A guerra dos sexos: o porquê dos comportamentos masculinos e femininos

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008 , Posted by kmMad at 02:07

Que desejam as pessoas dos seus parceiros do outro sexo?
É uma dança tão antiga como a espécie humana. Nas reuniões sociais ou da igreja, nas pausas para o café no emprego e nos janta­res de festa e talvez mais explicitamente nos anúncios pessoais os homens e as mulheres desempenham um ritual elaborado de publicidade e cálculo que precede uma fase es­sencial para quase todos os seres: o acasalamento.
Isso pode tudo parecer muito moderno mas, o amor faz par­te de um comportamento humano universal cujas raízes remontam à aurora da Humanidade. Os psicólogos da evolução, como se auto de­nominam alguns cientistas, sustentam que, em acentuado contraste com a imagem do brutal homem das ca­vernas arrastando as companheiras pelos cabelos, os nossos antepassa­dos se empenhavam numa sofisti­cada dança de intriga sexual, estra­tégias sagazes e astutas negociações que deixaram marca na psicologia humana.
De facto, esta herança de milénios exerce uma vasta influên­cia sobre tudo, desde a atracção se­xual à infidelidade e ao ciúme. Há muito que os cientistas sabem que as pessoas escolhem o seu par de acordo com as semelhanças de tipo físico e inteligência. Normalmente os homens valorizam mais a atracção física e a juventude do que as mu­lheres; estas preocupam-se mais em conhecer as ambições, o estatuto so­cial a riqueza do parceiro em pers­pectiva.
Estas preferências no acasalamen­to evoluíram em resposta aos desa­fios biológicos enfrentados pelos ho­mens e pelas mulheres na procriação - a definição de sucesso em termos evolutivos. As mulheres investem muito mais tempo e energia na reprodução e na educação dos filhos do que os ho­mens. As crianças requerem mais atenção do que qualquer outro ani­mal à face da Terra. Por isso, as mu­lheres desenvolveram uma psicolo­gia ligada à contribuição paterna nes­ta enorme tarefa - força, protecção e recursos.
Esta herança é tão forte que, ho­je em dia, as mulheres avaliam a si­tuação financeira de um homem, mes­mo quando isso não é relevante. Muitas mulheres mostram-se mais interessadas por homens cuja capacidade de obter rendimen­tos é igual ou superior à sua.
Para os homens, por outro lado, a descendência depende da fertilida­de das companheiras. Assim, os homens evoluíram para uma manei­ra de ver centrada nos sinais visíveis da saúde e juventude da mulher. O conceito de beleza do homem mo­derno - pele saudável, olhos bri­lhantes e aspecto juvenil - é a herança de milhares de anos passados a avaliar a saúde e a fertilidade das potenciais companheiras.
Esta preocupação com a fertilida­de das mulheres ajuda também a explicar a razão por que os homens valorizam silhuetas curvilíneas. A figura fe­minina é sobretudo admirada pela relação proporcionada entre a cintu­ra e as ancas. A proporção ideal - as ancas com cerca de mais um terço da largura da cintura - reflecte um equilíbrio hormonal que resulta na acumulação de gordura nas ancas e não na cintura, uma condição cor­ relacionada com maior fertilidade e resistência à doença.
O facto de as pessoas procurarem relações estáveis ou encontros de uma noite pode depender, em parte, das suas percepções sobre os potenciais parceiros à sua volta. Os homens e as mulheres mani­festam também psicologias diferentes sobre o acasalamento quando bus­cam um companheiro apenas de oca­sião. As mulheres que procuram re­lacionamentos efémeros preferem ho­mens atraentes. Mas, embora os homens valorizem também o aspecto atraente nas relações efémeras, optam normalmente por companheiras menos atraentes quando mantêm mais que uma relação.
Na verdade, ao longo da evolução da Humanidade, os homens segui­ram frequentemente uma estratégia de acasalamento dupla. A sua tácti­ca mais bem-sucedida consistiu em encontrar uma companheira saudá­vel e fértil para toda a vida. O que não os impediu de aproveitarem todas as oportunidades de baixo ris­co para procriar fora do casamento.
