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Geografia: artigos de apoio ao estudo e às aulas

Geografia: do 7º ao 12º ano

Visite o novo blogue "GeoESB" que criei com o intuito de publicar artigos úteis ao estudo e às aulas de Geografia entre outras áreas curriculares como: Cidadania e Mundo Atual; Área de Integração; Educação Sexual e Formação Cívica.

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Geografia C 12º ano - A emergência de novos centros de poder

A Nova Ordem Geopolítica Mundial

A queda do Muro de Berlim, em 1989, transformou-se num acontecimento com grande simbolismo, ao marcar o fim da Guerra Fria e da bipolarização das relações internacionais.
Desde então, vários acontecimentos contribuíram para a formação de uma nova ordem geopolítica e geoeconómica mundial.

O documento que se segue, serve de apoio aos alunos do 12º ano de escolaridade na disciplina de Geografia C.

Conteúdos abordados:
- A nova ordem geopolítica mundial;
- A nova organização do espaço mundial;
- A China: uma potência económica em ascensão;
- O papel geoestratégico da Rússia;
- A Tríade do poder económico (EUA, Japão e União Europeia);
- Os problemas e desafios que se colocam à União Europeia como consequência dos alargamentos a Leste;
- A reforma das instituições comunitárias e a coesão económica e social;
- O Terceiro Mundo e a nova ordem global.

Obs. O documento supracitado pode ser visionado no blogue escolar "GeoESB"que criei recentemente e do qual constam, além deste documento, muitos outros sobre Geografia C - 12º ano, Geografia do 7º ao 11º anos de escolaridade, entre outras áreas curriculares.

 Bom Estudo!


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O Terceiro Mundo e a emergência das semiperiferias

Um Mundo Policêntrico

O Terceiro Mundo e a nova ordem global


Aos poucos, os países que não se industrializaram e desenvolveram constituíram um mundo à parte dos dois grandes - o Terceiro Mundo - embora cobiçado por ambos, nomeadamente como forma de entender as respectivas áreas de influência.

Terceiro Mundo - Esta nomenclatura surgiu pela primeira vez em Agosto de 1952. Foi Alfred sauvy, demógrafo francês, que se inspirou no conceito sociológico do Terceiro Estado produzido pala Revolução Francesa, maioritário mas sem voz, ignorado, explorado, desprezado, humilhado. E, por isso, o movimento fez do apoio à libertação dos povos ainda sujeitos a regimes coloniais uma bandeira.

O Terceiro Mundo pretendia ser ele próprio, nem como o primeiro (países capitalistas desenvolvidos) nem como o segundo (países socialistas), mas seria a bipolaridade dos mais poderosos que lhe permitiria afirmar a sua identidade.

A partir da década de 70 do século XX, iniciou-se um verdadeiro processo de descolagem de alguns países do Terceiro Mundo. Surgiram assim os chamados Novos Países Industrializados (NPI).
Este conjunto de países é também designado por semiperiferias, pois não sendo economias desenvolvidas, apresentam alguns indicadores muito próximos dos países desenvolvidos.
Nesta situação, encontram-se alguns países da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático, da América Latina e do Norte de África (Região do Magrebe).

O documento seguinte serve de apoio aos alunos do 12º ano de escolaridade, na área curricular de Geografia C, para o Tema 2 do programa curricular desta disciplina: Um Mundo Policêntrico - O Terceiro Mundo.
Conteúdos abordados:
- Os principais obstáculos ao desenvolvimento do Terceiro Mundo;
- Os reflexos da colonização;
- A participação do Terceiro Mundo no comércio internacional;
- A ajuda internacional aos países do Terceiro Mundo;
- O endividamento dos países do Terceiro Mundo;
- Os sucessos e insucessos do diálogo Norte-Sul;
- A emergência das semiperiferias:
(Novos Países Industrializados da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático)
(As semiperiferias da América Latina - Brasil e México)
(Os países da região do Magrebe)

  Bom Estudo!
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Grande Muralha da China - Great Wall of China

Truly amazing work of slaves, made to protect invading savages and preserver China from the war.

Trabalho feito por escravos, verdadeiramente incrível, com o propósito de proteger a China da invasão de selvagens, protegendo-a da guerra.

















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Os navegadores do Sertão - a conquista da Amazónia

Pedro Teixeira e Raposo Tavares

Duas expedições, a de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares, autênticas epopeias, foram decisivas na conquista da Amazónia. O primeiro teve o mérito de ampliar uma pátria, já de si grande. O segundo partiu de São Paulo, cruzou o território brasileiro de Leste a Oeste, alcançou a Bahia e, do Nordeste para Norte, atingiu o Amazonas, por ele descendo até Belém.

A viagem de Pedro Teixeira na Amazónia constitui um grande feito, e os seus escritos - com informações preciosas relativas à navegação fluvial através do rio Amazonas ­ confirmam uma extraordinária obra de geo­grafia viva, tendo ele registado todas as par­ticularidades, os usos e costumes das centenas de tribos e a abundância em que viviam.
Foi Pedro Teixeira que demarcou a mais extensa região do Brasil, país que, no séc. XVII, era uma colónia portuguesa. Desco­berto em Abril de 1500 por Pedro Álvares Cabral, foi D. João III que, 34 anos mais tarde, dividiu o território em 15 capitanias hereditárias, cuja posse efectiva e colo­nização era exercida por donatários. Embora na condição de vassalos régios, estes tinham amplos poderes e deveres.
Cabia-lhes empreender o conhecimento do território e dos rios e fixarem os colonos para a defesa e exploração da terra, expulsando os estrangeiros do litoral. Os bandeirantes, por seu lado, em finais do séc. XVI e princípios do séc. XVII, procediam a expedições no interior de um continente desconhecido, com a colaboração de nativos, indispensável à orientação na selva e no sertão. Ao lado dos índios escravos e dos libertos havia tupis e guaranis livres (que nunca haviam sido escravos) e que constituíam um elemento fundamental das "bandeiras". Cada uma podia ser constituída até ao máximo por algumas centenas de brancos e mestiços e por 4.000 ou mais índios.
Porém, sobre estes "navegadores do ser­ tão" não se escreveram as façanhas nem se encarregaram os especialistas de os "pôr em crónica" ... Adversários confessos dos jesuítas, os textos destes sempre foram tendenciosos na apreciação dos aventureiros. Alguns chegaram ao Peru e ao Paraguai, entrando em choque com as autoridades e os interesses espanhóis. Pedro Teixeira alcan­çou Quito, no Equador. A sua importante expedição integraria a Amazónia no mundo geográfico brasileiro.
Pedro sem medo
O intrépido militar nasceu em 1570, em Cantanhede, distrito de Coimbra (Portugal). De ascendência nobre, era cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real. A sua mulher, Ana da Cunha, era filha do sargento­-mor Diogo de Campos Moreno.
Em 1607, Pedro Teixeira vai para o Brasil, onde se distingue na luta contra os franceses em São Luís do Maranhão. Nas expedições militares em que participa, mostra-se corajoso e determinado. Nomeadamen­te quando, a 7 de Agosto de 1616, comandou uma expedição para punir um navio holandês que se encontrava no Amazonas: "Atacou a embarcação, por abalroamento, no dia 9 de Agosto e após luta renhida acabou por ven­cer. Mesmo ferido, mandou incendiar o na­vio, retirou-lhe a artilharia e voltou a Belém para o Forte do Presépio. Graças a este feito, foi promovido ao posto de capitão, por despacho régio de 28 de Agosto de 1618."
Foi também ele que chefiou uma expe­dição para destruir o forte holandês Mandiutuba, nas margens do rio Xingú. Com 50 sol­dados e 700 índios guerreiros, atacou simul­taneamente por terra e pelo rio. No final da noite, o forte já estava nas suas mãos ...
Mas a sua expedição memorável, aque­la que o iria tornar célebre, ocorreu em 1637. Era necessário alargar a soberania por­tuguesa à maior parte da bacia amazónica. Pedro Teixeira foi escolhido pelo gover­nador e capitão do Maranhão e Grão-Pará, Jácome Raimundo de Noronha. Sem dú­vida, por ser valente, prudente e conhece­ dor do rio e da selva amazónica. Ao aceitar o desafio, recebeu a patente de capitão-mor e general de Estado, com plenos poderes para realizar tão espinhosa missão. Porém, nos preparativos para a expedição, Pedro Teixeira gastou grande parte da sua fortuna.
De Cametá a Quito
Foi a 28 de Outubro de 1637 que Pedro Teixeira partiu de Cametá, comandando uma expedição oficial, através de um rio (acreditava-se) dominado por mulheres ca­valeiras e guerreiras: o rio das Amazonas. Rio acima, esta viagem daria ao Brasil a sua mais extensa região: a Amazónia. A incursão, considerada por muitos como a maior façanha do sertão, contava com 70 canoas, sendo 47 de grandes di­mensões, 70 soldados portugueses e 1.200 índios guerreiros, acompanhados pelas res­pectivas mulheres e filhos, o que perfazia um total de 2.000 seres humanos.
Em Dezembro, apartaram no Alto Ama­zonas, numa ilha desconhecida e grande, que Pedra Teixeira denominou de "Ilha das Areias". No início de Janeiro de 1638, Teixei­ra descobriu o rio Negro, citando na sua obra que encontrou muitos índios; "Pelo que vi, as terras prometem muita fertilidade nas aldeias dos índios com quem comuniquei, tantos que não me atrevo a enumerá-los; é gente de guer­ra, mais política que a que encontrei anterior­ mente; em seu poder achei alguns pedaços de prata metidos em paus que traziam nas orelhas ( ... ) deixei todos os habitantes contentes e sa­tisfeitos, após oferecer-lhes achas, anzóis, valo­res e pentes, e outras coisas por me parecer isso conveniente para o serviço de S.M. pelo muito que aquelas terras prometem."
As trocas com os índios foram efectua­ das mais do que uma vez, apesar de o explorador encontrar tribos onde todos usavam "uma flecha furada muito venenosa que, se ferir alguém, nem os que a usam conhecem a cura" e de todos serem "antropófagos, co­mendo-se uns aos outros sem problemas" ... Viajar a remos e contra a corrente criou en­tre a tripulação princípios de rebeldia. Pelo que Pedro Teixeira mandou o coronel Bento de Oliveira, com oito canoas, 20 solda­dos e 150 índios ir à frente e servir de guia.
