Jacques-Yves Cousteau

O famoso explorador do mundo submarino
Jacques Cousteau criou uma sociedade para proteger a vida no oceano, aquela que sempre o apaixonou. Escreveu, filmou e inventou meios para poder permanecer mais tempo e em melhores condições debaixo de água. Nomeadamente, inventou, em parceria com Emile Gagnan, o Aqua-Lung, um cilindro de ar portátil que os mergulhadores usam para respirar. Outra das suas façanhas foi provar que o homem, apesar de não ter guelras, podia vi­ ver debaixo de água. Construiu uma casa submarina, onde sua equipa viveu durante um mês a 100 metros de profundidade.
O pioneiro do mergulho moderno ocupou o papel principal na divulgação da instituição denominada La Spirotechnique, fundada em 1947, para desenvolver a patente do primeiro regulador do Aqua-Lung. Cousteau mostrou-nos o mundo submarino e, durante 50 anos, contribuiu para a descoberta e defesa dos oceanos, além de ter co-inventado a câmara subaquática.
O primeiro mergulho
Jacques-Yves Cousteau nasceu a 11 de Junho de 1910, em St. André de Cubzac (Gironde). Em 1930, foi admitido na Escola Naval, onde se tomou oficial Entre 1933 e 1935, partiu para o Extremo Oriente a bordo dos cruzadores Primauguet e Shangha. Cousteau estava a aprender a pilotar quando sofreu um acidente de viação muito grave que acabou com a sua carreira de aviador.

Na figura (em cima): Calypso II

Em 1936, em Mourillon, perto de Toulon, Jacques tentou colocar pela primeira vez óculos de mergulho: foi a revelação. O mundo do silêncio sobre o qual ele tanto escreve­ ria e filmaria nunca mais o deixou de acompanhar. Com o engenheiro Emile Gagnan, inventou o escafandro autónomo, em 1943, e o mundo submarino abriu-se aos homens. Depois da guerra, o comandante criou com Philippe Tailliez e Frédéric Dumas um grupo de pesquisas submarinas com a finalidade de efectuarem experiências de mergulho e trabalhos de laboratório. Em 1950, recuperou o Calypso, um antigo navio draga­ minas. Modificado aos poucos e dotado de instrumentos de mergulho e de pesquisa científica, o Calypso foi transformado num navio oceanográfico. A grande aventura ia começar: nos 50 anos seguintes, as equipas Cousteau haveriam de explorar os mares e os grandes rios do Mundo inteiro.

Na figura (em cima): Cousteau preparando uma das últimas expedicões a bordo do Calypso II.

Obcecado com as profundezas marinhas, Cousteau, de parceria com o engenheiro Jean Mollard, construiu a SP-350, posta em serviço em 1959. Este batiscafo de dois lugares foi utilizado até 350 metros de profundidade. Em 1965, dois batiscafos de um lugar cada foram construídos para des­ cerem a 500 metros de profundidade e baptizados com o nome de Pulgas do Mar. Mais tarde, Cousteau dirigiu três experiências envolvendo casas submarinas. O explorador francês inaugurou o estudo de um novo sistema complementar de propul­ são eólica e lançou um catamarã convertido, equipado com este sistema, o Moulin à Vent, em 1983. O sistema foi instalado no navio experimental Alcyone, que é hoje utilizado para filmes e explorações. Calypso II, o navio eco­ lógico que mantém o espírito do seu homónimo, também foi equipado com este sistema.

Um pai ausente e severo

Quando se escolhe uma paixão e ela nos devora, desaparecemos para o resto do mundo. Assim aconteceu com Cousteau, admirado por todos, menos pelos filhos ... Jean-Michel Cousteau tem muitas razões para não recordar o pai com o tradicional amor filial. Os meses de férias dele e do irmão eram passados no Calypso, sem disfarçarem a revolta contra um pai mudo como um peixe (Cousteau admitia ser um "pai episódico"). Aos 20 anos, Jean-Michel decidiu tirar um curso de Arquitectura, mas quando Cousteau o chamou, em 1967, após ficar bloqueado no canal do Suez, Jean-Michel juntou-se ao pai e passou a tratar da parte logística das expedições. Por pouco tempo. Cousteau "esquecia-se" de citar o nome do filho no genérico dos seus documentários.

Por isso, ele exila-se nos EUA, onde passa a Leccionar Ecologia Marinha na universidade. O pai ignora-o mas, certo dia, visita-o ... e critica-lhe os alunos, num episódio lamentável: "São todos uns imbecis e uns ignorantes!", disse. Sarcasmos de um homem que, de tanto se ver reflectido nos oceanos, se desinteressou completamente pela vida dos humanos.