Desenvolveu-se assim uma psico­logia que permite ao homem sentir­-se atraído sexualmente por várias mulheres, mesmo quando comprometido com uma só. As mulheres não reagiram passi­vamente aos desejos sexuais dos homens. Pelo contrário começaram há muito a usar uma série de tácticas comportamentais e biológicas para imporem os seus próprios comportamentos sexuais – comportamentos estes que têm um enorme impacte nos homens. Se de repente as mu­lheres começassem a preferir ter re­lações sexuais com todos os homens disponíveis, num curto espaço de tempo metade da Humanidade es­taria numa grande confusão.
Se as mulheres casadas mantêm ligações fora do casamento, fazem­-no por razões diferentes das dos ho­mens do ponto de vista da evolução. Ao longo da História, as experiências de curto prazo ofereceram às mu­lheres a oportunidade de trocar sexo por recursos. As mulheres valorizam três vezes mais um estilo de vida extra­ vagante quando procuram uma re­lação fugaz do que quando preten­dem um companheiro para toda a vida. As mulheres que têm uma re­lação estável com um companheiro responsável podem também procurar um homem atraente que lhes proporcione genes mais saudáveis pa­ra os filhos.
As infidelidades podem causar rai­va e dor, e estudos recentes sugerem a existência de diferenças entre o ciú­me masculino e feminino com raí­zes no passado remoto. Num determinado estudo, pediu-se aos homens e às mulheres que imaginassem os com­panheiros a fazer amor ou com um envolvimento emocional profundo com outra pessoa. A análise dos rit­mos cardíacos, das reacções faciais e das respostas tensas revelou que os homens reagiam muito mais violen­tamente que as mulheres à ideia de que as mulheres estivessem na cama com outros homens. Mas as mulhe­res reagiam com maior intensidade à ideia de os companheiros criarem relações emocionais sérias com ou­tras parceiras.
Estas reacções de ciúme assentam em última instância na biologia masculina e feminina. Para um homem, a paternidade nem sempre é uma certeza, o que o levou a desenvolver uma grande preocupação com a in­fidelidade sexual da parceira. Como cabe às mulheres o maior investi­mento biológico na procriação, es­tas preocupam-se mais com a liga­ção emocional do companheiro a ou­tra mulher, o que o poderá levar a desligar-se dos filhos.
Com a ênfase posta na forma co­mo homens e mulheres actuam no jogo do acasalamento, a psicologia evolutiva promete contribuir para ne­gociar uma trégua na guerra dos se­xos. Em vez de declarar um vence­ dor do conflito, sublinha que a es­sência do jogo do acasalamento é o compromisso, não a vitória. De igual modo, os mecanismos de acasala­mento da mente podem ser forte­ mente influenciados pelas crenças re­ligiosas ou morais. Não é por acaso que as duas preferências mais cita­ das na escolha de um par - expressas igualmente por homens e mu­lheres de todo o Mundo - não fo­ram o bom aspecto, a fama, a juven­tude, a riqueza ou o estatuto social, mas a simpatia e a inteligência.
Apa­rentemente, no jogo tumultuoso do acasalamento humano, elas são as maiores aliadas do amor.

Currently have 3 comments:

  1. berenice says:

    Confiança e liberdade são muito importantes. Geram uma convivência saudável onde cada um pode ser espontâneo e ter sempre algo novo a oferecer ao outro.

    abraços.

  1. Cumplicidade, companheirismo e fidelidade. Foi difícil mas tive a sorte de encontrar isso.
    Abraço e ótimo final de semana

  1. Olá!
    Excelente artigo!
    O problema dessa confusão, onde ninguém é de ninguém é que ainda as pessoas não sabem lidar com a dor, com a perda.
    Acho que o que sigura um pouco a infidelidade é o comportamento moral e a religião, que traça princípios fortes.
    Bom final de semana!
    Um beijo.

Leave a Reply

Enviar um comentário

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

Veja também outros links: