O melhor conselho de um amigo

O melhor conselho que me deram
É uma simles frase d nove palavras apenas. E, no entanto, pode transformar uma vida.
Certa ocasião em que tive de to­mar uma decisão que envol­via um risco considerável fui ter com um amigo bastante mais velho e sensato do que eu. «Eu avançava», disse com ar infeliz, «se ti­vesse a certeza de ser bem sucedido. Mas ... »
Ele olhou para mim por uns ins­tantes e depois escrevinhou umas pa­lavras num pedaço de papel que em­purrou na minha direcção. Aquela simples frase era o melhor conselho que alguma vez me tinham dado: «Sê destemido e forças poderosas vi­rão em teu auxílio.»
Mais tarde, descobri que aquela frase era uma citação do livro The Conquest of Fear (A Conquista do Medo), do escritor canadiano Basil King. Aquelas palavras tiveram o condão de me fazer ver claramente que, sempre que no passado fracas­sara, raramente tinha sido por ter tentado e falhado. Geralmente, o medo de falhar levara-me a nem sequer tentar. O medo é a mais parali­sante das emoções. É capaz de tolher os músculos e de entorpecer o espí­rito e a vontade.
Por outro lado, sempre que me ti­nha aventurado em águas profundas, impelido por um rasgo de coragem ou empurrado pela rude mão das cir­cunstâncias, conseguira aguentar-me até voltar a ter pé.
Sê destemido - não é uma exor­tação à temeridade e à ousadia. Ar­rojo significa tomar, de vez em quando, a decisão deliberada de cor­rer um risco considerável. E não há nada de misterioso nas referidas forças poderosas. Elas são as forças la­tentes que todos nós possuímos: energia, destreza, discernimento sa­gaz, criatividade e até o próprio vigor físico e resistência em doses muito maiores do que a maioria de nós tem consciência.
Por outras palavras, o arrojo pode criar um estado de premência a que o organismo responde. Um dia, ouvi dizer a um famoso alpinista que, por vezes, o montanhista vê-se numa po­sição tal que a única solução é conti­nuar a escalar. E acrescentou que ele próprio já se colocara propositada­mente numa dessas situações. «Quando não podemos senão subir, subimos com mais facilidade», disse.
Este mesmo princípio aplica-se de igual modo às situações mais vulga­res, como aceitar a presidência de uma associação cívica ou procurar um emprego de maior responsabili­dade. Em ambos os casos, sabemos que temos de vencer e, a não ser que não tenhamos qualificações, vencere­mos com o auxílio do nosso orgulho, do nosso instinto de competição e do nosso sentido do dever.
Evidentemente, estas forças pode­rosas são forças do espírito, mas são muito mais importantes do que as fí­sicas. Enquanto Golias foi morto pela força centrífuga de uma pedra, foi a coragem que permitiu a David enfrentar o gigante filisteu.
É curioso como as forças do espí­rito têm, com frequência, a sua cor­respondência no mundo físico. Assim, se formos suficientemente corajosos, até as leis do movimento jogam a nosso favor. Esta característica, isto é, a von­tade de nos esforçarmos até ao limite das nossas capacidades, não é coisa que se adquira de um dia para o ou­tro. Mas pode ser ensinada às crianças e desenvolvida nos adultos. A con­fiança adquire-se gradualmente.
É evidente que teremos contra­tempos e desilusões sempre que pro­curarmos dar o nosso máximo; a ou­sadia não é, por si só, garantia de su­cesso. Mas aquele que tenta alcançar um objectivo e que falha está em muito melhor situação do que quem não tenta fazer nada e é bem suce­dido.
A confiança destemida e a capaci­dade de decisão são, com frequência, o que distingue os vencedores no mundo dos negócios. O administra­dor mais eficiente com quem já trabalhei era um homem que tinha a capacidade de tomar decisões quase instantâneas. «Pelo menos», costu­mava dizer com malícia, «cometo os meus erros depressa.» Um dia, perguntaram-lhe se não acreditava no provérbio «Olha antes de salta­res». «Não», respondeu, divertido. «O defeito desse axioma é que, se olhar­mos durante muito tempo ou dema­siadas vezes, desistimos de saltar.» Há quem diga que a nossa preo­cupação com a segurança está a en­fraquecer a vontade de correr riscos.
A iniciativa, dizem, é a resposta ins­tintiva à falta de conforto material. Discordo plenamente. Penso que as pessoas procurarão sempre vencer novos e maiores desafios. Quando era rapaz, um homem veio visitar a minha turma na escola e foi convidado a dizer algumas palavras. Não me lembro de quem se tratava, mas nunca esqueci o que disse: «Amem a vida. Estejam sempre gratos por essa bênção e expressem a vossa gratidão jamais fu­gindo aos desafios que ela vos coloca. Tentem sempre ir um pouco além das vossas capacidades e descobrirão que elas são muito maiores do que alguma vez imaginaram.»

6 comentários:

  1. Amigo, num post tem sempre algo que marca. Aqui, foi "...a von­tade de nos esforçarmos até ao limite das nossas capacidades...".
    Minha vida toda tem sido de superar obstáculos e é gratificante lê esse seu texto.
    Abraços.

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  2. Excelente post!
    Obrigado também pela dica do livro, irei comprá-lo.
    Um grande Abraço.

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  3. Ótimo texto, especialmente esta frase: "Sê destemido e forças poderosas vi­rão em teu auxílio". Não conheço este livro a que você se refere, mas é bem interessante falar sobre a conquista do medo. Assim como achei interessante a maneira como termina o seu texto, dizendo que devemos ir um pouco além da nossa capacidade. É isso mesmo! assim descobriremos que ela pode ser maior do que imaginamos. Ótimo domingo...

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  4. Eu concordo com seu texto,na minha vida sempre corri riscos e enfrentei as dificuldades com coragem.

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  5. Como sempre ótimos posts!
    E muito bem colocada esta orientação para refletirmos.
    Eu devo dizer que por ser só preciso ser destemida, quando tenho que enfrentar o desconhecido eu traço antes na minha mente o que devo ou não fazer, depois tento seguir.
    Nem sempre tenho a confiança do êxito, mas procuro ser corajosa.
    A capaci­dade de decisão aparece no exato instante que não há mais nada a fazer senão respirar fundo e concretizar.
    Ouvir conselhos sempre é sábio, não para seguir estreitamente, mas para conseguir alinhar o pensamento.
    Agradeço a dica do livro.

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  6. Um bom texto. E nos momentos de dificuldade as vezes podemos dar um pouco mais do que os 100% que acreditamos possuir. Um abraço. Drauzio Milagres.

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