Saiba o que fazer quando o seu filho odeia a escola

Quando as crianças não gostam da escola
Eis algumas das razões mais co­muns pelas quais os miúdos não gos­tam da escola - com as respectivas estratégias para os recolocar no ca­minho do sucesso:
Ansiedade.
Um dos medos que fazem que os miúdos não gostem de estar na escola é a ansiedade da se­paração, que ocorre de uma forma mais frequente em alturas de problemas familiares ou quando a crian­ça se prepara para entrar para uma nova escola. Infelizmente, os pais poderão fa­vorecer essa ansiedade pela forma co­mo lhe responderem. Com os miú­dos mais pequenos, tenha cuidado com a forma como se despede deles nos primeiros dias de escola. Dizer de uma forma convicta «Diverte-te! Às 14.30 estou cá para te vir buscar» inspirará mais confiança que dizer «Não te preocupes: estarei cá em 10 minutos se precisares de mim».
Todos poderemos ajudar os nos­sos filhos a lidar com situações que lhes despertem medo (desde o intervir nas aulas até aos testes), ensaian­do com eles essas situações em casa. Dividindo os projectos maiores em etapas mais pequenas, podere­mos também fazê-los parecer menos assustadores. Ensine os seus filhos a substituir pensamentos como «vou falhar» por outros do tipo «tenho ca­pacidade para conseguir».
Solidão.
Algumas crianças não gostam da escola por não terem lá amigos. Poderá ser este o caso se o seu filho estiver sempre sozinho, se se fingir doente para evitar sair da sala nos intervalos ou oferecer aos outros os seus objectos mais precio­sos, na tentativa de que gostem dele. Os problemas derivados da soli­dão podem ser resolvidos melhoran­do o seu relacionamento com os ou­tros: Uma criança poderá precisar de aprender a olhar os outros nos olhos quando falam com ela, a falar mais alto ou a não gritar. Poderemos ensinar aos nos­sos filhos formas de começar uma amizade, tais como: «Eu chamo-me Tó e tu? Queres jogar à apanhada?» Muitas das crianças que se sen­tem sós nunca ouviram algo de bom acerca de si próprias.
Colegas violentos.
Por vezes, as crianças detestam a escola porque têm medo de lá ir. Se o seu filho estiver sossegado e ansioso, tiver pou­cos amigos na escola ou de repente ficar com a auto-estima abalada, po­derá estar a ser vítima da violência física ou verbal de um colega.
O conselho mais comum para ul­trapassar este tipo de problema ensine o seu filho a ter mais confiança em si próprio ­ nem sempre é su­ficiente. Mesmo quando as crianças são autoconfian­tes, multas vezes deixam-se afectar pelo problema. O seu conselho é de que as crianças, na primária, informem os professores. As crianças mais ve­lhas deverão andar sempre com os amigos e evitar os locais por onde andar o colega que as provoca. Se tiver de intervir, vá falar com o director, e não com os pais do pro­vocador. E, para evitar que o seu filho se envergonhe, seja discreto.
Problemas de aprendizagem.
Algumas das queixas que as crianças fazem em relação à escola derivam de problemas de saúde. Para elas, não gostar da escola acaba por ser fruto da frustração de estarem um passo atrás, por muito que se empe­nhem.
Outros dos problemas são os de visão que são sur­preendentemente vulgares, pelo que os pais deverão estar atentos aos in­dícios de problemas. Enquanto o seu filho lê, costuma tapar um olho, in­clinar a cabeça ou perder-se no tex­to? Segura os livros a uma distância menor do que aquela que separa os cotovelos dos nós das mãos? Quei­xa-se de comichão nos olhos, dores de cabeça e náuseas após um traba­lho mais exigente? Se for esse o caso, faça-lhe um exame completo aos olhos, que incluirá avaliações do con­trole do movimento ocular, focali­zação e percepção da profundidade, entre outros.
Alguns dos alunos menos moti­vados poderão não estar a ouvir os professores. Se o seu filho estiver com problemas em aprender os sons das letras (principalmente vogais cur­tas), marque uma consulta num es­pecialista de ouvidos. Deverá fazê-lo também se ele confundir palavras com uma sonoridade semelhante ou se fizer perguntas que já foram res­pondidas.
As crianças com dificuldades de aprendizagem sentem-se muitas ve­zes frustradas, não conseguem com­pletar trabalhos ou parecem ignorar o professor. Poderão não ser capazes de recordar coisas simples, tais como o seu próprio número de telefone, o alfabeto ou pormenores de uma his­tória que acabaram de ouvir. Se suspeitar que o seu filho sofre de um desses problemas, peça aos professores que mandem o psicólogo analisá-lo.
Antipatia por um professor.
E se o seu filho se queixar constan­temente de que um professor é «in­justo» ou «mau»? Por vezes, a solu­ção é simples: Juntar a criança e o professor na mesma mesa à hora do almoço poderá muitas vezes melho­rar a relação entre eles. Noutros casos, são necessárias ac­ções mais drásticas.
Mas não se esqueça de que os miúdos sabem pôr os pais contra os professores. Por isso, se o seu filho lhe contar uma história terrível acer­ca da escola, não presuma desde lo­go que se trata de toda a verdade. Fale com o professor, director ou con­selheiro escolar. Uma vez identifica­das as causas para o seu filho detes­tar a escola, poderá, em quase todos os casos, encontrar uma solução.

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Como ter grandes ideias

À procura de grandes ideias
Aquilo que diferencia as pessoas comuns de Thomas Edison, Pablo Picasso ou até mesmo de Shakespeare não é a capacidade criativa, mas a aptidão para impulsionar essa capacidade, encorajando e desenvolvendo im­pulsos criativos. A maior parte das pessoas raramente atinge o máximo do seu potencial criativo. Creio que sei porquê e que posso ajudar a de­saferrolhar esse reservatório de ideias que se esconde em cada um de nós.
Comprovei esta teoria no seu ní­vel mais primário em pesquisas de laboratório com pombos: em expe­riências realizadas há alguns anos, eu recompensava-os com comida por subirem para uma caixinha e darem uma bicada numa banana de imi­tação que se encontrava suspensa sobre as suas cabeças. A seguir, en­sinei-os a empurrar a caixa pelo chão e finalmente confrontei cada um deles com um problema: a banana foi suspensa fora do seu alcance, e a cerca de 45 cm do ponto imediata­mente abaixo desta coloquei então a caixa.
Em tal situação, um pombo adop­ta um comportamento muito seme­lhante aquele que nós adoptaríamos. Ao princípio fica confuso, andando para trás e para diante, esticando-se em direcção à banana. Um ou dois minutos depois, começa a empurrar a caixa, parando exactamente no local adequado. Então, sobe para ela e alcança a banana para a bicada.
Se um pombo consegue fazer is­so, imagine as possibilidades de cada um de nós. Um quebra-cabeças cuja solução observei foi o de alguns es­tudantes que precisavam de tirar uma bola de pingue-pongue que caíra no fundo de um cano de escoamento vertical fechado em baixo. Os meios de que dispunham ou eram dema­siado curtos para alcançar a bola ou largos demais para caberem no ca­no, onde também não entrava mão alguma. Por fim, alguns deles fize­ram a ilação «cano = água = flutuar». Deitaram água no cano e a bola flu­tuou até chegar ao cimo. Esta e muitas outras experiências tanto com pombos como com pes­soas sugerem-nos formas concretas de fomentar a criatividade em to­dos nós. Aqui estão as melhores técnicas:
Agarre o transitório.
Uma boa ideia é como uma lebre: passa por nós tão depressa que às vezes só lhe conseguimos ver as orelhas ou a cauda. Para a capturarmos, é preciso estar­ mos alertas. As pessoas criativas es­tão sempre atentas a tudo e esta po­derá ser a única diferença entre nós e elas. Numa carta a um amigo, em 1821, Ludwig van Beethoven narrava a for­ma como pensara num cânone en­quanto dormitava a bordo de um coche. «Mas, mal acordei, o câno­ne já se desvanecera e eu não con­seguia recordar nenhuma das suas partes.» Felizmente, para Beethoven e para nós, no dia seguinte e no mesmo coche, o cânone voltou-lhe à me­mória, e desta vez o compositor ano­tou-o.
Sempre que uma boa ideia venha ao seu encontro, anote-a, nem que seja na mão. Nem todas elas serão válidas, obviamente, mas o que inte­ressa é agarrar a coisa primeiro e desenvolvê-la depois.
Sonhos diurnos.
O pintor surrea­lista Salvador Dali estimulava o seu potencial criativo deitando-se num sofá segurando numa colher. No preciso momento em que adorme­cia, deixava cair a colher em cima de um prato que tinha colocado no chão. O barulho acordava-o e o artista de­senhava imediatamente as imagens que observara nesse mundo fértil do sono parcial. Todos passamos por esse estranho estado transicional e podemos tirar vantagens dele. Experimente o tru­que de Dali, ou permita-se apenas sonhar acordado. Na cama, no banho ou em qualquer outro sítio on­de possa estar sem que os seus pen­samentos sejam incomodados, veri­ficará que as ideias vêm à tona quase espontaneamente.
Procure desafios.
Quando se está preso atrás de uma porta trancada, todas as acções que nos poderão libertar surgem rapidamente: empur­rar ou puxar a maçaneta, bater na porta ou mesmo gritar por socorro. Os cientistas chamam ao recurso de recorrer a antigos comportamentos, numa situação de desafio, «ressur­gência». Quanto mais atitudes ressurgirem, maior será o número de inter-relações possíveis, o que tornará mais provável a ocorrência de no­vas ideias. Experimente convidar para uma festa os seus amigos, colegas de em­prego, gente oriunda das diferentes esferas em que vive. Junte pessoas de duas ou três gerações diferentes. Es­se procedimento vai levá-lo a proce­der de novas maneiras. Edwin Land, um dos inventores mais prolíficos dos EUA, atribuiu à sua filha de 3 anos a ideia que levou à criação da máquina Polaroid. Du­rante uma visita a Santa Fé, no No­vo México, em 1943, a criança per­guntou-lhe por que razão não podia ver a fotografia que o pai acabara de tirar. Ao longo da hora que se se­guiu, enquanto Land andava por San­ta Fé, tudo o que aprendera sobre química veio-lhe à cabeça, com resultados extraordinários. Conta o in­ventor: «A máquina e a película para fazê-lo tornaram-se claras para mim. Apareceram de uma forma tão real no meu pensamento que passei vá­ rias horas para descrevê-las.»
Coloque objectos novos e fora de contexto (como brinquedos infan­tis) na sua secretária. Mantenha sem­pre massa de moldar na gaveta de cima e mexa nela sempre que esti­ver a debruçar-se sobre um proble­ma difícil. Vire as fotografias ao con­trário ou ponha-as de revés. Quanto maior for a diversidade dos estímu­los que recebermos, mais depressa a nossa mente inventará ideias novas.
Alargue os seus horizontes.
Muitos avanços na ciência, na engenharia e nas artes misturam ideias de campos diferentes. Veja o «problema das duas cordas»: duas cordas estão pendura­ das do tecto com uma boa distância entre si. Mesmo não conseguindo alcançar as duas ao mesmo tempo, será possível amarrar as suas extre­midades utilizando apenas dois ali­ cates?
Um estudante universitário des­cobriu a solução quase de imediato: amarrou os alicates a uma das cor­ das e empurrou-a como se fosse um pêndulo. Enquanto esta balançava para trás e para a frente, correu para a outra e levou-a para a frente o máximo que lhe era possível. Depois, apanhou a corda que fizera balançar e amarrou as duas extremidades. Quando lhe perguntaram como resolvera o problema, ele respondeu que acabara de sair de uma aula de Física sobre o movimento pendular. Apenas transferira o que aprendera em determinado contexto para ou­tro completamente diverso.
Este princípio também se aplica fora do laboratório. Uma amiga contou-me como conseguia que os seus dois filhos repartissem um bolo em partes exactamente iguais: «Digo­-lhes que um corta o bolo e o outro escolhe primeiro a parte que quer. Assim, quem corta fá-lo sempre pela metade, para não ficar a perder.»
Perguntei-lhe como lhe ocorrera essa ideia maravilhosa e ela respon­deu: «Foi num programa de televi­são sobre negociações internacionais que vi.» Para desenvolver a sua criativida­de, aprenda algo de novo. Se for banqueiro, aprenda sapateado; se for en­fermeira, tire um curso de Mito­logia. Leia um livro sobre um assunto de que saiba pouco; mude de jor­nal diário. O novo fundir-se-á com o velho em formas novas e poten­cialmente fascinantes. Para se tor­nar mais criativo basta dar atenção àquele fluxo de ideias infinito que a sua mente produz e aprender a agar­rar e a aperfeiçoar o que há de novi­dade dentro de si.

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Como evitar discussões inúteis

EVITE DISCUSSOES INUTEIS
Como reage quando alguém lhe diz algo injusto ou desagradável? So­fre em silêncio, sem saber o que di­zer? Riposta para logo de seguida se arrepender? É natural ofendermo-nos quan­do alguém é malcriado. Podemos pensar «Que parvalhão!», mas reagir com rispidez cria um clima de anta­gonismo que só torna as coisas pio­res. Lidar com pessoas difíceis faz parte do quotidiano. E existem for­mas pacíficas com que podemos de­ fender-nos sem dar réplica nem ini­ciar uma discussão. Técnicas a que se chama «Tongue Fu!»
Encare provocações com humor.
Todos nós temos pontos sensíveis que podem levar-nos a perder a cal­ma. Se tem alguma particularidade que o incomode, tente divertir-se com isso. Comece a coleccionar res­postas para os comentários que tan­to receia.
Quando as pessoas reclamam, não explique.
O telefone toca na sua secretária. Você atende e a pes­soa que ligou desata a reclamar: «En­comendei um catálogo há três sema­nas e ainda não o recebi! Afinal que empresa é essa?» Não se dê ao trabalho de explicar que metade do pessoal está em casa com gripe. Por bem-intencionadas que sejam, tais explicações normal­mente só servem para irritar ainda mais o queixoso, porque as enca­ra como desculpas. Se a reclamação for legítima, evite minimizar a falha. Em vez disso, dê-lhe razão, peça des­culpa e informe-o logo do que vai ser feito em relação ao caso. Diga­ -lhe apenas: «Tem razão. Peço des­culpa por ainda não o ter recebido. Se me der outra vez o seu nome e morada, tratarei pessoalmente de lho enviar ainda hoje pelo correio.»
Recentemente, assisti pela primei­ra vez a esta técnica. A sala de espera do consultório do meu médico esta­va cheia. O homem sentado à mi­nha frente já folheara a pilha de revistas velhas e não parava quieto na cadeira, a olhar constantemente pa­ra o relógio. Finalmente, dirigiu-se ao guiché da recepcionista e bateu no vidro. «Que se passa?», pergun­tou com ar furioso. «Eu tinha uma consulta para as três horas!»
«Tem razão», respondeu ela. «Des­culpe ter estado tanto tempo à espera. O doutor ficou retido numa ci­rurgia. Deixe-me ligar para o hospi­tal a saber quanto tempo vai demo­rar. Agradeço a sua paciência.» Pedir desculpa a alguém não sig­nifica estarmos a admitir que temos culpa. Com isso limitamo-nos a acei­tar a raiva da outra pessoa, desar­mando-a de argumentos. Depois, ao agirmos, concentrando-nos no que se pode fazer e não no que não foi feito, remedeia-se um erro antes que ele assuma maiores proporções.
Saídas airosas.
Um conhecido meu foi um dia jantar com a mu­lher a casa, dos pais dela. «Quando estávamos à mesa», contou-me ele, «comentei que as obras na via rápi­da estavam outra vez paradas. Que disparate! O meu sogro respondeu logo que ainda bem, «Essa via rápida nunca devia ter sido construída! Está a destruir um importante vale histórico!» Pois é, mas eu gasto todos os dias mais de uma hora a chegar ao emprego. Disse-lhe que conside­rava a auto-estrada um mal neces­sário porque há quatro vezes mais carros do que havia há dez anos no mesmo número de estradas.
O pai da minha mulher resmungou que era típico da minha geração egoísta pensar mais no tempo que se gasta na estrada para ir trabalhar do que num local com valor arqueológi­co. Perdi a paciência e ripostei: «Não se pode deter o progresso.» Pronto, foi a gota de água. O meu sogro levantou-se e saiu da sala, afirman­do: «Não sou obrigado a ficar aqui a ouvir coisas dessas à minha própria mesa.» Lamento não ter evitado tal situação. Se tivesse percebido me­lhor o quanto ele era sensível à ques­tão, podia ter evitado tão infeliz desaire com um simples «Estamos de acordo em que discordamos», mu­dando educadamente de conversa.»
Em quase todas as desavenças, ca­da lado tem razões legítimas, pelo que ficar cada um na sua é uma das várias saídas airosas de uma discus­são estéril. Se é óbvio que não conseguimos mudar a opinião da ou­tra pessoa e que ela não conseguirá mudar a nossa, fiquemo-nos por aí. Antes que haja danos irreparáveis, lembre-se do provérbio russo: «Uma palavra proferida voa; não se conse­gue apanhá-la.»
Uma maneira eficaz de evitar os impasses é dizer «Temos ambos ra­zão!» e passar a um tema mais segu­ro. Por exemplo, você e o seu côn­juge não estão de acordo quanto à forma de disciplinar o vosso filho adolescente, e, aos poucos, a conver­sa transforma-se em discussão. Lá por não concordarem um com o ou­tro, não significa que sejam inimigos. Dizer «Calma aí, ambos quere­mos a mesma coisa» pode acabar com a animosidade e levar-vos de novo a um esforço conjunto.
Ou pode fazer uma saída airosa antes mesmo de entrar na discussão. Estava a falar com vários colegas meus e a conversa virou-se para a eleição do primeiro-ministro. A campanha fora re­nhida, com cada um dos partidos a acusar o outro de actos de corrupção. Os meus companheiros esta­vam em lados opostos da barreira política e a discussão acalorou-se. Um deles virou-se para mim e per­guntou: «Quem é que achas que de­ve ser eleito?» Eu não estava para envolver-me em tão inútil debate e, levantando os braços, respondi com um sorriso: «Não me metam nisso.» Qualquer que seja a situação, as discussões são uma perda ou, quan­to muito, uma má utilização do tempo. Ao evitar-se discussões in­frutíferas, toda a gente ganha.

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Como acabar com os nervos

Nervos que nos apoquentam
A ansiedade social é, por si só, o problema psicológico mais comum. Numa festa com desconhecidos, por exemplo, três quartos dos adultos sentem an­siedade. Como podemos evitar sentirmo­-nos nervosos quando estamos com outras pessoas? Preparando-nos. É fundamental prepararmo-nos para qualquer situação em que tenhamos de comunicar. Imagine que o convi­davam para um grande jantar de gala dentro de 15 dias. Sabe que entre os convidados estará um político. Leia jornais e revistas; oiça os noticiários em busca de temas de conversa de âmbito político. Depois, no decorrer do jantar, faça de conta que está a entrevistá-lo. Pense em perguntas cujas respostas não possam ser mera­ mente sim ou não. «Em sua opinião, quem ... » «O que pensa de ... » Man­tenha o ritmo da conversa.
Quer se trate de fazer um discurso, de pedir aumento ao patrão ou de participar de um importante aconte­cimento social, prepare-se com antecedência. Os discursos mais elegan­tes, fluentes e espontâneos são resul­tado de muitas horas de trabalho. Os ditos memoráveis e as frases bombás­ticas que ficam na História não pro­vêm de inspirações de último mi­nuto.
Se está prestes a fazer qualquer tipo de exposição, comece a prepa­rar-se com a maior antecedência pos­sível. Uma boa escrita, é uma espécie de luta com o pensamento. Comece cedo o combate. Dois dias antes da exposição normalmente não chegam para entrar no ringue e sair de lá com uma ideia vitoriosa.
Para comunicar ponha as ideias em ordem; dê-lhes um objectivo; use-as para persuadir, informar, revelar, seduzir. Prepare-se a si próprio tão bem como ao material, prestando especial atenção à voz. Um tom esganiçado ou fanhoso provoca no seu ouvinte a mesma sensação do giz a arranhar o quadro. Imprimindo energia e resso­nância à sua voz, conseguirá um efeito positivo. Se a sua voz denun­ciar timidez ou se tremer com o ner­vosismo, você vai ser o primeiro a senti-lo; claro que também a audiên­cia se apercebe e, lá da sua tribuna, você detectará o embaraço no olhar daquela gente. Se a sua voz for enér­gica e calorosa, os ouvintes dirão: «Ahhhh, continue.» E, lá do seu lu­gar, você será a primeira testemunha da aprovação do público.
Tal como a voz, a maneira como se apresenta é também um instru­mento de comunicação. Por exem­plo, se estiver animado, terá mais probabilidades de ver uma audiência animada. Você transmite-lhe a men­sagem: estou contente de aqui estar; estou contente que aqui estejam. A maneira como se apresenta pode, com efeito, constituir uma po­derosa arma para desviar a hostili­dade - de uma audiência, de um entrevistador, de um patrão. Uma aparência benevolente diz compreendo e transmite boa vontade e expectativas positivas. E resulta sem­pre!
No entanto, nunca parta do prin­cípio de que uma audiência, um en­trevistador ou o seu patrão irão mostrar-se receptivos. Esteja sempre preparado para um interrogatório. Pense de antemão nas 10 perguntas mais difíceis que lhe poderão fazer e prepare as respostas. E lembre-se: quando lhe fizerem uma pergunta hostil, nunca mostre agressividade para com quem o está a interrogar. Se o fizer, sairá derrotado.
Enquanto o interlocutor hostil es­tiver a falar, prepare a sua réplica. Adopte imediatamente uma linha de acção positiva e seja breve nas res­postas. No instante em que o entre­vistador terminar a pergunta, co­mece a responder: primeiro ponto, segundo ponto, terceiro ponto ... e por fim a conclusão.
A sua maneira de ouvir fala igual­ mente por si. Mostre interesse, diri­gindo o olhar para a pessoa que está a falar. Se esta estiver sentada ao seu lado, vire-se ligeiramente na cadeira de modo a ficar voltado para ela. Faça uma expressão de aprovação. Esta significa «Concordo consigo» ou «Interessa-me muito o que está a di­zer».
A partir do momento em que se preparou para uma situação, já está a meio caminho de superar o nervo­sismo. A outra metade consiste em controlá-lo física e mentalmente: adoptar uma atitude que lhe incul­que confiança e o controle de si pró­prio e da audiência. Para evitar o nervosismo, também pode ajustar a sua atitude. Aquilo que você diz para si mesmo é trans­mitido à audiência. Se disser para consigo que está com medo, será essa a mensagem que os seus ouvintes re­ceberão. Por isso, pense na atitude que deseja comunicar. O ajusta­mento da atitude é a sua couraça contra o nervosismo. Se acalentar apenas pensamentos positivos, irra­diará estas vibrações: alegria e à­ vontade, entusiasmo, sinceridade, solicitude e autoridade.
Você tem dentro de si a capaci­dade de se tornar um comunicador convincente, persuasivo e confiante. Com estas técnicas, ficará apto a pe­dir aumento, a vender um determi­nado produto, a enfrentar e resolver uma crise familiar, a sentir-se à von­tade em situações sociais e profissio­nais. Aprenda a dominar estes sim­ples princípios aqui expostos e vai ver que nunca mais lhe darão os nervos.

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Saiba como parar de ressonar

Ressonar: o inimigo das noites tranquilas
Reza a lenda que um pistoleiro texano, obrigado a su­portar os roncos incessan­tes que vinham do quarto do la­do, disparou através da parede e matou o culpado no seu sono. Se este incidente é apócrifo, pe­lo menos o seu móbil é-nos fami­liar. Incontáveis horas de sono têm sido perdidas em quartos de dor­mir, quartéis e dormitórios, cau­sando tensão nos relacionamentos - e coisas piores. O ressonar tem sido associado à apneia do sono, uma perturbação respiratória rela­cionada com a hipertensão arterial, o stress cardiovascular, as en­xaquecas, a depressão e o cansaço.
O ruído dos roncos é simples­mente causado pela vibração dos tecidos moles da zona posterior da garganta. Geralmente, há três fac­tores que provocam essas vibrações: diminuição da tonicidade muscu­lar, obstrução da passagem do ar nas vias respiratórias (nas crianças, por exemplo, o ressonar é quase sempre imputado a um inchaço das amígdalas e dos adenóides) e difi­culdade de respirar pelo nariz.
O primeiro factor - diminui­ção da tonicidade muscular - explica por que o ressonar ocorre so­bretudo durante as fases de sono mais profundo, quando os músculos da garganta ficam relaxados: a língua descai então para trás e desencadeia as vibrações. Conhecendo a lei da gravidade, compreende-se facilmen­te que o ressonar seja mais frequente quando se dorme de costas.
O segundo factor - obstrução da passagem do ar - poderá por vezes ser atribuído à hereditarieda­de. Enquanto a dimensão média da úvula (uma estrutura carnuda, em forma de lóbulo, que pende da par­ te posterior da garganta, popular­ mente conhecida por campainha) é de cerca de 6 mm, algumas pessoas chegam a tê-la quatro vezes maior. Existem ainda outras características que podem exacerbar o ressonar. Os obesos têm três vezes mais propen­são para ressonar que os magros (a corpulência manifesta-se em todo o corpo). Por fim, a garganta dos fumadores é irritada diariamente, o que provoca o inchaço das membra­nas mucosas e, consequentemente, estreitamento da passagem do ar.
O terceiro factor - dificuldade de respirar pelo nariz - pode ter vá­rias causas, como sejam congestio­namento, febre-dos-fenos, pólipos e desvio do septo nasal. Em alguns casos, pode ocorrer um bloqueio total da passagem do ar nas vias respiratórias durante o so­no, provocando uma paragem res­piratória temporária, após a qual o indivíduo desperta parcialmente, pa­ra recuperar o fôlego, e volta a ador­mecer. E o processo vai-se repetindo. Conhecido como apneia obstru­tiva do sono, esta afecção pode cau­sar graves problemas cardíacos e pul­monares e a morte.
Uma «cura» para o ressono, mui­to popular durante a Guerra da Se­cessão dos Estados Unidos, consis­tia em costurar uma pequena bala de canhão na parte de trás do pija­ma do roncador. Hoje em dia, con­tinuam a aparecer algumas variações deste tipo de estratagema, que visa dissuadir o ressonador de se deitar de costas, mantendo assim a língua no lugar e as vias respiratórias desimpedidas. Em 1900, Leonidas Wil­son patenteou uma espécie de ar­nês de cabedal que ajudava a man­ter um acessório multidentado en­tre as omoplatas do portador. Outros dispositivos contra o ressonar incluem todo o tipo de coletes-de­-forças e de arneses restritivos, ba­seados no mesmo princípio.
Hoje em dia, o método em voga consiste num bolso costurado na par­ te de trás do casaco de pijama, con­tendo uma bola de ténis (em vez da bala de canhão). A mensagem é igual à da cotovelada do cônjuge ou à do sapato atirado pelo ar através de uma camarata: «Vira-te!» Nalguns casos, estes métodos funcionam, mas também é verdade que muitos roncadores «entoam» as suas serenatas nocturnas tanto de costas como de lado. Para eles, faz-se publi­cidade a inúmeros tratamentos «mi­lagrosos» e curas «garantidas». Alguns merecem ser experimentados. Porém, antes de se comprar uma des­sas engenhocas dispendiosas, re­comenda-se que se consulte o médico de família ou um otorrinolaringo­logista.
Também se aconselha que se tomem as seguintes medidas para reduzir ou eliminar os factores que contribuem para o ressono:
1. Reduza o peso e tonifique os músculos.
Alguns médicos especialistas do sono ensinam exercícios para tonificar os músculos do apare­ lho respiratório superior. A sua efi­cácia, no entanto, não está compro­vada.
2. Evite tomar sedativos ou re­laxantes musculares antes de se dei­tar.
São eles o álcool, os anti-hista­mínicos, que provocam sonolência, e, ironicamente, os soporíferos.
3. Durma num quarto fresco e arejado, sobre um colchão firme e use uma única almofada.
Se dormir sobre várias almofadas, poderá ficar dobrado na zona do pescoço ou da cintura e reduzir a sua capacidade respiratória. Pelo contrário, alguns especialistas aconselham que se co­loquem tijolos sob os pés da cabe­ceira da cama para ajudar a desobstruir as passagens nasais conges­tionadas;
4. Consulte um alergologista.
A solução para o seu caso poderá ser a simples substituição de uma almo­fada de penas por uma sintética.
5. Deixe de fumar.
6. Procure usar durante a noite um aparelho ortodôntico que puxe o maxilar para a frente e mantenha a língua no lugar.
Um dentista poderá ajustar o aparelho, de forma a redu­zir a obstrução da passagem do ar nas vias respiratórias superiores. Pira além destas medidas, pode recorrer-se à cirurgia para remover um pólipo, endireitar o septo nasal ou desbastar o excesso de tecidos da garganta, de forma a alargar as vias respiratórias.
Enquanto muitos de nós não pas­samos de ressonadores ocasionais, outros há que são verdadeiros cam­peões. O actual recorde mundial do mais alto ressono pertence ao inglês Melvin Switzer. A 30 de Outu­bro de 1992, atingiu um máximo de 91 decibéis - mais ruidoso do que uma potente máquina de cortar rel­va. A sua mulher, Julie, é surda de um ouvido.