A 3 de Julho, Pedro Teixeira alcançou a foz do Napo (hoje território colombiano), onde se encontrava Bento de Oliveira à sua espera: "Os omagua ocuparam o rio em lon­gitude cerca de cem léguas ( ... ) é gente muito antropófaga ( ... ) só usam a carne hu­mana e usam como troféu os crânios dos que matam, que penduram nas suas casas, e são tão grandes comedores que têm os corpos ro­bustos, andam todos despidos ( ... ) A fertili­dade do Rio Napo é enorme porque tem imensa variedade de peixes, muita carne do monte, imensa juca, muitos frutos de dife­rentes castas e grande número de tartarugas."
Juntos, seguiram até à confluência do Napo com o Aguarico. A 15 de Agosto, chegaram a Payamino, afluente do Napo, viajando a cavalo, em mula ou mesmo a pé. A 14 de Agosto chegaram a Payaunio, no Peru, seguindo por terra até Quito e, a primei­ra coisa que fizeram, entre um cortejo triunfal, foi rezar um Te Deum em acção de graças pelo êxito da viagem, no Santuário de Nossa Senhora de Guápulo. Enquanto aí perma­neceu, o explorador elaborou a sua "Relação", pedindo no final da mesma que acreditassem no seu relato: "E todo o conteúdo desta re­lação certifico e juro pelos santos Evangelhos, deve passar tudo por verdade por tê-lo andado e visto com os meus olhos e recordo muitas coisas, não querendo parecer fantasioso."
Ao tomar conhecimento da chegada da expedição a Quito, o vice-rei do Peru (a colónia espanhola de Quito estava ligada ao vi­ce-reinado de Lima) ordenou que Pedro Tei­xeira regressasse a Belém, a fim de impedir qualquer projecto holandês pela via fluvial que havia sido aberta. E ordenou que Teixei­ra fosse acompanhado por uma pessoa de confiança, para conhecer o caminho e relatá-lo em Espanha ao Conselho das Índias. O escolhido foi o frei Cristobal D'Acuna.
A 16 de Fevereiro de 1639, iniciou-se o regresso a Belém, tendo Pedro Teixeira escolhido um caminho mais curto. A 15 de Agos­to, o explorador fundou a povoação de Fran­ciscana (hoje Tabatinga), na margem esquer­da do rio do Ouro, em homenagem aos dois franciscanos sacrificados pelos índios encabe­lados e em nome da coroa de Portugal.
A 12 de Dezembro, após 26 meses de viagem, a sua comitiva chegou a Belém. Estava consumada a ligação entre Quito e Be­lém nos dois sentidos. A totalidade do rio Amazonas pertencia aos portugueses.
Acumulado de honrarias, recebeu o títu­lo de capitão-mor do Grão-Pará e Filipe IV (III de Portugal) concedeu-lhe o título de marquês de Aquella Blanca. No dia 1 de Dezembro desse mesmo ano, Portugal libertava­-se do domínio espanhol. Pedro Teixeira pre­parava-se para regressar à pátria mas foi sur­preendido pela morte, a 6 de Junho de 1641. O maior vulto militar do Brasil colonial, aque­le que preparou a futura penetração e domínio português na Amazónia, está sepultado na Igreja Matriz - Catedral de Belém, no Brasil. Por terras lusas, uma estátua da autoria de Celestino Alves André homenageia o herói, em Cantanhede, num largo que tem igualmente o seu nome.
Jesuítas para a rua
Outro grande desbravador da região foi An­tónio Raposo Tavares (1598-1658). Saindo de São Paulo, em 1648, pela tradicional via de acesso do rio Tietê, atingiu o rio Paraguai, depois o Guaporé, o Madeira e finalmente o Solimões-Amazonas, o qual navegou até Gurupá, no actual estado do Pará, de onde regressou a São Paulo. Três anos foram consumidos nesta jornada reveladora do espírito aventureiro do bandeirante.
"Temos de expulsar-vos de uma terra que é nossa, e não de Castela", dizia Raposo Tava­res, aos espanhóis, para anexar terras ao Brasil. Aquele que se destacou nas lutas contra os holandeses, nasceu em Beja, no Alentejo, por volta de 1598. Filho de Fernão Vieira Tavares, governador da capitania de São Vicente, foi para o Brasil em 1618 e radi­cou-se em São Paulo, em 1622.
As bandeiras de Raposo Tavares desti­navam-se primordialmente a aprisionar indígenas mas asseguraram também a presença portuguesa, evitando a ampliação do domí­nio espanhol. A sua primeira expedição, em 1627, seguiu para Guaíra. Visava expulsar os jesuítas espanhóis e anexar terras ao Brasil.
De regresso a São Paulo, exerceu cargos políticos, sendo excomungado pelos jesuítas e deposto pelo governador. Acabou absolvi­ do e reposto nas suas funções, participando de uma outra expedição em 1636. Nessa ocasião, dirigiu-se ao Tape, no centro do actual estado do Rio Grande do Sul. Expulsos os jesuítas, os quais Raposo Ta­vares não suportava (e vice-versa), voltou a São Paulo, onde era considerado herói.
Entre 1639 e 1642, Raposo Tavares de­dicou-se a acções militares. Como capitão de companhia, integrou o contingente enviado do Sul para prestar socorro às forças sitiadas na Bahia. Em missão semelhante esteve em Pernambuco, onde tomou parte na longa batalha naval contra os holandeses. A última e maior de suas bandeiras, em busca de prata, iniciou-se em 1648 e durou mais de três anos. Foi o seu trajecto mais ambicioso e extenso, rumo ao extremo oeste, indo até ao coração da Amazónia, chegando à foz do rio Xingu.
A expedição, que percorreu 1O.OOOkm, saiu de São Paulo, seguiu pelo interior do continente, atravessou a floresta amazónica e chegou ao actual estado do Pará. Foi a segunda viagem de reconhecimento geográ­fico em território brasileiro. Raposo Tavares morreu na cidade de São Paulo, em 1658.
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Os riscos e as catástrofes naturais

