Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Mitos que podem destruir o casamento

O que pode destruir um casamento
O casamento pode ser uma relação muitíssimo gratificante, mas também uma das mais frustrantes. Os mal-entendidos e os equívocos levam muitos casais à desilusão e a concordar com aquele cínico que dizia: «O casamento é como um banho quente; depois de nos habituarmos, já não parece tão quente.»
No entanto, todos sabemos que quando um banho arrefece basta acrescentar-lhe mais água quente. E para evitar que o casamento arrefeça, temos de nos libertar dos equívocos. Eis cinco dos mitos mais comuns que podem destruir um casamento:
1.As fraquezas do casal devem ser determinadas com exactidão.
Infelizmente, a maior parte dos membros de um casal poucas vezes falam um com o outro, a menos que qualquer coisa corra mal. Tornam­ se vítimas do mito de que as fraquezas matrimoniais devem ser eliminadas a qualquer custo.
Uma pessoa que se descrevia a si mesma como uma «ex-rabugenta­ contou-me esta história: «Criei­ me numa casa que estava sempre desarrumada que nem tinha coragem em lá levar os amigos. Sonhava ter uma casa impecável, um dia que me casasse. Com o meu marido passou-se o contrário e o sonho dele era ter uma casa onde pudesse estar completamente à vontade e sem grandes preocupações. As nossas perspectivas de um casamento ideal depressa se esboroaram logo a seguir à lua-de-mel, e a situação foi-se deteriorando gradualmente.»
O casal esforçou-se por tentar resolver aquelas noções diametralmente opostas. Mas só conseguiu que a sua vida de casados mudasse quando ambos se descontraíram e deixaram a situação voltar ao ponto de partida. «O nosso casamento tornou-se muito mais feliz», acrescentou a mulher, «quando passámos a dar às coisas apenas a importância que elas tinham.» Por outras palavras, quando deram menos importância àquele ponto fraco na sua ligação e valorizaram mais os aspectos positivos da mesma. Os casamentos fortalecem-se quando ambos enfatizam os aspectos positivos e minimizam as fraquezas. A arte da sensatez é a arte de saber aqui­lo a que se deve fechar os olhos.
2. O prazer pode esperar.
Há demasiados casais que ao planearem o futuro têm tendência para adiar o gozo presente do seu casamento. Há sempre a preocupação com a educação dos filhos, a compra da casa, a decisão a tomar quanto à próxima mudança de emprego. Tem de haver um mínimo de planeamento para o futuro, obviamente. Os casais que não fazem quaisquer planos arriscam-se a ter problemas financeiros e emocionais. No entanto, os casais que concentram as suas preocupações muito mais no futuro que em gozar o presente estão também à beira da catástrofe.
3. Os sinais de ruptura são fáceis de detectar.
Claro que há sinais de que um casamento está prestes a falhar, por exemplo, quando um dos cônjuges ameaça com uma aventura. Mas os avisos nem sempre são tão evidentes. As rupturas são muitas vezes difíceis de prever, porque um sinal de alerta num casa­mento pode ser um facto aceitá­vel para outro. Por exemplo, uma amiga minha que recentemente celebrou as suas bodas de prata salientou que ela e o marido têm poucos interesses em comum. O que poderia destruir alguns casamentos ajudou a consolidar o deles. «Todo o tempo que passamos juntos é revigorante e agradável». Por outro lado, há pessoas que parecem os candidatos ideais a uma ligação feliz e duradoura. Contudo, ao fim de 12 anos, divorciam-se. Desistem do casamento. Esta é uma das mais vulgares e perigosas formas de falhanço de um casamento: É subtil, não ofensiva, não faz soar alarmes. Apenas se vai insinuando nas nossas vidas e destrói. Os bons casamentos requerem mais do que uma simples ausência de ameaças perigosas. Precisam de ser constantemente alimentados.
4. O casamento é um assunto sério.
Claro que temos de assumir com seriedade os nossos juramentos. Mas também precisamos de reconhecer o valor que um pouco de humor tem para nos ajudar, bem como aos nossos companheiros, a enfrentar as lutas diárias. São numerosos os casais que se esqueceram de como é bom descontrair­ se e dar uma boa gargalhada de vez em quando. Os seus casamentos não têm centelha.
Em primeiro lugar, têm sinais exteriores de jovialidade. E normalmente acumulam o humor doméstico e usam-no nos períodos problemáticos. Este humor não é necessariamente espirituoso. As piadas podem não fazer sentido para quem está de fora e o riso ser provocado por motivos absolutamente triviais. Mas as piadas e o riso são importantes porque são pertença da família. Por vezes, o humor do casal é uma simples válvula de escape.
5. Um bom entendimento sexual garante um bom casamento.
De facto, o contrário é que é verdade: um bom casamento é o alicerce de uma boa relação sexual. Embora a atracção inicial possa ser sexual, os casais que não conseguem criar laços afectivos profundos acabam por descobrir que mesmo um bom entendimento na cama não compensa uma má relação. E é quase certo que o sexo acabará por se tornar tão mau como tudo o resto na relação. Um casal, por exemplo, começou por ter uma boa relação sexual, mas depois, à semelhança do que acontece com muitos outros casais, deixaram de comunicar entre si sobre as coisas do dia-a-dia, o que não tardou a reflectir-se na cama. A minha mulher já não me ama como dantes, senão quereria fazer amor mais vezes. Depois disse que estava cansada e foi-se deitar. Ele tomou as suas palavras à letra - ela tinha dito que estava cansada. Mas na manhã seguinte, levantou-se mal­humorada e quase não me falou. Disse-me que era por eu não ter ido atrás dela para a cama, para fazermos amor. A nossa comunicação está a deteriorar-se, e isso reflecte-se na nossa vida sexual, O reverso da medalha também existe. Quando a relação emocional entre os dois melhora, o lado físico do casamento fica melhor que nunca. Em conclusão, não basta o amor romântico do início para manter uma união acesa. Os casais felizes são os que conseguem encontrar um padrão ou um estilo de casamento que melhor se lhes adapte. E cada vez mais isso significa não ligar importância aos mitos prejudiciais e aos equívocos para conseguir a medida completa daquilo que o casamento pode proporcionar: a mais única, indefinível e preciosa das relações humanas.

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