Saiba por que vivem mais as mulheres

As mulheres vivem mais do que os homens
O fosso entre os sexos existe e as razões que levam a tal podem surpreendê-lo.
Sexo fraco, o das mulheres? Tal convicção é desmentida pela Natureza, que nestas e noutras é mãe de todas as coisas. Se olharmos para os censos da população as mulheres sobrevivem mais às leis da morte do que os homens. Em todo o mundo moderno, as culturas são diferentes, o mesmo se pode dizer para os estilos de vida e causas de mortalidade, mas uma coisa permanece igual - as mulheres vivem mais tempo do que os homens.
E, à partida, as mulheres estão em desvantagem. No momento da concepção, há uma média de 110 embriões masculinos para cada 100 femininos. Na altura do nascimento, essa relação desceu para cerca de 105 rapazes para 100 raparigas. Em todo o mundo, o número de fetos mortos masculinos é superior ao dos femininos.
Por volta dos 30 anos as mulheres ultrapassam o número de homens e o fosso entre os dois sexos não cessa de crescer a partir daí. Para lá dos 75 anos, as mulheres são quase o dobro dos homens. Se analisarmos as 12 principais causas de morte todas elas matam mais homens: ataque cardíaco, cancro do pulmão, cirrose hepática e pneumonia.
Há um século atrás, os homens eram mais e viviam mais que as mulheres. Mas no século XX, as mulheres começaram a viver mais, sobretudo porque a gravidez e o parto se tornaram menos perigosos. A diferença acentuou-se rapidamente.
Algumas das razões são os homens que as motivam: fumam mais, bebem mais e arriscam mais a vida. Há mais assassínios de homens que de mulheres. Os homens cometem mais suicídios e têm muito mais acidentes de automóvel fatais que as mulheres. Os homens têm mais probabilidades de se envolverem em acidentes relacionados com o álcool. Os condutores masculinos!
Mas o comportamento só por si não explica a diferença de longevidade entre os sexos. O stress também não dá a resposta. Nos anos 50, quando os ataques cardíacos faziam cada vez mais vítimas, culpou-se disso a pressão exercida sobre os quadros superiores das empresas. Deixem as mulheres sair de casa e começar a invadir o campo do trabalho, disseram os médicos, que logo começarão a morrer ao mesmo ritmo que os homens. Mas a caminho do funeral aconteceu algo de estranho. As mulheres trabalhadoras de hoje são tão saudáveis como as que permaneceram em casa.
Alguns cientistas que estudam as diferenças entre os sexos crêem que os dados apontam para uma conclusão: a Mãe Natureza favoreceu as mulheres. Todos os seres vivos são formados de acordo com as instruções dos seus cromossomas, e os seres humanos têm 23 pares deles. Mas nos homens um destes é um par vulnerável e que não condiz com o outro, o designado XY. O par correspondente na mulher é o XX, e o seu poder genético «reforçado» é por vezes citado como a chave para a resistência superior da mulher. Se o cromossoma X do homem for defeituoso, pode provocar uma grave desordem genética. A hemofilia e determinados tipos de distrofia muscular, por exemplo, são doenças causadas por um defeito num único gene do cromossoma X. São muito mais comuns nos homens que nas mulheres.
No entanto, esta teoria do cromossoma X apresenta problemas. Não há um número suficiente de doenças genéticas das mais receadas para justificar mais que uma pequena percentagem da diferença de longevidade entre os homens e as mulheres. E alguns investigadores acusam directamente o cromossoma masculino Y.
A resposta talvez esteja antes nas hormonas. Antes dos 40 anos, quando praticamente todas as mulheres ainda produzem estrogénio, as doenças cardíacas matam três vezes mais homens do que mulheres. Mas daí em diante as condições a favor da mulher descem acentuadamente. As doenças cardíacas são a primeira causa de morte para ambos os sexos. Mas as mulheres têm uma década extra antes que a sua taxa de mortalidade devida às doenças cardíacas se aproxime da do homem.
Se o estrogénio é o herói da história, a testosterona, a hormona do sexo masculino, pode ser o bandido. Até à puberdade, os rapazes e as raparigas têm o mesmo nível de colesteroI. Mas quando os rapazes chegam à adolescência e a testosterona aumenta, o seu nível de colesterol HDL, «o colesterol bom», desce.
Nas raparigas, os níveis de HDL mantêm-se estáveis. Em ambos os sexos, os níveis de LDL, o «colesterol mau», aumentam no fim da adolescência. Mas o aumento é de certo modo mais acentuado no homem. A testosterona parece ter os dias de glória contados. A hormona, que parece estar na base da agressividade e que produz certamente grandes músculos, pode ter sido uma inovação inteligente quando a tarefa primordial do homem era arremessar rochas à tribo vizinha. Mas nos dias de hoje, em que praticamente já só vamos à caça quando o filho deu sumiço ao controle remoto da televisão, a testosterona já não parece tão excelente.
Nem todas as diferenças entre os sexos são a favor das mulheres. Enquanto as mulheres se revelam menos vulneráveis do que os homens às doenças mortais, são mais vulneráveis às doenças do dia-a-dia e à dor. Pode ler-se num diário de 1676: «Ouvi os médicos dizerem que em cada três doentes há duas mulheres.» As mulheres continuam a consultar mais o médico, a tomar mais medicamentos receitados ou não e a passar mais dias de cama. São mais atingidas pela artrite, pelos joanetes, pelas infecções da bexiga, pelos calos, pelas hemorróidas, pelas enxaquecas, pelas varizes, além de sofrerem as dores menstruais.
Entretanto, os homens vão sofrendo ataques cardíacos e enfartes. As mulheres ficam doentes, mas são os homens que morrem. E quanto a saúde mental? A depressão é mais comum nas mulheres que nos homens. Mas a esquizofrenia, talvez a mais arrasadora das doenças mentais, afecta frequentemente com mais gravidade os homens.
Após a morte do cônjuge, os homens parecem passar pior do que as mulheres. Ficam mais deprimidos, mais atreitos à doença e mais vulneráveis à morte. Mas o comportamento muda, pelo que o fosso de saúde entre homens e mulheres não é um dado fixo. Nas décadas recentes, a diferença entre longevidade do homem e da mulher tem vindo a estreitar-se. A explicação não é que a saúde da mulher se está a deteriorar. A saúde da mulher está a melhorar, mas a do homem fá-lo mais rapidamente.
Os homens estão a fumar menos, a beber menos e a alimentar-se melhor. O fosso não está a diminuir por as mulheres estarem a agir como os homens. Os homens é que cada vez mais se comportam como as mulheres.

1 comentário:

  1. Esses dias mesmo estava pensando porque as mulheres vivem mais que os homens... Otimo artigo! Abs!

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