A diferença entre risco e catástrofe
Todos os dias os telejornais abrem com notícias de catástrofes que provocaram várias vítimas ou causaram prejuízos avultados. Normalmente por ano ocorrem:
--> 12 milhões de tremores de terra, sendo que cerca de 100 tem efeitos devastadores para as sociedades;
--> 100 mil tempestades;
--> 10 mil inundações;
--> centenas de deslizamentos de terras e tornados;
--> e alguns furacões, fogos florestais, erupções vulcânicas, secas e tsunamis.

Fig. 1 - Os diferentes tipos de riscos.
É necessário não confundir um risco com uma catástrofe. O risco é a probabilidade de uma catástrofe ocorrer. Este risco resul­ta da conjugação da probabilidade do fenómeno se verificar e da vulnerabilidade das pessoas, dos seus bens, dos equipamentos e das infra-estruturas da região afectada.
Para que um aconteci­mento possa ser considerado uma catástrofe é necessário que o mesmo tenha uma certa amplitude (consequências devastadoras), um carácter súbito e que seja um fenómeno excepcional, ou seja, que não ocorra com frequência.
 
Obs. Para visualizar o resto deste artigo, por favor, clique no seguinte link:
 
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O planalto transmontano - Nordeste de Portugal

Trás-os-Montes : Nordeste de Portugal
Trás-os-Montes, é uma província de Portugal Continental, criada pela divisão administrativa de 1936 que compreende sobretudo vastas extensões planálticas elevadas (à volta dos 700-800 metros de altitude), dominadas por algumas serras não muito altas e cortadas por bacias que correspondem a abatimentos tectónicos e por entalhes erosivos muitas vezes guiados por acidentes estruturais.

O clima desta região reflecte a influência da cadeia montanhosa que abriga a região a Oeste (formada entre outras, pelas serras do Gerês e da Peneda) e a da sua posição no conjunto da Península Ibérica (note-se que o Nordeste Transmontano é a área portuguesa mais afastada do Oceano Atlântico, a uma distância pouco superior a 200 Km). Se no Noroeste de Portugal a precipitação chega a ultrapassar os 3000 mm, já na região do Nordeste Transmontano esta vai diminuindo à medida que se caminha para o interior, chegando a atingir apenas 600 mm nos planaltos orientais e menores quantidades, ainda, nas áreas rebaixadas, onde as influências atlânticas mal conseguem penetrar.