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Como ajudar o seu filho a vencer a timidez

Os efeitos da timidez podem prolongar-se por toda a vida
Mui­tos dos adultos que se consideram tímidos sabem que essa timidez os acompanhou desde a infância. Se os pais não ajudarem os filhos, a he­rança da timidez pode durar para toda a vida. As crianças tímidas mui­tas vezes têm notas baixas e são pou­co participativas nas actividades ex­tracurriculares e no normal dar-e-re­ceber que acompanha o crescimen­to. Os seus anos de adolescência po­dem transformar-se num período de isolamento social. Muitas das pes­soas tímidas ficam por casar ou ca­sam-se tarde; outras, casam-se demasiado depressa.
É frequente as pessoas tímidas ga­nharem menos que as outras e te­rem empregos de menor responsabi­lidade. Mesmo as que têm aptidões podem ver as suas carreiras preju­dicadas devido a dificuldades em re­lacionarem-se com os outros. E al­guns tímidos podem desenvolver uma dependência em relação ao álcool ou às drogas como forma de defe­sa.
Alguns tímidos são tão introverti­dos que podem precisar de aconse­lhamento profissional. Mas, para a maior parte, o apoio de pais interes­sados pode ajudá-los a ultrapassar esse período de perturbação. Eis o que se recomenda:
Escute e olhe.
Ao visitar uma aula do ensino primário, fui informado de que provavelmente só havia uma ou duas crianças tí­midas naquela sala. Mas o psicólogo identificou muitas mais. Os estudos sugerem que duas em cada cinco crianças são tímidas. O grau varia com a idade. A minha investiga­ção indicou que, no en­sino preparatório, metade dos rapa­zes e 60% das raparigas são tímidos.
Muitas vezes, os pais ou os profes­sores não têm consciência disso. Es­ses garotos disfarçam a sua timidez não participando nas discussões da turma, mantendo-se fora das com­ petições nos campos de jogos e só rindo quando os outros riem. As pessoas tímidas querem passar des­percebidas o mais possível.
Às vezes, a criança tímida pode aparentar ser o oposto do que é. Um número surpreendente de mal-com­portados nas aulas - e muitos adul­tos refilões e agressivos - são de fac­to tímidos. Um dos meninos de um infantário ta­garelava o tempo quase todo. Quan­do não estava a falar, dava pontapés e murros nos companheiros. Só quan­do chegou à adolescência é que os pais perceberam que era tímido e que a agressividade era apenas um disfarce.
Não o rotule.
Comentar «O meu filho é tímido» ou «É o tímido da família» pode ter um efeito contra­producente. As pessoas conhecidas podem passar a tratar a criança de uma forma diferente e reforçar o me­do que ela sente de ter um problema qualquer. Uma das minhas alunas lem­bra-se de a mãe lhe dizer, quando ti­nha 7 anos, que era demasiado re­chonchuda para usar certas roupas. Embora agora, como mulher, este­ja muito mais magra, ainda sente ti­midez em relação à aparência.
Seja compreensivo e não critique.
A criança tímida é criticada a todo o momento - se não por alguém, pelo menos por si própria. As pessoas tímidas são os seus críticos mais severos. Acima de tudo, encoraje-os.
Dê-lhe oportunidades.
As vezes, uma das crianças da família é expansiva, dominando as conversas e actividades familiares, enquanto outra é tímida e retraída. Elogie a criança.
Os meninos tímidos podem ter uma imagem ­ negativa de si mesmos e precisarem de ajuda especial para enfrentar as rejeições. Valorize os pontos fortes do seu filho ou filha.
Peça ajuda.
Muitas vezes, é na escola que a timidez se revela primeiro, e ela é também um sítio importante para a corrigir. Contudo, os professores podem estar demasiado ocupados com os garotos que se portam mal para se interessarem pela criança que não dá nas vistas. Peça ao professor que ajude a fazer o seu filho a sair da concha.
Não convém chamar a atenção da turma para a timidez da criança. Peça ao professor que a incentive a participar nas discussões. Informe o professor dos temas preferidos da criança, acerca dos quais ele a poderá interrogar. Peça-lhe que dê particular atenção aos trabalhos escritos, em que a timidez não é um estorvo.
Aproveite o brincar em casa.
Convide os companheiros de brincadeira dele a virem a vossa casa, em vez de sugerir ao seu filho: «Vai brincar para casa do João.» Peça à criança que responda ao telefone e tome nota dos recados, o que lhe dará prática de lidar com as pessoas, sem ter de as enfrentar cara a cara. Escolha para o seu filho companheiros de brincadeira mais novos. A criança tímida mais velha torna-se naturalmente aquela que as outras esperam que dirija as actividades. Ou encontre uma mãe-galinha.
Faça a criança representar e ensaiar.
O lamento do adolescente tímido é: «Nunca sei o que hei-de dizer!» Ajude o seu filho a «quebrar o gelo» ensaiando aquilo que deve dizer em diferentes situações sociais. Escreva sugestões de «deixas de abertura, componha inclusivamente um guião que ele possa seguir. Insista com ele ou com ela para que ensaie diante de um espelho ou que se treine a olhar para a outra pessoa, olhos nos olhos.
Inscreva-os em actividades.
Clubes e organizações adaptados aos seus interesses podem ajudar as crianças a perder a timidez, estabelecendo uma ligação em que todos se tornam parte de um grupo. Pense em actividades não atléticas, como trabalhos manuais, e programas desportivos, como ginástica. O futebol atrai especialmente, porque o tamanho e as aptidões atléticas são menos importantes que em muitas outras modalidades de equipa. Ao escolher um desporto ou outra actividade, certifique-se de que todos participam e de que a criança tímida não é deixada de fora.
Seja paciente.
Para uma criança vencer a timidez é necessário paciência para a compreender, para a apoiar e para não lhe exigir resultados es­pectaculares. Mas há milhões de adultos que conseguiram libertar-se da timidez. Com a ajuda do amor dos pais, crianças que neste momento se sentem prisioneiras da sua timidez podem ser libertadas para gozarem melhor a plenitude e a esperança que a vida lhes reserva.

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Saiba como ajudar as suas crianças a fazer amigos

Como encorajar as crianças a fazer amigos
Para muitos de nós, as amizades que nos são mais queridas e as mais duradouras da vida são forjadas na infância. Lembra-se do miúdo seu vizinho que o ensinou a trepar às ár­vores? E a amiga que a ajudou a es­colher a roupa para o primeiro en­contro? A maioria das crianças des­cobrem um companheiro para as aju­dar a descobrir o que é a vida e para partilhar com elas a alegria e a dor de crescerem.
Dando-nos a sensação de que per­tencemos a algo e que temos alguém, nosso igual, ao nosso lado, os ami­gos são uma ponte entre a família e o mundo exterior. As amizades da infância servem de prática para todas as outras relações íntimas mais tarde na vida.
Algumas crianças têm problemas em fazer amigos, mas, com uma orientação apropriada e ajuda, isso pode modificar-se. Apesar de não poder controlar o curso da vida social do seu filho, há formas de o encorajar e de o ajudar, a ele ou a ela, a fazerem amigos:
1.Envolva-se.
Um erro muito co­mum que os pais cometem é pensarem que os filhos encontrarão os amigos sozinhos. As amizades não podem crescer, a não ser que uma criança possa estar com os amigos com re­gularidade. As circunstâncias podem exigir que os pais se tornem nos me­dianeiros.
2. Fortaleça a autoconfiança do seu filho através de coisas realizáveis.
Uma vez a minha mãe disse-me: «Se não souberes nadar, ninguém te convidará para ires à piscina. Se não sou­beres dançar, não te convidarão para o baile.» A mãe tinha razão: depois de ter aprendido a nadar e a dançar a valsa, consegui ambos os convi­tes para a piscina e para o baile. Quando as crianças são boas em qualquer coisa, isso fortalece-lhes a confiança em si próprias e mostra­-lhes uma forma de conhecerem ou­tras.
A amizade baseia-se em in­teresses comuns. Se o seu filho não tiver muitos amigos, arranje-lhe um interesse no qual uma amizade possa criar alicerces. Os pais podem ajudar uma crian­ça a descobrir uma actividade se a expuserem a várias oportunidades. Uma inclinação para o futebol ou para o teatro poderão nunca vir a ser descobertas, a menos que a crian­ça tenha a oportunidade de as expe­rimentar.
3. Dê-lhes campo para tomar deci­sões.
As crianças precisam de alguma orientação, mas, simultaneamente, também têm que tomar algumas das suas decisões. Por exemplo, os pais preocupam-se muito com a maneira de vestir e com os penteados dos fi­lhos, mas é melhor deixar as crianças faze­rem as suas experiências, dentro de certos limites.
Uma das maneiras de os adolescentes ganharem segu­rança é fazerem parte de um grupo, e uma das maneiras de os grupos se formarem baseia-se na sua aparên­cia. Outra área em que o seu filho pre­cisa de alguma autonomia para to­mar as suas decisões é ao escolher os amigos. Os pais querem que os fi­lhos façam amigos, mas não as ami­zades erradas. Mas, a não ser que haja algum perigo em questão o melhor é deixar as crianças descobrirem por elas mes­ mas quais são as amizades que re­sultam e as que não resultam.
4. Respeite as diferenças.
É impor­tante reconhecer que as necessida­des de sociabilidade são diferentes de criança para criança. Por exem­plo, nem todas as crianças precisam de ter muitos amigos. Quantidade não é qualidade. Pa­ra algumas crianças, um ou dois ami­gos pode ser o suficiente.
5. Sirva de exemplo.
Os pais que se lembram dos aniversários e pla­neiam encontros com amigos estão a dizer aos filhos que as amizades são importantes. Uma criança adopta a forma como os pais agem com os seus próprios amigos. Em muitas famílias, as lições de como saber ouvir os outros e preo­cupar-se com eles são passadas de geração em geração. Há poucas dádivas maiores que a amizade. E, com amor, paciência e um pouco de orientação, podemos ajudar os nossos filhos a alcançar es­te tesouro.