Jean-Michel resistiu ao "veneno" paterno, mas o irmão mais novo, Philippe, morreria em 1979 num acidente de hidroavião. O aparelho era um símbolo de liberdade, conquistado à força de conflitos com o pai. Philippe fazia algo que Cousteau não sabia fazer - voar. No entanto, o hidroavião, que havia estado em reparações nas oficinas da Força Aérea, em Alverca, sofreu um desastre fatal na descolagem no rio Tejo, em Junho de 1979. O comandante veio a Lisboa e recusou-se a identificar o corpo do filho. Foi Jean-Michel que identificou o corpo do irmão, promovido, depois de morto, a filho preferido ... Dócil, Jean-Michel voltou a trabalhar com a equipa Cousteau, a pedido do pai, sacrificando a carreira académica. Jean­Michel realizou 55 documentários para a Cousteau Society, mas os créditos foram to­ dos para o pai. O comandante era egocêntrico, gostava de ser a única vedeta ... ... Vedeta com algumas zonas muito cinzentas na vida particular, diga-se: quando Philippe morreu, a amante de Cousteau, Francine Triplet, estava grávida. Um ano mais tarde, Jean-Michel haveria de saber que tinha mais dois meios­ irmãos! Cousteau escondeu a verdade durante dez anos à mulher, Simone (mãe de Jean-Michel), que passava a maior parte do tempo a trabalhar para a equipa Cousteau (Simone nunca apareceu nos documentários, cedendo o protagonismo ao comandante). Em 1990, o Jacques convidou o filho para beber uma copo e revelou-lhe, então, a existência das outras duas crianças: Diane e Pierre-Yves, "escondidos" algures no seu quartel-general. Foi um choque tremendo para Jean-Michel e para Simone, que morreria algumas semanas mais tarde, vítima de um cancro cuja existência havia escondido do marido e do filho para não os incomodar ...

A pouca importância da herança

Mesmo depois desta amarga revelação, o Capitão Planeta não hesitou em humilhar Jean­Michel em 1992, quando o Parque Oceânico Cousteau fechou as portas devido a dificuldades financeiras. Jacques atribuiu a responsabilidade do facto ao filho. "O insucesso não é do parque mas do Jean-Michel", declarou friamente à revista Nouvel Economiste. "Jean-Michel é mais tóxico do que uma alga venenosa do Mediterrâneo ( ... ) O facto de um garoto nascer do nosso esperma não significa que tenha qualidades necessárias para nos substituir", acrescentou. O comandante não queria sucessores. Como Cronos, devorava os seus filhos. Diane e Pierre-Yves têm o apelido da mãe e são obrigados a tratá-lo por Jacques-Yves Cousteau. Nunca por papá. Farto, Jean-Michel abandonou a equipa Cousteau e refugiou-se nas ilhas Fiji, onde construiu um "resort". O comandante enervou-se devido ao uso do apelido Cousteau no hotel e voltou a carregar sobre o filho. Por fim, chegam a um acordo amigável: Jean-Michel teve de pôr o nome do pai antes do apelido. Apesar desta nova humilhação, Jean-Michel admira o pai, essa força extraordinária que elimina tudo à sua passagem. Uma força que Jean-Michel assume não ter.

Empossado por François Miterrand no cargo de presidente do Conselho para os Direitos das Gerações Futuras, em 1991, Cousteau demitiu-se dois anos mais tarde, em protesto contra os testes nucleares franceses no Oceano Pacífico. O mítico comandante morreu a 25 de Junho de 1997, com 87 anos. Mais de mil pessoas, entre as quais o Presidente Chirac, prestaram-lhe a última homenagem numa cerimónia realizada na Catedral de Notre-Dame, em Paris. O homem do mar foi cremado na sua terra natal. Mas, mesmo depois de morto, o pai terrível continuou a assombrar o filho Jean-Michel. A herança foi venenosa: o usufruto de todos os bens foi para a segunda esposa, Francine. Jean-Michel, como os dois filhos do seu irmão Philippe, desprezaram olimpicamente a questão da sucessão .

Prémios

Desde 1944, o comandante Cousteau realizou mais de 70 documentários para a televisão e três belíssimas longas-metragens: O Mundo do Silêncio (premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes), O Mundo sem Sol (Óscar da Academia e Grande Prémio do Cinema Francês para a juventude) e Viagem ao Fim do Mundo.

Cousteau colaborou com vários autores para escrever mais de 50 livros editados numa dúzia de línguas. Entre os últimos, retenham-se As Baleias (1988), Madagáscar, a Ilha dos Espíritos (1995) e O Mundo dos Golfinhos (1995).

Títulos e Honrarias

Cavaleiro da Legião de Honra devido aos serviços prestados durante a Resistência (1939-1945), o comandante Cousteau foi promovido pelas suas acções científicas. Um dos raros membros estrangeiros da Academia de Ciências dos EUA, Jacques foi, durante três décadas, director do museu oceanográfico do Mónaco.

Entre várias distinções importantes, recebeu o prémio internacional do ambiente das Nações Unidas (juntamente com Sir Peter Scott); a medalha da Liberdade dos EUA; o prémio do Conselho Internacional da Academia Nacional das Artes e Ciências de Televisão. Igualmente distinguido pela National Geographic Society, Cousteau foi admitido na Academia Francesa em 1989.

Só não recebeu a medalha de "bom pai" - quiçá a mais importante de todas.

Extra: momento lúdico

Observe atentamente os 7 quadros seguintes. Um deles é um intruso e distingue-se logicamente dos restantes. Saberá dizer de qual deles se trata?

1 comentário:

  1. Não sei quem é o dono deste blog, mas acusar o JYC depois de morto e sem chance de defesa não é correto. É um ser humano e, como tal, tinha defeitos. Mas Jean Michel tb se beneficiou muito da figura de seu pai. Se não fosse pelo pai, ele seria um MERO DESCONHECIDO. Pra que fique BEM CLARO. Criticar e fácil, o difícil e ser e fazer o que ele JYC fez.............

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