Quanto à temperatura, os contrastes térmicos acentuam-se do mesmo modo em Trás-os-Montes: Invernos mais frios e secos (com temperaturas inferiores a zero graus e com o solo coberto de neve, por vezes durante largos períodos) e Verões mais quentes. Há mesmo um velho ditado que diz que nesta região tem-se três meses de Inverno e três meses de inferno. Estas características físicas influenciam claramente as actividades rurais ainda muito ligadas às tradições.

No planalto transmontano, a organização do espaço rural está estruturada a partir das unidades de povoamento aglomerado (casas muito juntas umas das outras), características da região.

Em torno de cada aldeia ficam primeiramente as culturas mais delicadas e exigentes, como as hortícolas (antes também o linho), que é preciso regar e estrumar em abundância. Essas culturas aparecem também ao longo dos cursos de água, mas aí dominam os prados naturais, designados por lameiros.

A seguir, ficam os campos de cereal abertos, tradicionalmente agrupados em dois sectores, ou folhas, que permitem a alternância de centeio com um ano de pousio. Acrescente-se ainda a presença de àrvores de fruto, muitas vezes no anel de agricultura intensiva (agricultura onde o solo não tem descanso - sem pousio), junto à aldeia, e a vinha em alguma encosta soalheira mais propícia.
Trás-os-Montes é assim uma região que tem os seus encantos por as suas gentes continuarem a manter, em grande parte, as suas tradições. É de facto um local que se aconselha a visitar e a preservar.
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Trás-os-Montes: retrato de uma aldeia (Vilar de Izeu)

Vilar de Izeu: o retrato de uma aldeia do nordeste transmontano - Portugal Continental
Localização geográfica:
Figura 1. As províncias de Portugal Continental (No canto superior direito localiza-se a província de Trás-os-Montes).
A aldeia de Vilar de Izeu tem como coordenadas geográficas: Latitude 41º 45’ N e Longitude 7º 19’ W e uma altitude de 751 metros e encontra-se no seio dos planaltos de Trás-os-Montes, entre o rio Tâmega (que banha a cidade de Chaves) e o rio Rabaçal e a Norte da Serra da Padrela e a Oeste da Serra da Nogueira. Vilar de Izeu é uma aldeia típica dos planaltos de Trás-os-Montes, situada entre serras.
Figura 2. O município de Chaves e concelhos limítrofes.

Figura 3. As freguesias do concelho de Chaves. (Na freguesa de Oucidres localiza-se a aldeia de Vilar de Izeu).
Vilar de Izeu, juntamente com Vila Nova, é uma das aldeias pertencentes à freguesia de Oucidres, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes (Nordeste de Portugal Continental).
Figura 4. A localização da aldeia de Vilar de Izeu.
A aldeia de Vilar de Izeu situa-se nas extensas áreas planálticas, monótonas e quase nuas (despidas de vegetação arbórea), retalhadas por depressões e vales encaixados (estreitos e mais ou menos profundos) por onde correm alguns dos afluentes do rio Douro. Sobre estes vastos planaltos erguem-se alguns alinhamentos montanhosos elevados, de que são exemplos as serras do Marão, Padrela, Alvão, Montezinho, Bornes, Nogueira e Mogadouro.
Figura 5. Aspecto do planalto de Trás-os-Montes.

O clima típico em Vilar de Izeu:

O clima característico nesta região apresenta acentuados contrastes com o do Noroeste de Portugal. Assim, na aldeia de Vilar de Izeu o clima é Temperado Mediterrâneo, mas de feição continental, ou seja, comparado com as restantes regiões do país, apresenta Invernos longos e muito frios (a queda de neve nestas áreas é um fenómeno frequente) e Verões bastante quentes e precipitações escassas.
A escassez de precipitações nesta região explica-se por duas razões fundamentais. Por um lado, os alinhamentos montanhosos que separam o Nordeste do Noroeste constituem uma enorme barreira aos ventos húmidos do Oeste. Estes, ao subirem, no lado ocidental, pelas vertentes montanhosas originam ali precipitações abundantes, pelo que, depois de transporem a barreira para Leste, se tornam muito secos.
Por outro lado, a região nordestina é fortemente influenciada pelos ventos de Leste (continentalidade), ou seja, do interior da Península Ibérica, muito secos e frios no Inverno e sufocantes no Verão. Por isso, existe um velho ditado que diz: “... que nesta região existem três meses de Inverno e três meses de Inferno”.Claro que a secura se acentua nas zonas mais deprimidas de Trás-os-Montes, já que os relevos elevados que as rodeiam dificultam a penetração dos ventos de Oeste (mais húmidos).
O espaço agrícola: (principais culturas e técnicas usadas):
Quanto à organização do espaço agrícola, Vilar de Izeu insere-se numa região onde se pratica ainda uma agricultura tradicional de subsistência, onde os produtores agrícolas com mais de 65 ou mais anos perfazem mais de 80% do total da população agrícola.Em termos de estrutura agrária, os campos são normalmente pequenos, embora com dimensão média superior aos do Noroeste (cerca de 7 hectares), e desprovidos de vedações a separá-los entre si (campos abertos).
Figura 6. Os campos abers típicos de Trás-os-Montes.
Nas áreas em torno da aldeia de Vilar de Izeu domina o sistema agrícola extensivo, em afolhamento bienal. Isto é, os campos, geralmente limpos (sem árvores), são divididos em duas folhas, sendo uma delas ocupada com cereais de sequeiro, como o centeio e o trigo, mas com predominância para o primeiro, enquanto a outra fica em pousio.
Os cereais ocupam assim o primeiro lugar dentro das culturas temporárias, com realce então para o centeio, que ocupa mais de metade das explorações e da área cultivada. Note-se que o centeio é um cereal de terrenos pobres, acidentados, secos e pedregosos e de clima excessivo, de feição continental. É um cereal em que, em tempos, Portugal era auto-suficiente, pois a sua produção tem vindo a diminuir ao longo dos anos.
É nesta região (interior nortenho) que se produz mais de 90% da produção nacional, salientando-se os distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Viseu.No entanto, num anel mais ou menos largo a envolver a aldeia, a agricultura assume um carácter intensivo e policultural (várias culturas numa mesma parcela agrícola), nelas se dispondo as culturas mais exigentes e delicadas, como as hortícolas e a batata, que é necessário regar e estrumar abundantemente, e algumas árvores de fruto, destinadas principalmente ao autoconsumo.
Figura 7. Exemplo de policultura em redor de uma aldeia, como a de Vilar de Izeu, em Trás-os-Montes.
A batata cultiva-se na grande maioria das explorações, mas ocupa uma área não muito grande e, a sua produção tem vindo a diminuir. As explorações com culturas permanentes são bastante numerosas e ocupam uma área um pouco superior à das culturas temporárias. Salientam-se o olival, a vinha e os soutos (castanheiros).
Também a vinha, onde outrora, em Vilar de Izeu, todos tinham os seus lagares e produziam o seu próprio vinho, tem vindo a diminuir, sendo hoje muito raro encontrar quem tenha lagares e produza para proveito próprio. Ao longo dos tempos, sempre foram os solos, geralmente pobres e acidentados e o clima relativamente excessivo, que dificultaram, no seu conjunto, as actividades agrícolas e pecuárias.
Em relação à pecuária onde a água o permite, desenvolvem-se as pastagens e cria-se o gado suíno e bovino. Antigamente, nesta aldeia e, para a maioria dos pequenos agricultores, as máquinas agrícolas, no sentido moderno do termo, praticamente não existiam. As terras eram lavradas com arados recorrendo-se à força de tracção animal, usando-se para isso os bois, cavalos, burros ou mesmo mulas.
Na preparação da terra, muito do trabalho era essencialmente manual, com a utilização da enxada, o que exigia muita mão-de-obra, quase sempre constituída pelo agregado familiar ou alguns assalariados, e um enorme esforço físico dos homens e mulheres. Apenas os animais de tracção, sobretudo o boi, puxando o arado, a charrua e a grade, constituíram e constituem ainda preciosos auxiliares nesta operação cultural.