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Aprenda a manter a calma quando os filhos a põem doida

Quando os seus filhos a põem doida: aprenda a manter a calma.
Uma criança que não aparece depois de ter sido chamada três vezes ou um adolescente que desafia as regras podem ser o rastilho suficiente para se perder a calma. Depois de a raiva passar, os pais ficam muitas vezes envergonhados, perguntando-se a si próprios como foi possível que a recusa do filho em comer os feijões provocasse tamanho ataque de fúria. Asseguro-lhes que essa raiva é normal. Mas que hipóteses têm os pais de exprimir a sua raiva e resolver os problemas sem magoar os filhos ou ofender o seu amor próprio? É claro que não existem soluções perfeitas, mas existem métodos que talvez ajudem a criar um pouco mais de paz nos vossos lares:
1.Estabeleça prioridades.
Ao definir regras, os pais têm que decidir o que é realmente importante nas suas famílias. Pergunte a si próprio: «Será que daqui a uma semana isto terá importância?» Valerá a pena discutir por causa de esparguete ao pequeno-almoço ou jeans com buracos nos joelhos? Também pode fazer duas listas, uma de regras inflexíveis e outra de regras flexíveis. Os pais costumam ter problemas com este tipo de situações. Certa vez um pai perguntou-me se «as regras não são todaspara cumprir?» «Se os meus filhos souberem que estou disposto a ceder, vão aproveitar-se disso.»
Pelo contrário - se os seus filhos souberem que há certas regras que são negociáveis, ficam mais receptivos a colaborar em relação às que não o são. Um pouco de liberdade ajuda bastante a encorajar as responsabilidades.
2. Saia ou aguarde um pouco.
A rai­va descontrolada é assustadora. Uma mãe contou-me que certa vez viu-se ao espelho por acaso quando gritava com o filho. O que viu chocou-a. «Era a imagem de uma mulher com um ar enlouquecido e uma face distorcida», recorda. «Pensei: meu Deus, esta sou eu!» Quando não temos respostas alternativas para a nossa fúria, dizemos e fazemos coisas das quais nos arrependemos mais tarde. Por isso, não esqueça: saia ou aguarde um pouco. Nos momentos de fúria, a retirada ou o silêncio são por vezes a melhor resposta. Quando uma mãe pediu ao seu filho de 8 anos que fizesse os trabalhos da escola e lhe desligou a televisão, o miúdo empurrou-a e voltou a ligar o aparelho. Enfurecida, levantou a mão, mas depois controlou-se e disse: «Estou tão furiosa contigo que o melhor é ir-me embora daqui.» Mais tarde, o rapazinho pediu desculpa.
Alguns pais pensam que se «saírem» ou «aguardarem» pode parecer que estão a desistir. Mas poucas crianças veriam as coisas desse modo. Com a atitude daquela mãe, o filho apercebeu-se certamente que fora longe demais. Se lhe tivesse batido, seria difícil convencê-lo de que não se deve empurrar nem bater. Sair da sala pode ser um método bastante eficaz para indicar que acha­ mos a situação muito grave. E a vantagem de ficar calado é o facto de nunca nos arrependermos.
3. Fale muito, ralhe pouco.
Se não consegue evitar falar quando ainda está furiosa, evite acusações directas, que podem magoar. Fale na primeira pessoa, para não afectar o amor­próprio da criança. Quando estiver zangada, diga: «Estou furiosa» em vez de «És impossível». O importante é exprimir o que sente e não fazer declarações sobre o carácter da criança. As crianças não gostam de receber ordens e não podemos censurá-las por isso. Em vez de dizer «As tuas roupas estão sempre espalhadas no chão! Como podes ser tão desmazelado?», diga antes «As roupas que não forem postas no cesto não são lavadas». As crianças sentem-se mais dispostas a colaborar quando ouvem frases neutras do que quando lhes são feitas críticas.
4. Seja breve.
Uma mãe minha conhecida ficou fula quando o filho utilizou o seu computador novo, não tendo autorização para o fazer. Disse-lhe que estava furiosa e ainda que ele deixara a sala numa desordem, o leite fora do frigorífico e se esquecera de dar a comida ao cão. No final, a criança estava visivelmente perturbada. A maioria das crianças deixa de prestar atenção depois da primeira frase, tornando-se surda às mães. Se for breve, a mensagem tem mais hipóteses de chegar ao destino. Não faça explicações muito longas. Conheço muitos pais cujos filhos de 5 anos já estão aptos a entrar na Faculdade de Direito. Estes pais pensam que, se derem aos filhos explicações suficientes, os miúdos deixam de estar interessados naquilo que queriam inicialmente. Nem pensar; os miúdos têm tempo de sobra para a massacrar com pedidos, na tentativa de a fazerem ceder. Quando a criança perguntar «Por que é que não posso?», não lhe dê um sermão. Em vez disso, pergunte-lhe «O que é que te parece?» ou use o seu sentido de humor: «Queres a minha explicação de dois minutos ou a de vinte minutos?»
5. Fale do presente.
Um exemplo: uma amiga minha e o filho, um rapaz de 14 anos, tinham concordado que, se ele quisesse manter o seu emprego como paquete de um pronto-a-comer, teria que fazer os deveres logo a seguir à escola. Um dia, a mãe ouviu música no seu quarto e perguntou-lhe o que estava ele a fazer. Quando o rapaz encolheu os ombros, dizendo que não tinha muitos trabalhos de casa, a mãe começou a pregar-lhe um sermão. «Eu já devia saber que tu não eras capaz de cumprir o prometido!», gritou. No fim da conversa, ela acusou-o de reprovar a todas as disciplinas. «Por esse andar», disse por fim, «só vais servir para moço-de-fretes». Mais tarde, concordou que fora totalmente injusta. «Em poucos minutos, fiz-lhe acusações sobre os próximos 20 anos da sua vida», referiu. «Ele ficou revoltado, claro.» Não faça previsões terríveis. Fale do presente.
6. Escreva.
Em vez de falar, leve o tempo que for preciso, para anotar os seus pensamentos. E difícil conservar a fúria enquanto procuramos papel, caneta e nos sentamos, tentando reflectir acerca do que vamos dizer. As crianças dão muito mais importância àquilo que lhes escreve­ mos. Podemos assim conseguir uma maior aproximação. Certo dia, o porteiro de um prédio queixou-se à mãe de um garoto sobre o comportamento do seu filho. A mãe ia ralhar com o filho, mas decidiu escrever-lhe um bilhete:
«Querido filho: O porteiro viu-te a brincar na entrada do prédio e, quando te pediu para parares, respondeste-lhe mal. Este bilhete é uma advertência. Eu e o teu pai temos orgulho no filho que temos e esperamos que respondas sempre às pessoas com educação e respeito. Se quiseres, podes falar comigo ou com o pai em qualquer momento. Gosto muito de ti. Mãe»
Depois de receber esta nota, o rapaz pediu desculpa ao porteiro e à mãe. Não ficou na defensiva porque, em vez de o atacar, a mensagem expressava confiança em como ele podia fazer melhor.
7. Recupere os bons sentimentos.
É inevitável que por vezes não levemos a melhor, mas não é tão grave como parece. Tanto os pais como os filhos desejam que os bons sentimentos prevaleçam, mesmo quando as batalhas se tornam mais violentas. Por isso, é importante pacificar as relações o mais depressa possível quando todos tiverem acalmado.
Alguns pais preocupam-se com o facto de que pedir desculpa lhes poderá retirar a autoridade, mas na realidade mostra respeito para com os sentimentos da criança. Ao pedir desculpa, os pais ensinam-lhe que toda a gente se pode enganar e que não há qualquer problema em admiti-lo. Há muitas maneiras de fazer as pazes. Por vezes, um abraço e a simples frase «A mãe adora-te» são suficientes. Outras vezes, principalmente no caso de crianças mais velhas, é necessária uma conversa mais demorada. Pode começar com um comentário do género « Hoje o dia foi difícil, não foi?» ou «Diz lá como é que a mãe te pode ajudar…».
Estas técnicas não são infalíveis mas, é bom saber que, como pais, têm alguns truques na manga. Apesar de a paternidade ser um assunto sério, nós encaramo-la muitas vezes demasiado a sério. Por vezes, o peso das nossas responsabilidades não deixa margem para a alegria de estar com os nossos filhos. Se soubermos como reduzir os confrontos amargos com as nossas crianças, poderemos apreciá-las melhor como os espontâneos e maravilhosos seres humanos que são.

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Como combater a fadiga

As cinco maneiras de combater a fadiga
Há os madrugadores e há os noctívagos. E há também uns felizardos que são as duas coisas - estão sempre prontos para tudo, do tipo daquele amigo nosso que vai correr depois de ter passado o dia a pintar a casa. Ou da vizinha que faz umas quantas máquinas de roupa enquanto despacha o correio da associação de pais e professores no fim de um desgastante dia de trabalho. Quer deixar de sentir-se abatido e ganhar mais energia? Siga estas sugestões que contribuirão para aumentar a sua resistência à fadiga;
1. Regule o seu ritmo biológico.
Claro que dormir o suficiente é vital, mas isso não evita a fadiga. De facto, devido ao ciclo deitar­despertar, é natural ficar-se cansado todos os dias à mesma hora. Quem se deita entre as 23 horas e a meia-noite pode contar com um pico de energia aí pelas 10 ou 11 horas.
Entre as 13 e as 16 horas é natural que se sinta ensonado. Há ainda quem tenha um pico de energia entre as 18 e as 21 horas. Há vários factores que contribuem para as quebras biológicas. Embora o ritmo diário tenha o seu primeiro impulso com a luz solar - é por isso que dormimos de noite -, ele é também afectado pela actividade.
O exercício pode interromper uma fase sonolenta do nosso ciclo, tal como pode acontecer com uma simpIes conversa. Por isso, se começar a cabecear à secretária aí por volta das 15 horas, levante-se e vá dar dois dedos de conversa com um colega para tentar despertar. A melhor forma de lidar com o ritmo diário é tentar adaptá-lo ao nosso horário. Reserve os afazeres sociais - responder às chamadas, levar os filhos ao parque - para a tarde. Isto ajudá-Io-á a resistir à quebra repentina. A meio da manhã ou durante os picos de energia do fim da tarde, dedique-se àquilo que requer mais atenção - por exemplo, pagar contas ou ler um relatório.
2. O seu regime alimentar desempenha um papel decisivo na energia que vai ter ao longo do dia.
Eis como deve alimentar-se:
Lembre-se de que somos aquilo que comemos. Os hidratos de carbono aumentam a produção de serotonina, uma substância química do cérebro que estimula o sono. Isso significa que um almoço de massas fettuccine o pode transformar numa lesma à tarde. Os alimentos ricos em gorduras são de difícil digestão e deixam o cérebro e os músculos subalimentados. Opte antes por uma sanduíche de peru - a combinação de proteínas com hidratos de carbono compensará a fadiga. Comer muita fruta e legumes é também importante. Se o não fizer, as reservas de vitaminas e de minerais esgotam-se e fazem aumentar a fadiga. Actualmente, há investigadores que pensam que o boro - um mineral pouco conhecido presente nos brócolos, nas cenouras, maçãs, peras, pêssegos, uvas e amendoins - pode desempenhar um papel importante. Há estudos que apontam para o facto de as dietas pobres neste mineral enfraquecerem a memória e o poder de concentração.
Mais refeições menos pesadas. A manutenção de um nível constante de açúcar no sangue contribui para uma irrigação regular do cérebro e dos músculos. Faça cinco refeições ligeiras por dia e evite uma refeição pesada antes de uma situação em que precise de estar bem atento. Reduza os doces. Já experimentou decerto comer uma barra de chocolate ou um bolinho para recuperar a energia. Mas talvez não o tenha conseguido, pelo menos por um grande espaço de tempo.
O açúcar é absorvido tão rapidamente pela corrente sanguínea que apenas faz elevar o nível do açúcar no sangue durante cerca de meia hora. Se vai ter uma reunião importante às 4 da tarde e já se sente estafado, é melhor ingerir um alimento rico em hidratos de carbono, por exemplo um bolinho de trigo ou milho, umas bolachinhas ou uma peça de fruta, que terão um efeito mais prolongado que o chocolate. Experimente a cafeína, mas com moderação. Este estimulante contribui para melhorar o desempenho mental. A sua eficácia é, no entanto, limitada. A dose mais eficaz da cafeína é de cerca de 128 mg - a quantidade presente entre 150 e 240 g de café. A vivacidade mental não aumenta para além dos efeitos da dose inicial.
3. O exercício desperta a energia.
Não lhe aconteceu já chegar muito cansada à aula de aeróbia e sair de lá revitalizada uma hora mais tarde? No caso afirmativo, já verificou na prática a relação entre exercício e energia. Mas nem é preciso ir tão longe. Um simples passeio pelo quarteirão dar-Ihe-á a curto prazo um novo ânimo ao provocar um aumento do nível de adrenalina no sangue. Para aumentar a energia a longo prazo, pratique regularmente exercício. O indicado para um bom estado geral de saúde é um exercício que elimine entre 700 e 2000 calorias por semana, o equivalente a 30 a 45 minutos de marcha rápida quatro a cinco vezes por semana, ou a 30 minutos de uma actividade mais vigorosa, como a corrida ou a aeróbia, três a quatro vezes por semana.
Se está a começar, não fique surpreendido por se sentir ainda mais cansado depois do exercício. O seu organismo necessita de um certo período de adaptação. Ao fim de pouco tempo, o corpo adaptar-se-á a fornecer-lhe mais energia. Visto que até um pequeno exercício é salutar, recomenda-se a sua prática durante 5 a 10 minutos diários, a princípio, e mais tarde 8 a 12 minutos. No espaço de um mês pode passar-se a um único exercício mais longo.
A fim de colher os benefícios do aumento da energia, certifique-se de que está a praticar os exercícios com o vigor necessário. Deverá sentir que está a praticar correctamente o exercício, mas nunca a ponto de não aguentar mais que alguns minutos. Nessas alturas, o ritmo cardíaco deverá igualar cerca de 60 a 85% do seu ritmo cardíaco máximo. Calcule-o subtraindo a sua idade a 220. Multiplique depois esse número por 0,60 e por 0,85 e meça a pulsação a meio do exercício. Para estar bem, a sua pulsação deverá situar-se entre estes dois números.
4. Atenção aos factores psicológicos.
Embora pareça física, a fadiga é muitas vezes sinal de perturbação mental, nomeadamente de depressão ou irritação. Um cansaço extremo e a sensação de se estar dm baixo devem ser encarados como sinais de alarme. Pense no que está a preocupá-lo, nas alterações da sua vida ou numa nova situação em casa.
O controle dos sentimentos exige uma grande dose de energia. Mesmo que uma pessoa não seja capaz de alterar todas as situações, poderá alterar a forma como encara e lida com os acontecimentos - deixe, por isso, de remoer os maus pensamentos e comece a encarar os factos de uma forma positiva.
5. Siga o exemplo dos desportistas.
Durante a competição, os atletas não podem sentir fadiga - e chegam a ter de «arranjar» energia a partir do nada. Para tal, o truque que mais utilizam é a respiração profunda. Inspire profundamente três vezes. De cada uma delas, inspire pelo nariz até encher o peito de ar (conte até quatro), conte depois até oito para o ar circular e em seguida expire o ar lentamente, encolhendo o abdómen. Esta técnica pode também usar-se quando a «competição» a enfrentar é o chefe à espera de um relatório ou o filho pequeno a insistir noutra história.

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Saiba como defender-se de comentários agressivos e injustos

Frases que magoam: aprenda a defender-se
«És uma desgraça!»
«Ena, que vestido tão giro. Só foi pena não terem o teu tamanho.»
«Ouvi dizer que a tua filha arranjou finalmente emprego. Foi o pai que meteu uma cunha?»
«Por que perdes tempo a estudar piano? Nunca hás-de tocar como a tua mãe.»
«Estás com óptimo aspecto! Fizeste alguma operação plástica?»
Todos os dias somos atacados por comentários mesquinhos como estes, e a maior parte das vezes não estamos preparados para eles. E podemos ouvi-los em qualquer lugar: na estrada, em horas de ponta, quando as pessoas revelam as suas piores facetas, nas bichas, quando a paciência começa a esgotar-se, no trabalho e à mesa do jantar, nas situações em que as pessoas estão mais à vontade para serem rudes.
Há tantos tipos de observações antipáticas que se torna impossível catalogá-las a todas. Desde as críticas mordazes mais vulgares do dia-a-dia («Parabéns! Finalmente conseguiste!») até aos comentários que magoam tanto que nos deixam atordoados: «Como é que consegues ter um peito tão pequeno?» ou «Ah! Vejo que estás a fazer aquilo que melhor sabes - comer!». Depois há comentários tão insensíveis que são quase inacreditáveis. Por exemplo, quando um homem conseguiu arranjar coragem para dizer à mãe que a mulher o tinha deixado e a mãe ripostou: «Não sei como é que ela aguentou tanto tempo!»
Espera-se que as famílias sejam uma espécie de porto de abrigo do mundo que nos rodeia. Mas, de facto, os nossos parentes mais próximos são capazes de dizer coisas que nunca diriam fora do círculo familiar, com a desculpa: «Só te digo isto porque sou teu amigo.»
Por exemplo, o caso de uma mulher que se lembra de estar uma vez em frente ao espelho da casa de banho, quando tinha 12 anos, e de a mãe lhe ter dito: «Não te preocupes, filha. Se o teu nariz crescer mais, podemos fazer uma operação plástica.» Até então, nunca lhe passara pela cabeça que o seu nariz não fosse perfeito. Para muitas pessoas o comentário mais agressivo é o que é intencionalmente cruel e destrutivo, a observação sarcástica disfarçada, mais conhecida por «crítica construtiva» (que é tudo menos isso). Podemos reconhecer os especialistas deste tipo de crítica pela maneira como puxam a conversa. Utilizam normalmente expressões como «Espero que não te ofendas com a minha sinceridade» ou «Digo-te isto para o teu bem». Nesses casos, espera-se que admiremos a crítica pela sua franqueza e que apreciemos a preocupação demonstrada, enquanto tentamos recuperar da dor profunda que nos infligiram.
É muito fácil, ao defendermo­nos de insultos, ficarmos presos num ciclo vicioso de ataque e contra-ataque. Felizmente, há maneiras de virar o feitiço contra o feiticeiro e de preservar a nossa auto-estima. Da próxima vez que for vítima de observações malévolas, tente utilizar uma das seguintes estratégias:
1. Veja o que está por detrás do insulto.
Quem faz este tipo de críticas são normalmente pessoas que precisam de descarregar a sua amargura. Se não conseguir perceber o que está realmente a perturbar o crítico, pergunte-lhe, e lembre-se de que nem todas as críticas o têm realmente a si como alvo. Por isso, mantenha uma certa distância e veja qual é o verdadeiro motivo. A empregada do café não está a ser indelicada consigo só para o arreliar: provavelmente, na noite anterior, o namorado disse-lhe que já não gostava dela. O condutor que se enfia à sua frente não o faz propositadamente: tem pressa de chegar a casa, porque tem um filho doente. Deixe-o passar à frente, ajude-o a chegar a casa. Quando damos aos outros o benefício da dúvida, sentimo-nos mais calmos por o termos feito.
2. Analise a observação.
Divida um ataque nas diferentes partes que o constituem e responda apenas àquilo que ficou subentendido sem se armar em vítima. Por exemplo, a alguém que nos diz: «Se gostasses de mim, emagrecias», podemos responder: «Há quanto tempo pensas que não gosto de ti?» O segredo reside em analisar aquilo que foi dito e o que ficou por dizer antes de se deixar envolver emocionalmente. Se puder, não enfie a carapuça.
3. Enfrente o crítico.
Não é fácil fazer frente a insultos. Um truque a utilizar é ser directo, para, desse modo, neutralizar o comentário negativo com réplicas do tipo: «Há algum motivo para me quereres magoar?» ou «Tens consciência do que as outras pessoas podem pensar desse comentário?». Ou então pedir à pessoa que explique aquilo que disse: «Quero ter a certeza de que percebi bem o que disseste.» Quando os críticos compreendem que estamos a perceber onde é que eles querem chegar, deixam-nos em paz. Nada envergonha mais o maldizente que ser apanhado em flagrante.
4. Utilize o sentido de humor.
Uma vez, alguém disse a uma amiga minha: «Com que então uma saia nova! Parece mais tecido de forrar sofás.» A minha amiga respondeu: «Vá lá, vem sentar-te no meu colo.» Uma outra mulher contou-me a história da mãe dela, que dedicara toda a sua vida a manter sempre a casa imaculadamente limpa. Um dia, descobriu uma teia de aranha na cozinha da filha e perguntou: «Que é aquilo?» A filha troçou, dizendo: «E um projecto científico.» Brincar com as coisas é uma das melhores armas para fazer frente aos insultos. Uma resposta pronta desarma qualquer um.
5. Invente sinais.
Uma outra mulher contou-me o hábito que o marido tinha de a criticar apenas em público. Decidiu então andar sempre com uma pequena toa­ lha atrás, e quando ele dizia qual­ quer coisa que a magoava, punha­a na cabeça. O marido ficava tão embaraçado que deixou de fazer esse tipo de comentários. Outra família arranjou uma frase que tinha a mesma intenção. Certa vez, depois de um jantar de do­ mingo, um convidado fez o seguinte comentário: «Estava tudo uma maravilha! O frango hoje em dia, sai muito barato, não é verdade?» Agora, quando algum deles faz uma observação maldosa, há sempre um que diz: «O frango sai barato, não é verdade?» - e desatam a rir.
6. Afecte indiferença.
Devolva­lhes a música que lhe derem. Se a sua mulher comentar: «Querido, engordaste cerca de dez quilos, não foi?», responda-lhe: «Na verdade, foram quase doze.» E se ela insistir: «E não vais fazer nada?», diga, por exemplo: «Provavelmente não. Acho que vou ficar gordo por uns tempos.» Uma crítica só tem importância se lhe dermos importância. Se respondermos de forma indiferente, neutralizamo-la.
7. Ignore o insulto.
Analise o comentário, compreenda que não tem nada a ver consigo e não lhe dê importância. A capacidade de perdoar é uma das técnicas de sobrevivência mais importantes que podemos cultivar. Se não estiver preparado para agir deste modo, faça com que o seu interlocutor perceba que registou a observação, mas que não lhe vai responder. Da próxima vez que alguém o agredir, sacuda uma migalha imaginária da camisa. Quando a pessoa lhe perguntar o que está a fazer, diga: «Pensei que me tinha caído qualquer coisa em cima, mas devo ter-me enganado.» Quando os outros percebem que os topámos, passam a ser muito mais cuidadosos. Uma outra maneira é fingir-se desinteressado. Pisque os olhos, boceje e olhe para o lado com uma expressão de quem não está para se maçar. As pessoas detestam pensar que estão a ser maçadoras.
8. Utilize a técnica dos dez por cento.
Nunca ninguém será absolutamente capaz de deixar de se sentir atingido por algum comentário corrosivo. Tente aceitar alguns ataques verbais como a libertação normal de todas as frustrações com que somos confrontados. A maioria de nós tenta não magoar os outros, mas por vezes erramos. Por isso, defenda-se quando achar que é ocasião para isso, mas não deixe de ter em conta a solução dos dez por cento. Isto é: Dez por cento das vezes que compramos qualquer coisa, descobrimos depois que poderíamos ter comprado o mesmo artigo mais barato noutro sítio.
Dez por cento das vezes, algo que emprestámos a alguém é-nos devolvido danificado. Dez por cento das vezes, até o nosso melhor amigo pode dizer qual quer coisa impensada e depois arrepender-se. Por outras palavras, tente ser menos susceptível. Quase sempre, é mais fácil partir do princípio de que as pessoas estão a fazer o melhor que podem e que muitas não têm consciência do impacte que o seu comportamento pode ter. É muito mais difícil estar constantemente a defender-se, a tentar ter razão e a controlar-se. Tente perdoar e ganhará com isso muito mais que dez por cento. Buda respondeu uma vez a um homem que o atacara verbalmente: - Meu filho, se alguém recusasse um presente, a quem é que este pertenceria? O homem retorquiu: - A quem o oferecera. Pois bem - respondeu Buda -, não aceito o teu insulto. O Mundo está cheio de gente que pretende fazer-se valer rebaixando o próximo. Essa gente tem os bolsos cheios de comentários desagradáveis e distribui-os indistintamente por quem encontra. Recuse-se a aceitar esse tipo esse tipo de insultos, mesmo quando são proferidos sob a capa enganadora de uma demonstração de amor, pois, se os ignorar, reduzirá a tensão, fortalecerá o seu relacionamento com as pessoas e viverá bastante mais feliz.

