Os segredos do charme

Os poderes do «charme»
Que é, afinal, essa luz interior, esse toque único, essa incerteza mágica, que vem do coração?
Irresistível, sem dúvida, o charme é, porém, extremamente difícil de definir. É uma aura que irra­diam os que o têm e com o qual, nós que os contemplamos, vivemos momentos deliciosos. Oscar Wilde disse que tudo parece mágico quando en­volto em névoa - é a incerteza que nos encanta. O charme é uma fragrância eva­nescente que perpassa por nós como um perfume discreto, não como aqueles perfumes fortes que nosso­ bem à cabeça. Também não tem muito a ver com a sedução, nem tão­-pouco obedece a qualquer estraté­gia sexual.
O charme não tem objec­tivo. É gratuito, o que o torna inestimável. É um presente permanente, oferecido com serenidade.
Essa luz interior, esse toque único, essa qualquer coisa mais que certas pessoas exalam de todos os poros, sem mesmo se aperceberem, como se cultiva? Impossível. Qualquer tenta­tiva está condenada ao fracasso. Aliás, se não for natural, inocente, transparente, espontâneo, o charme deixa de o ser.
Uma pessoa com charme não é ini­bida nem egocêntrica. Abre-se aos outros com um calor instintivo, é ge­nerosa e facilmente acessível. Está bem com a vida, é espontânea, adapta-se bem e parece interessar-se pelos outros. A bondade tem um charme indefinível. Dois dos homens a quem pedi que me indicassem al­guém com charme responderam: «A madre Teresa.»
O charme também pode ser diver­tido, galhofeiro, irónico. Era o charme que permitia ao cómico Co­luche dizer as coisas mais irremediá­veis, pois sabia-se que, por detrás da­quilo tudo, havia um homem tímido e terno.
O charme transforma um político que parece insuportável quando peremptório numa pessoa atraente quando desprevenido.
O charme é aquela fraqueza humana que desperta simpatia. É aquele míope às apalpadelas, à procura dos óculos que perdeu na praia, é Mela­nie e não Scarlett, é Ashley e não Rhett. É que o charme implica fragi­lidade e vulnerabilidade.
Jacques Clémente, o célebre ma­quilhador de celebridades, descreveu bem o carácter esquivo e evanescente do charme que lhe competiu realçar no seu trabalho. «À primeira vista, Elizabeth Taylor não é uma pessoa que impressione pela sua beleza. O que nos toca, sim, é o charme que dela irradia espontaneamente. Quan­do nos apercebemos de que a perso­nalidade de uma mulher gira em torno do charme e conseguimos realçar essa luz, ela torna-se irresistível. É mais belo do que a própria beleza.»
Irresistível, porque tão impercep­tível como o bater de asas de uma borboleta, o charme é uma arma te­mível de efeitos por vezes devastado­res. De duas pessoas com capacidade, inteligência, cultura e educação per­feitamente idênticas, aquela que ti­ver charme ganhará sempre à outra. Espontâneo, terno, único, quase mágico por vezes, o charme surge frequentemente através da modéstia e de uma certa reserva. Mas depara­-se-lhe um obstáculo: a voz. Alguns actores do cinema mudo perceberam­-no quando as suas carreiras termina­ram com a chegada do sonoro. Mas a voz de Jacques Brel! As vozes de Georges Brassens e de Julien Clerc! De Michel Piccoli! De Marlene! De Jeanne Moreau! De Charles Boyer! são inconfundíveis.
Inventiva, surpreendente, dife­rente, imprevisto, desconcertante ­ o charme enfeitiça e confunde. Ja­mais passa pela estupidez nem tão­ -pouco pelo intelecto, mas é uma relação de inteligência com os outros. Vem do coração e é imediatamente detectável. «O charme?», disse Albert Camus. «É uma maneira de ouvir di­zer sim, sem ter feito qualquer per­gunta directa.»

11 comentários:

  1. O charme ou o "it" é o que diferencia um ser humano do outro. Tem muita gente bonita que não tem charme algum, enquanto outra pessoa não tão bela, tem um charme que chama a atenção. Quanto à voz, este é realmente o grande diferencial e surpreende. Nessa questão quem é feio e tem uma voz daquelas de trovão, conquista muita gente.

    ResponderEliminar
  2. Muito bem argumentado o seu texto, inclusive citando os atores que acabaram sendo prejudicados em suas carreiras quando acabou o cinema mudo. Adorei esse texto e concordo plenamente com ele. Gostei da parte que diz: "O charme não tem objec­tivo. É gratuito, o que o torna inestimável. É um presente permanente, oferecido com serenidade". Considero que uma pessoa charmosa ganha de qualquer outra que seja mais bonita ou elegante. O charme é tuuuuudo de bom.Beijos!

    ResponderEliminar
  3. hello, i'm Seno, Indonesian. I found your site from TopBlog.

    It's a nice blog friend. If you mind, please visit my blog. Thanks. Regards. Seno.

    ResponderEliminar
  4. Boa Noite,

    Visitei o seu site via dhitt e gostei.
    Gostaria de saber se está interessado em trocar links com o meu site?
    Aguardo a sua resposta.

    Cumprimentos
    Vera Oliveira

    ResponderEliminar
  5. Na realidade, muito bem definido o teu conceito de charme. Também eu penso que o charme é algo de vem de dentro, é uma espécie de dom, de encantamento, que podendo ser lapidado, jamais poderá ser cultivado.

    Abraços
    Luísa

    ResponderEliminar
  6. Concordo com a sua definição de charme também. Acredito que o charme é o que mostra quem realmente é a pessoa e não adianta de maneira alguma tentar construir um charme, pois sempre acabará mostrando o seu verdadeiro em alguma hora.

    ResponderEliminar
  7. Amigo,
    Seu post está completo. Definiu muito bem o conceito e ilustrações. Por tudo que li, ficou claro para mim que a pessoa que tem charme é alguém que desejamos ter sempre por perto, estabelecer intimidade, pois vale a pena.
    Abraço.
    Regly

    ResponderEliminar
  8. Muito bom o texto hehehe.

    aborda certinho o que é o charme.

    Parabéns.
    Abraço.

    ResponderEliminar
  9. belo post fiquei encantada ,concordo que o charme seja uma maneira de dizer sim pois ele encanta seduz e enfeitiça.

    ResponderEliminar
  10. Amigo, como vai?

    Os seus textos são sempre muito bem escritos e completos. É um tema que me envolve, porque eu curto a sensação do "charme" e digo que a sensualidade acompanha.
    Nem todo o tempo a pessoa irradia o charme, depende um pouco do dia ou da circunstância. Confesso que realmente a pessoa fica vulnerável e aparenta certa fragilidade, mas não é bem isso. O charme é algo que atrai a inveja, especialmente quando a pessoa consegue ser ao mesmo tempo sensual.

    Adorável post... muito...

    Beijinhos e Feliz Páscoa!

    ResponderEliminar
  11. Excelente, seu testo toca lá na essência, realmente bem argumentado, identifico.

    ResponderEliminar

Leia as regras:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitam as regras abaixo:

- O seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propaganda de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteúdo do seu comentário;
- Se quiser deixar a sua URL, comente usando a opção OpenID.

O estado do tempo

Tempo Lisboa

Veja também outros links:

Parceiros

Tedioso: Os melhores links Uêba - Os Melhores Links À toa na Net Seus links em um só lugar!
Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!