Antigamente, os produtos agrícolas eram transportados, do campo para casa e vice-versa, em carros de bois, mas havia também quem os transportasse no seu próprio corpo (meio pessoal ou lombar).Também, em tempos mais remotos, quando, na aldeia, alguém tinha um trabalho mais pesado, isso era divulgado de boca em boca e essa pessoa sabia antecipadamente que não precisava de pedir ajuda pois ela iria aparecer.
Figura 8. A malha (debulha) manual do centeio em Trás-os-Montes.
Os trabalhos mais pesados, como a vindima, o arranque das batatas, a sementeira, a recolha dos fenos, a segada (ceifa) ou a malhada do centeio (separação do grão da palha) eram trabalhos que envolviam muitos meios humanos. Actualmente a máquina veio substituir muitos desses meios.
Constituição geológica:
No que respeita à constituição geológica, a aldeia de Vilar de Izeu insere-se numa extensa área onde domina o granito, apesar de no Nordeste Transmontano dominarem claramente os xistos. Os solos graníticos (que podem ser arenosos ou argilosos), pobres em cálcio e em ácido fosfórico (dois dos elementos fundamentais na alimentação das plantas), são, no entanto, bastante férteis quando suficientemente húmidos, mas muito pobres quando demasiado secos.
Este tipo de solo predomina em parte de Trás-os-Montes. Os solos xistosos, pouco permeáveis e, muitas vezes, pedregosos e pouco espessos, são, em regra, pobres e de cultura ingrata. Ocupam a maior parte do Nordeste de Portugal.
A actividade industrial:
Em termos industriais, Vilar de Izeu encontra-se naquela que é a região maior produtora de hidroelectricidade (devido ao carácter encaixado e rochoso dos vales dos rios, são numerosas as barragens) mas, esta região continua a apresentar um grau de industrialização muito modesto, não tendo grande significado no contexto nacional. O desenvolvimento industrial continua ainda a ser muito fraco.
As vias de comunicação:
As vias de comunicação, apesar de muitos melhoramentos são, no contexto nacional, raras e más (Vilar de Izeu encontra-se a uma distância de: 17 Km para Leste da sede de Concelho (a cidade de Chaves); 52,1 Km para Oeste da cidade de Bragança; 62,7 Km para Nordeste da cidade de Vila Real, e a 126,9 Km para Nordeste da cidade do Porto.
Relativamente ao país vizinho (Espanha), Vilar de Izeu localiza-se a 121 Km para Sudeste da cidade de Vigo e a 156,2 Km para Su-Sudeste da cidade de Santiago de Compostela. Figura 9. As principais vias de comunicação no concelho de Chaves. O acesso à aldeia de Vilar de Izeu pode-se fazer através da Estrada Nacional Nº 103 (que liga as cidades de Chaves e Bragança) com duas alternativas: uma com desvio na Bolideira, via Bobadela e outra com desvio nas Assureiras do Meio, via Avelelas).
Antigamente, a maioria das pessoa deslocavam-se a pé. Não existiam carros como os de hoje (com muitos cavalos), mas sim, carros construídos na própria aldeia, puxados por bois ou burros e eram muito poucas as pessoas que os tinham.
A demografia da região:
As redes hospitalar e escolar são deficientes e a assistência médico-sanitária deixa ainda muito a desejar. Face a este panorama não é de admirar que a densidade populacional do interior nortenho seja muito fraca, embora constituam excepção alguns núcleos férteis isolados onde a população se concentra, como os de Veiga de Chaves, Vale de Lafões, Cova da Beira e outros.
Em termos demográficos, Vilar de Izeu é uma aldeia envelhecida e despovoada, tal como muitas outras desta região, resultado do fenómeno migratório que teve o seu auge nas décadas de 60 e 70 quando muitos casais saíram do país, rumo aos países industrializados da Europa Ocidental, que devastada pela IIª Guerra Mundial, necessitaram de numerosa mão-de-obra (França, República Federal da Alemanha, além de outros) ou ainda em direcção ao litoral Norte do país ou mesmo em direcção à região da capital (Lisboa) em busca de um futuro melhor.
O isolamento imposto outrora a Vilar de Izeu bem como a outras aldeias pela deficiência das vias de comunicação que as ligam ao resto do país, a pobreza e o carácter acidentado do solo, a dureza do clima aliado à sua secura e a resistência tenazmente oferecida à influência das formas de vida moderna explicam, pelo menos em grande parte, que a região do Nordeste seja uma das regiões portuguesas de mais baixo nível socioeconómico, onde a estagnação é ainda uma realidade indiscutível, o que se tem reflectido num permanente êxodo da sua população quer para as regiões do litoral quer para o estrangeiro.
Oucidres, a freguesia onde se insere Vilar de Izeu, conta actualmente com um número de habitantes inferior a 300 e a aldeia com um número inferior a 50.
Figura 10. Exemplo de desertificação no Nordeste Transmontano.
Estas como muitas outras aldeias, enchem-se de vida somente no mês de Agosto, altura do regresso de férias de muitos dos emigrantes. É também neste mês que ocorrem as tradicionais festas populares, muitas delas, em honra dos seus compatriotas que foram, outrora, forçados a migrar para poderem sobreviver. Em Vilar de Izeu ocorrem também neste mês de Agosto as festas em honra do seu santo padroeiro: São Tomé.