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Depressão: como agir

Depressão: como actuar atempadamente
Todos os anos milhões de homens e mulheres sofrem de depressão, o que torna esta, de longe, a mais comum das doenças mentais graves em muitos países. Pior ainda, alguns milhares doentes depressivos, incluindo um número alarmante de adolescentes, acabam por suicidar­se muitas vezes, segundo se crê, antes de a sua doença ter sido identificada.
Vários estudos realizados em diversos países, revelam que apenas um terço dos doentes que sofrem de depressão procura tratamento. No entanto, quando tratados, 80 a 90% deles podem ser ajudados através de novos medicamentos e de terapia e podem nunca mais ter manifestações da doença, desde que aqueles que os rodeiam notem a tempo os seus problemas e o tratamento comece prontamente.
A depressão clínica não deve ser confundida com melancolia. Toda a gente passa por breves períodos de tristeza ou de melancolia. E algumas vezes a depressão surge por razões perfeitamente compreensíveis: a morte de um ente querido, a perda do emprego ou o desfazer de um casamento. Mas a maior parte das pessoas adapta-se gradualmente a essas perdas. A depressão clínica difere da melancolia em termos de duração e gravidade. Para algumas pessoas pode estar associada a perturbações bioquímicas ao nível dos neurotransmissores do cérebro.
Nas pessoas com tendência para a depressão, o que aparece como uma reacção normal passa a adquirir um funcionamento bioquímico autónomo. Os sistemas reguladores continuam a funcionar, e a pessoa sente uma perda total de energia e de interesse.
Se não for tratada, dá-se frequentemente uma recaída, e a cada recaída aumentam as probabilidades de mais uma crise. Metade daqueles que passam por uma primeira crise não tratada terão uma segunda, e depois da terceira há 90% de hipóteses de virem a ter uma quarta. Por isso, o tratamento feito logo no início dos primeiros sintomas é essencial.
As perturbações depressivas ocorrem sob duas formas principais. A doença unipolar é caracterizada apenas por manifestações de depressão - desânimo periódico e perda da esperança, indo de situações moderadas a graves. Na doença bipolar (ou maníaco-depressiva), a pessoa oscila entre extremos, com períodos de depressão alternando com outros de grande euforia e comportamento estranho, tal como falar sem parar ou gastar dinheiro irreflectidamente. Por razões desconhecidas, cerca de dois terços dos pacientes da doença unipolar são mulheres. Os casos bipolares distribuem-se mais uniforme­ mente pelos dois sexos. Qualquer de­les atinge todos os grupos etários.
De acordo com os especialistas, os sintomas clássicos de depressão grave incluem:
-->Alterações pronunciadas do sono;

-->Perda de apetite e/ou de peso, ou, pelo contrário, apetite exagerado e aumento de peso;

-->Estados de espírito persistentemente tristes, ansiosos ou «vazios»;

-->Falta de esperança ou pessimismo;

-->Sentimentos de culpa, de incapacidade, de inferioridade;

-->Fadiga ou perda de energia;

-->Pensar ou falar na morte ou no suicídio; ameaças ou tentativas de suicídio.

