.
Antes de praticar exercício informe-se junto de um profissional. O exercício físico é um bom aliado dos diabéticos.
Como tirar o melhor proveito dos medicamentos
Nem sempre as medidas relacionadas com o estilo de vida, são suficientes para fazer baixar a glicemia ou mantê-la nos valores recomendados. Pode, então, ser necessário recorrer a medicamentos. Existem dois tipos principais de antidiabéticos:
Orais - sob a forma de comprimidos, são utilizados apenas no tratamento da diabetes tipo 2. Existem diversos grupos, com diferentes acções, que se tomam isoladamente ou em conjunto;
Injectáveis - trata-se de insulina, o único medicamento eficaz na diabetes tipo 1. Todas as pessoas com diabetes tipo 1 necessitam de insulina para sobreviver. Também é utilizada no tratamento da diabetes tipo 2 quando os anti­diabéticos orais não conseguem controlar a glicemia. Estes medicamentos não curam a diabetes, mas permitem controlá-la. Devem, pois, ser tomados sempre de acordo com as indicações do médico, de modo a prevenir as complicações associadas à doença.
Para uma utilização correcta e segura dos medicamentos, que possibilite a melhor eficácia, é importante:
Conhecer os nomes dos medicamentos, dosagens e horas a que os deve tomar;
Ler o folheto informativo que os acompanha;
Verificar os prazos de validade dos mesmos;
Guardar os medicamentos fora do alcance das crianças;
Se estiver grávida ou a amamentar, não pode tomar antidiabéticos orais;
Consultar o seu médico se pensar engravidar;
Se estiver a tomar insulina deve:
Manter a insulina em utilização à temperatura ambiente, ao abrigo da luz e de fontes de calor;
Guardar a insulina de reserva no frigorífico, numa zona afastada do congelador.
Todos os medicamentos podem causar efeitos adversos e os antidiabéticos não são excepção: o mais comum é a hipoglicemia mas também podem ocorrer enjoos, desconforto gástrico e gases. Todos são controláveis: saiba como junto do seu médico ou farmacêutico.
Estes medicamentos visam controlar a diabetes, fazendo baixar a glicemia para os valores definidos pelo médico. Um objectivo que precisa de ser vigia­ do, havendo duas formas de o fazer:
Teste de glicemia - Pode ser feito em jejum, antes de uma refeição ou 1 a 2 horas após as refeições, pelo próprio, em casa ou na farmácia com a ajuda do farmacêutico. Se os valores não forem os recomendados, pode ser necessário adaptar o tratamento;
Hemoglobina glicosilada (HbA 1 c) - Análise ao sangue que dá informação sobre os valores médios de glicemia nos últimos 2 a 3 meses. Níveis bai­xos correspondem a um bom controlo da diabetes, níveis elevados indi­cam um controlo insuficiente e um risco acrescido de complicações.
A importância da autovigilância
Para saber se o tratamento está a resultar e, portanto, se a diabetes está con­trolada, o diabético deve fazer a sua autovigilância, o que envolve vigiar, a glicemia, o peso e a pressão arterial. A autovigilância permite ao diabético avaliar a resposta ao tratamento e, em função dos resultados obtidos, adaptar o seu plano de tratamento. Relativamente à glicemia, é importante saber que todos os diabéticos devem fazer o teste, mas para alguns é obrigatório. Estão nesta situação os doentes que tomam medicamentos hipoglicemian­tes, os que têm dificuldade em reconhecer a hipoglicemia e as grávidas.
A frequência do teste depende do tipo de diabetes e dos medicamentos que se tomam, devendo ser estabelecida pelo médico. Para fazer o teste necessita de material próprio para picar o dedo (lancetas), tiras e um aparelho de medir a glicemia. Existem vários aparelhos, lancetas e tiras. Todos são bons desde que usados de forma correcta:
Leia e siga as instruções do aparelho;
Limpe o aparelho de acordo com as instruções do fabricante;
Observe sempre o prazo de validade das tiras.
Em certas situações pode encontrar no sangue e na urina uma substância chamada acetona, que em excesso pode ser perigosa. Para identificar a sua presença é preciso fazer o teste da acetona na urina - cetonúria - ou no san­gue - cetonemia.
Este teste é feito com mais frequência pelos diabéticos tipo 1, mas qualquer diabético deve fazê-lo se a glicemia for superior a 300 mg/dl, se sentir náu­seas ou vomitar ou se estiver doente. Um peso correcto é indispensável para controlar a diabetes e, de uma forma geral, para ter saúde. Informe-se sobre o peso mais adequado para si e vigie­ o: pese-se sempre à mesma hora, de preferência ao deitar, na mesma balan­ça e com o mesmo tipo de roupa, de preferência depois de urinar.
Manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mm Hg (mercúrio) permite prevenir as complicações da diabetes, pelo que deve ser um objectivo a alcançar pelos diabéticos. No entanto, o seu médico pode definir outros valores, em fun­ção da sua situação específica. Os médicos e os far­macêuticos - constituem a outra face de qualquer plano de controlo e tratamento da diabetes. A sua intervenção deve fazer-se numa dupla perspectiva: a de definição e orientação da terapêutica, e a de reforço dos comportamentos e atitu­des do diabético. O técnico de saúde ajuda-o a vigiar os sinais e sintomas da hiperglicemia, da hipoglicemia e das complicações típicas da diabetes e actuar sobre eles. No caso do farmacêutico alertando para os riscos, aconselhando sobre a melhor forma de os acautelar e, se necessário encaminhando para a consulta médica. No caso do médico, tomando as medidas de diagnóstico e terapêu­tica adequadas.
O diabético deve assumir-se como um interlocutor activo nos seus contactos com os profissionais de saúde: comparecer às consultas de rotina, solicitar a realização de exames de rotina, pedir orientação sobre a terapêutica e os cui­dados de autovigilância, informar-se e aconselhar-se sobre a prevenção das complicações da diabetes e sobre os estilos de vida - estes são gestos que vão contribuir para o controlo da doença.
A importância da prevenção
A diabetes não controlada pode abrir a porta a um vasto conjunto de outros problemas de saúde, ameaçando órgãos, nervos e vasos sanguíneos. Pelo risco associado, o importante é prevenir - o que se consegue respeitan­do o plano de tratamento -, mas também actuar aos pri­meiros sinais. Para isso é preciso saber como pode evo­luir a diabetes e reconhecer os sintomas das complica­ções características da doença.
As complicações da diabetes classificam-se em dois grupos:
1. Complicações Agudas
Uma das mais importantes complicações agudas é a hipoglicemia, situação em que o açúcar no sangue desce para valores abaixo dos recomendados:
Causas - atraso na hora da refeição, comer menos do que o habitual, fazer mais exercício do que o normal, tomar mais medicamentos do que o necessário, entre outras situações; Primeiros sinais - apetite natural repentino e intenso, dor de cabeça, suo­res, perda de força e palidez, tremor interior, excitação, taquicardia (cora­ção a bater a 90, 100 ou mais batimentos por minuto);
Intervenção - Assim que sentir algum dos primeiros sinais de hipoglice­mia tome de imediato 2 pacotes de açúcar ou glucose, de preferência com um copo de água, e espere 2 a 3 minutos. Se não se sentir melhor há que repetir a toma do açúcar. Logo que melhorar deve fazer uma pequena refeição como, por exemplo, uma fatia de pão com um copo de leite ou chá.
Mesmo que não tenha a certeza se está em hipoglicemia deve tomar açúcar. O açúcar não faz mal quando tomado por engano. No entanto, a sua falta é prejudicial ao cérebro.
Sinais mais graves - confusão ligeira e crescente, raciocínio lento e difícil, bocejos repetidos, expressão apática, enjoo e vómitos, mudanças de dis­posição, visão dupla, comportamento descontrolado, convulsões, perda de consciência (coma). Estes sinais podem aparecer nos diabéticos que não reconheceram os primeiros sinais de hipoglicemia e que, por isso, não a trataram de imediato. Nesta situação os diabéticos precisam da ajuda de outras pessoas podendo ter que ser levados para o hospital.
Prevenção - comer várias vezes ao dia, a cada 2 ou 3 horas; ter sempre 2 ou 3 pacotes de açúcar ou de glucose; tomar os medicamentos conforme indicação do médico; medir a glicemia com regularidade.
Em certas situações como, por exemplo, na presença de valores elevados de glicemia, pode aparecer no sangue e na urina uma substância chamada ace­tona que, dependendo da quantidade, pode ser perigosa levando ao coma. A esta complicação aguda da diabetes dá-se o nome de cetoacidose:
Causas - ausência ou escassez de insulina que pode ocorrer quando há infec­ções, stresse, traumatismo ou uma alimentação muito rica em hidratos de car­bono;
Sinais - hálito a maçãs ou frutos, urinar em excesso, perda de apetite, vómi­tos, dores abdominais, dificuldade em respirar e aumento da acetona no sangue e urina;
Tratamento - administrar insulina de acordo com as indicações médicas; aumentar a ingestão de líquidos (sem açúcar e sem cafeína);
Prevenção - passa por controlar a diabetes.
Para saber se tem acetona na urina ou no sangue deve fazer um teste com tiras próprias. Este teste é feito com mais frequência pelas pessoas com dia­betes tipo 1 do que com diabetes tipo 2.
2. Complicações Crónicas
A diabetes é uma doença crónica e algumas das suas complicações também. Olhos, rins, coração e nervos são os órgãos mais vulneráveis quando a glice­mia se mantém sistematicamente elevada. E as consequências podem ser:
Retinopatia - A diabetes não controlada causa danos nos pequenos vasos sanguíneos da retina, a parte do olho que é sensível à luz e que comuni­ca ao cérebro aquilo que se vê. A consequência mais grave de uma reti­nopatia não tratada é a cegueira;
Nefropatia - Os danos ocorrem ao nível dos pequenos vasos sanguíneos dos rins que têm como função remover os produtos residuais do organis­mo. Em consequência, aumenta a ureia no sangue e a albumina na urina. À medida que a nefropatia evolui, o funcionamento dos rins pode ficar comprometido, originando insuficiência renal, que requer tratamento com diálise ou, em casos extremos, um transplante;
Neuropatia - A neuropatia é uma doença nas terminações dos nervos e que pode levar a problemas muito graves. É uma situação que pode pro­gredir lentamente e, por isso, passar despercebida. Os sintomas depen­dem da zona atingida, declarando-se com frequência nas extremidades dos membros (pés e mãos). A perda de sensibilidade pode levar a altera­ção da marcha, mau funcionamento da bexiga, estômago, intestinos e, ainda, disfunção sexual;
Doenças cardiovasculares - O excesso de açúcar no sangue afecta a cir­culação sanguínea a dois níveis: por um lado, acumula-se nas paredes dos pequenos vasos, provocando o seu espessamento e dificultando a irriga­ção dos nervos e, por outro lado, faz aumentar a concentração de subs­tâncias gordas no sangue, entupindo os vasos maiores. Quando há lesões nos grandes vasos, aumenta o risco de doença do coração, de enfarte do miocárdio (ataque cardíaco), de acidente vascular cerebral (trombose), de aterosclerose e hipertensão arterial.
Prevenir estes problemas passa por manter a glicemia nos valores recomen­dados, manter ou, se necessário, perder peso, aumentar a actividade física, controlar a pressão arterial e o colesterol, bem como deixar de fumar - o tabaco altera a sensibilidade à insulina e danifica os vasos sanguíneos, aumentando o risco de doença cardiovascular.