Existem, no entanto, outros sinais de aviso da depressão que não são tão óbvios e que não correspondem à imagem vulgarizada do depressivo como uma pessoa triste e distante. Muitas vezes, são tão subtis e vagos que são mal interpretados pela família e pelos amigos. Até mesmo os médicos podem não dar por esses sintomas ou então minimizá-los e, no entanto, a identificação atempada dessas pequenas pistas pode significar literalmente a diferença entre a vida e a morte.
Quais são esses sinais mal conhecidos da depressão? A palavra-chave é mudança - qualquer coisa não habitual acerca da pessoa. E claro que uma simples diferença de comportamento isolada não significa automaticamente uma depressão. Mesmo assim, se se observar alguns dos sintomas que adiante se descrevem, quer súbita, quer gradualmente, é porque alguma luzinha se deve ter apagado no cérebro.
Silêncio súbito.
Um jardineiro de 54 anos que vivia na zona norte do estado de Nova Iorque e que normalmente era bastante conversador durante o jantar com a família, descrevendo à mulher e aos dois filhos os acontecimentos do seu dia de trabalho, tornou-se subitamente silencioso à mesa. Noite após noite, não dizia uma palavra. Sempre que a mulher referia esse silêncio, respondia­lhe bruscamente e anunciava que ia deitar-se. Como aquela situação não habitual se mantivesse, a mulher sugeriu-lhe: «Talvez fosse bom ires consultar um médico.» Ele recusou.
Finalmente, cerca de dois meses mais tarde, depois de ler num jornal um artigo sobre a depressão, resolveu procurar ajuda. Em breve, estava a ser tratado a uma depressão grave. Depois de ultrapassada essa crise depressiva, admitiu que a ideia de suicídio «chegou a passar-lhe pela cabeça», mas finalmente a sua vida estava novamente em ascensão. Geralmente, a pessoa deprimida afasta-se do contacto com os outros e quer estar só com os seus pensamentos mórbidos de auto-acusacão. Contudo, muitas vezes acontece que o ou a doente cumpre mecanicamente as suas tarefas do quotidiano, especialmente no emprego, de modo que o «afastamento» pode não ser completamente evidente.
Exagerar pequenos nadas. «o meu chefe não veio ter comigo para me cumprimentar», queixava-se o marido à mulher, depois de uma festa no escritório. «Se calhar, está zangado comigo.» A mulher argumentou que ele também não atravessara a sala para ir falar ao chefe. E também lhe fez notar que o local estava apinhado de gente e que o chefe só lá ficara durante muito pouco tempo. Mas o marido não se deixou convencer.
A um nível muito subtil, aquele que sempre viu o copo meio cheio passa a vê-lo meio vazio. Pequenos factos que antes teriam parecido perfeitamente insignificantes passam a ter muita importância e a tornar-se motivo de grande preocupação.
Esquecimentos.
Quando uma secretária, residente em Coimbra (Portugal), trabalhava numa empresa de fotocópias, começou a ficar cada vez mais esquecida. Tinha de verificar as moradas e as entrevistas mais de uma vez e chegou mesmo a ter de parar o carro na berma da estrada para se lembrar aonde ia. «Disse ao meu médico que julgava ter a doença de Alzheimer, embora estivesse apenas na casa dos 40», afirmava ela. «Ele pediu-me para contar de diante para trás e para dizer de cor algumas coisas mais, e depois disse-me: «O seu caso é apenas uma questão de stress. Vá para casa e descanse.» Este médico não procurou ir mais fundo, e, não muito depois, a depressão atingia-a. No entanto, mais tarde, tratou-se e recuperou.
Irritabilidade.
Um director de enfermagem em Paris, estava a falar com uma enfermeira cujo marido não queria que ela trabalhasse de noite. Em vez de discutir o assunto, o director retorquiu com brusquidão: «O que é que ele quer? Ele não sabe que as enfermeiras trabalham de noite? Por que se casou então com uma?» A irritabilidade e a cólera são o manto com que os depressivos muitas vezes disfarçam a sua tristeza e isolamento. Infelizmente, uma resposta colérica ou irritada ainda torna as coisas piores. Os outros podem ripostar no mesmo tom, transformando uma discussão sem grande importância numa verdadeira «tempestade». Resultado: a pessoa deprimida sente-se pior a respeito de si mesma, tornando a depressão ainda mais acentuada.
Refúgio na rotina.
Um homem cujas paixões eram o teatro e o baseboI começou a ficar em casa, mantendo a sua actividade limitada a uma rotina estabelecida. Quando a mulher lhe sugeriu a ida a um determinado espectáculo, recusou com brusquidão. Este comportamento era nele tão fora do normal que a mulher resolveu consultar o médico da família, que, após a confirmação de outros sintomas, começou a tratá-lo de depressão. Um primeiro sinal é quando uma pessoa que sempre foi dinâmica e interessada por diversas actividades passa a ter uma atitude passiva e a refugiar­se no banal quotidiano.
Aspecto descuidado.
Uma directora de uma Clínica de Medicina Comportamental dos Serviços de Saúde de Stanford, na Califórnia, fez notar que o facto de uma pessoa começar de repente a desinteressar-se pelo seu próprio aspecto pode ser um sinal da doença. «Pode acontecer que uma pessoa que sempre teve grande preocupação com o seu aspecto e um cuidado extremo com a maneira de vestir passe de repente a desinteressar-se de tudo isso e a mostrar-se desleixada», afirmou. «Isto pode ser um sintoma de depressão - uma perda de interesse ou de prazer, uma ausência de atenção por si mesmo.»
Indecisão.
Uma mulher começou a ter dificuldade em escolher o que queria comer nas listas dos restaurantes. «Escolhe por mim», dizia ao marido. Do mesmo modo, em casa e com o telecomando na mão, não conseguia tomar uma decisão sobre o canal de TV que queria ver. A indecisão acompanha muitas vezes a falta de concentração dos pacientes com depressão; às vezes, é o único sintoma. Tomar decisões torna­se um fardo excessivamente pesado.
Dores misteriosas.
As pessoas deprimidas podem queixar-se de dores no estômago, nas costas e de outra situações de desconforto que não respondem a tratamentos. As queixas mais vulgares, são as dores e a rigidez musculares e na maioria das vezes torna-se necessário um exame médico completo.
Euforia súbita.
Algumas vezes, uma pessoa mantém-se no mais profundo desespero durante semanas ou até meses e um dia, sem mais nem menos, sai dessa situação e aparece como que liberta. A família pode, enfim, descansar, pensando que o pior já passou. Na realidade, este pode ser o período mais perigoso, exigindo mais, e não menos, vigilância. As «melhoras» podem querer dizer que, após ter procurado, sem sucesso, uma saída para aquilo que pensa ser uma situação sem esperança, o paciente pode ter-se decidido pelo suicídio. As supostas «melhoras» podem reflectir alívio por, finalmente, ter tomado uma decisão sobre o que fazer.
Como ajudar.
O que deve fazer se reconhecer, de maneira persistente, um ou mais destes sintomas num familiar ou num amigo?
Em primeiro lugar, deve falar com essa pessoa sobre o assunto. Tentar descobrir o que ela sente. Se não conseguir convencê-la a discutir o problema, tente uma abordagem do tipo «Fazes-me lembrar o tempo em que estive com uma depressão». Isto pode fazer que ela se abra.
Em segundo lugar, sugira ajuda profissional. Marque-lhe mesmo uma consulta médica, se necessário, e acompanhe a pessoa se lhe parecer que se justifica. Depois, vá acompanhando o caso para se assegurar de que ela toma os medicamentos e vai às consultas. Com antidepressivos, alguém que esteja gravemente deprimido normalmente regista melhoras dentro de quatro a seis semanas. O recurso à psicoterapia requer mais tempo. Muitos médicos utilizam uma combinação dos dois sistemas. Pode, no entanto, acontecer que ao fim de seis meses não haja sinais de recuperação e que seja necessário recorrer durante mais tempo à medicação.
Em terceiro lugar, dê apoio emocional. Não ofereça soluções simplistas, como «Amanhã as coisas estarão melhor». Ajude a pessoa a centrar-se em actividades que ainda lhe agradam - jogar ténis, fazer jardinagem - e a afastar-se das que aprofundam a depressão. Escute-a com compreensão, chame-lhe a atenção para as realidades da situação e manifeste sempre esperança. Sobretudo, não ignore as ameaças de suicídio ou conversas sobre a mor­ te. Considere estas ameaças sérias e não se limite apenas a uma atitude compreensiva.
A depressão é uma doença incapacitante. Mas com uma pequena ajuda de amigos ou familiares atentos e tratamento médico adequado, a maior parte das pessoas cura-se e volta a ter uma vida activa e saudável.

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Cancro da vagina

O que é o cancro da vagina?
O cancro da vagina, que se manifesta com um crescimento incontrolado de células anómalas no tecido vaginal, é uma das formas mais raras de tumor na mulher (somente cerca de 1 % dos tumores ginecológicos). A maior parte dos tumores da vagina (cerca de 95%) são epidermóides, isto é semelhantes aos tumores da pele. Os outros são os adenocarcinomas de células claras e o sarcoma.
Causas do cancro da vagina
O adenocarcinoma de células claras é consequente à exposição do feto feminino ao dietilstilbestrol (DES), administrado à mãe durante a gravidez para prevenir o aborto. Manifesta-se geralmente durante a adolescência, isto é 15-20 anos mais tarde. Todos os outros tipos de cancro da vagina aparecem entre os 45 e os 65 anos e a sua causa não é conhecida. A incidência do cancro da vagina é no entanto maior nas mulheres que contraíram infecções virais, sobretudo verrugas genitais causadas pelo HPV (Human Papílloma Vírus) e pelo herpes.
SINTOMAS:
-->Perdas de sangue expontâneas ou depois de uma relação sexual;
-->Secreções vaginais aquosas;
-->Dor durante as relações sexuais;
-->Frequente necessidade de urinar se o tumor se propagou à bexiga;
-->Trânsito intestinal doloroso se o tumor se propagou ao recto.
Perdas de sangue, secreções vaginais anómalas e dores durante as relações sexuais requerem uma consulta ginecológica para determinar a eventual presença de um cancro da vagina.
Terapia do cancro da vagina
Quando se deve consultar o médico?
Ocorre consultar o gineco­logista logo desde o aparecimento dos primeiros sintomas. Os adolescentes que têm mães às quais foi administrado o dietilstilbestol devem submeter-se a controlos regulares preventivos a partir da puberdade.
O que faz o médico?
A presença de células anómalas que fazem pressupor um cancro na vagina é geralmente detectada durante um esfregaço vaginal, exame de controlo que deve ser executado pelo menos de três em três anos. Se o esfregaço revela a presença de células anómalas, um teste à base de iodo permite definir a zona que se deve examinar. O tecido que não se colora de castanho escuro é suspeito de carcinoma. O médico executa a este ponto uma biopsia das zonas não coloridas. Se a biopsia confirma a presença de um cancro, efectuam-se mais alguns exames (análises do sangue, radiografias) para saber se o tumor se propagou a outros órgãos.Geralmente o cancro da vagina propaga-se à bexiga e ao recto.
Terapia do cancro da vagina
A terapia depende da localização, da extensão do tumor e em parte também da idade e das condições gerais de saúde da paciente. Um tumor localizado no terço superior da vagina requer uma intervenção de histerectomia ou ovariectomia, isto é de remoção do útero, dos ovários e das trompas, para além de uma extirpação da parte superior da vagina (vaginectomia) e dos gânglios linfáticos circunstantes.
Se a paciente é jovem e deseja ter filhos, e se a extensão do tumor parece limitada pode proceder-se à remoção da zona afectada fazendo a seguir à intervenção cirúrgica uma radioterapia intensiva. Se, pelo contrário, o tumor se propagou à bexiga ou ao recto, a intervenção cirúrgica é mais invasiva. Por fim, se as células tumorais se propagaram a outras partes do corpo, para além da intervenção cirúrgica são necessárias a radioterapia e a quimioterapia.
O que fazer sozinhos?
Para os adolescentes sujeitos a risco - cujas mães tomaram DES durante a gravidez os controlos médicos devem começar a partir da primeira menstruação. Quando se encontram presentes infecções virais, é o ginecologista a estabelecer a frequência dos controles.
Como se desenvolve o cancro da vagina?
Geralmente no início o tumor da vagina é silente. É por esta razão que a doença é muitas vezes diagnosticada só quando o tumor se propagou a outros órgãos (bexiga e recto). O diagnóstico do cancro num estádio demasiado avançado torna necessária uma intervenção cirúrgica.
O cancro da vagina é grave?
Sim, as probabilidades de sobreviver cinco anos depois de se ter submetido à intervenção cirúrgica e em ausência de recidivantes são de 30%.
Pode prevenir-se o cancro da vagina?
Dado que a causa deste tipo de tumor não é conhecida, podem evitar-se somente os factores de risco.
O Evitar ter relações sexuais com numerosos parceiros para reduzir o risco de expor-se a infecções ginecológicas virais.

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O estado do tempo

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