A sensibilidade dos pés dos diabéticos
Os pés dos diabéticos são particularmente vulneráveis, sobretudo quan­do se conjugam alterações ao nível dos nervos e dos vasos sanguíneos. Num "pé diabético" mesmo as lesões mais simples podem piorar rapi­damente e causar complicações graves, pelo que é preciso saber iden­tificar as principais fontes de problemas:
Alterações na pele - com o tempo, a pele pode tornar-se muito seca, descamar e gretar;
Calos e calosidades - são mais comuns nos diabéticos e desenvolvem-se muito depressa, podendo ser causados por problemas nos ossos, pela colocação incorrecta do pé no chão e pelo uso de calçado desajustado; devem ser removidos sob pena de engrossarem, gretarem e darem ori­gem a feridas abertas (úlceras);
Úlceras (feridas abertas) - surgem com mais frequência na sola do pé, junto ao dedo grande e por baixo dele; se não tratadas, podem infectar, causar gangrena e levar à necessidade de amputação;
Má circulação - deve-se ao estreitamento e endurecimento dos vasos san­guíneos que servem as pernas e os pés; tal torna mais difícil lutar contra as infecções e as feridas demoram mais a sarar;
Neuropatia - insensibilidade do pé à dor, ao frio e ao calor, o que favore­ce o aparecimento de lesões. O diabético, por falta de sensibilidade à dor, pode ferir-se ou queimar-se e não sentir nada;
Infecções - muito comuns nos diabéticos, manifestam-se através de alte­rações na cor da pele e unhas, na temperatura e no odor dos pés;
Ao menor sinal de feridas, cortes, bolhas, gretas, zonas avermelhadas, inchaço, entre outras situações, deve pedir de imediato conselho ao seu far­macêutico ou ao seu médico.
Se estes problemas não forem detectados e tratados a tempo podem desencadear lesões irreversíveis que, no extremo, podem culminar na amputação do pé.
Quando se é diabético, com os pés todos os cuidados são poucos:
Observe os pés todos os dias - sem esquecer a sola, o calcanhar e a zona entre os dedos, se necessário com a ajuda de um espelho ou de outra pessoa;
Mantenha uma higiene adequada - lave-os diariamente com água morna e sabão, de preferência antes de se deitar; verifique a temperatura da água antes de colocar os pés; seque-os bem com uma toalha macia e sem esfregar, insistindo entre os dedos: a humidade favorece as micoses da pele e das unhas;
Mantenha a pele macia - aplique um creme hidratante para prevenir a pele seca, mas não entre os dedos;
Corte as unhas correctamente - a direito, deixando os cantos livres para evitar que encravem; utilize um alicate próprio, uma tesoura de bicos redondos ou uma lima de cartão; se tiver as unhas rijas e secas, amoleça­ as antes de as cortar;
Cuide dos calos e calosidades - evite que se desenvolvam com a ajuda de um sabonete pedra-pomes e de um creme hidratante; retire-os com uma lima própria depois de amolecidos; não os corte, pois pode provocar lesões na pele e, com elas, originar uma infecção; não use calicidas; e se tiverem uma zona avermelhada à volta, não tente removê-los - vá ao médico;
Use calçado adequado - macio, confortável e adequado ao tamanho do pé; com­pre ao final do dia e, enquanto forem novos, use-os por curtos períodos, de modo a prevenir o aparecimento de bolhas e de outras lesões; antes de se calçar, verifique se não existem no interior objectos que possam magoar os pés; não use sandálias nem ande descalço;
Use meias macias, de algodão e sem costuras e, de preferência, claras; assim é mais fácil detectar a existência de um ferimento;
Aqueça os pés mas com cuidado - com meias de lã, nunca com sacos de água quente, escalfetas ou aquecedores; mantenha os pés longe de larei­ras dado o risco de se queimar e não sentir dor;
Em nome da circulação sanguínea, há outros dois gestos essenciais - prati­car exercício físico e não fumar. Os seus pés agradecem!

3 comments:

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

O estado do tempo

Tempo Lisboa