O tipo de povoamento rural:
Figura 11. Casa de granito típica de Vilar de Izeu. (Actualmente esta casa encontra-se alterada, fruto da modernidade, não apresentando a varanda que se observa na figura).
O povoamento rural, dominante nesta região, é o concentrado. A aldeia de Vilar de Izeu é um exemplo disso. É uma aldeia pequena como muitas outras, com as casas de granito (excepto as mais recentes, todas muito juntas) uma vez, que o carácter acidentado do terreno dificilmente comportaria aldeias muito grandes.
Porém, como antigamente a terra era (e ainda continua a ser, embora cada vez menos) explorada em regime comunitário, também isso favoreceu a concentração da população em aldeias para maior facilidade de realização dos trabalhos agrícolas comuns.
O património histórico:
Em relação ao património histórico, perto da aldeia de Vilar de Izeu pode-se visitar o Castelo de Monforte, a capela do Larouco e a imponente Igreja Matriz em Oucidres. Tal como em Oucidres, também em Vilar de Izeu se pode apreciar as casas feitas em granito e a capelinha de devoção a São Tomé.
Relativamente a esta capelinha, conta o povo, com base numa lenda já muito antiga, que este Santo era irmão de Santo André e, que, um dia Santo André, por estar muito aborrecido com a preguiça que pairava entre os habitantes da sua aldeia, resolveu abandonar o seu altar para ir em busca de outra freguesia melhor.
Porém, quando chegou ao sítio das Almas, no caminho para Vilar de Izeu, encontrou o seu irmão, Santo André, que tinha procedido de forma semelhante e pelas mesmas razões. Depois de uma longa conversa concluíram que o melhor seria continuarem nos seus templos, a missionarem e a lutarem contra a preguiça do seu povo, uma vez que os paroquianos sofriam todos do mesmo mal.
Assim, decidiram permanecer nos seus altares onde ainda hoje continuam a velar pelos habitantes das suas aldeias.Outras construções que se podem visitar em Vilar de Izeu: para quem se desloca de Oucidres para Vilar de Izeu pode observar à entrada da aldeia uma fonte centenária, construída em granito, (a fonte de “Rigueiros”) onde outrora as raparigas quando iam buscar água aproveitavam para namoriscar os rapazes.
Também nesta fonte, as mulheres da aldeia aproveitavam a água para lavarem a roupa, costume que se perdeu por completo até porque o sítio onde elas lavavam os corpetes e os aventais, infelizmente já não existe. À saída da aldeia e a caminho de Bobadela existe também outra fonte, conhecida no antigamente como a fonte de “Bobadela” apesar da mesma pertencer a Vilar de Izeu. Estas duas fontes foram actualmente recuperadas e mostram um pouco dos antepassados desta região.
Uma outra fonte, a da “Pipela” na “Corôa da Quinta” como se chama lá na aldeia, infelizmente não mereceu ainda o mesmo tratamento das anteriores, mas nem por isso deixa de ter a mesma beleza. Um outro local também interessante e que mostra como os mais antigos se deslocavam para buscarem água límpida para o seu consumo é o chamado “Poço da Quinta” com vários degraus, por vezes submersos, que as pessoas tinham de descer até atingirem esse bem tão precioso.
Infelizmente, hoje encontra-se tapado por uma grade e bastante degradado. Quanto às belezas naturais, destaca-se, no meio de algumas árvores, um imponente carvalho, no meio do sítio designado por “Salgueiro” a caminho de Oucidres, onde muitas vezes os agricultores, em dias bastante soalheiros, se deslocavam afim de aproveitarem a fresca sombra e aí merendavam e descansavam um pouco antes de voltarem às ceifas ou à apanha da batata. Esta árvore, actualmente com mais de sessenta anos surgiu neste local duma forma bastante hilariante.
Conta-se que há sessenta e poucos anos uma mulher ao casar-se foi morar para a terra do marido. Apesar de não saber trabalhar no campo, acompanhava sempre o seu marido e, sentada no chão ali ficava a observá-lo. Um dia ao encontrar uma bolota, pegou nela e fez um pequeno buraco na terra e enterrou-a.
Curiosamente, pouco tempo depois eis que uma pequenina árvore aflorava à superfície tornando-se hoje naquele que é conhecido por todos em Vilar de Izeu como o carvalho do “Salgueiro” um dos mais imponentes da região.
Memórias do passado de Vilar de Izeu:
Vilar de Izeu, apesar de ser uma pequena aldeia transmontana já teve tempos áureos onde a juventude era uma constante. Hoje, os tempos mudaram, mas convém não esquecer os costumes e usos outrora vividos pelos antepassados da aldeia.
Aqui ficam algumas das características duma vivência que remonta às primeiras décadas do século XX:
- Quando se queria pão recorria-se ao chamado forno do povo que era partilhado por todos os habitantes da aldeia;
- Quando um vizinho precisava de ajuda para as segadas, todos na aldeia uniam esforços e formavam um grupo para o ajudar, formando a chamada “camarada”;
- Terminadas as segadas, dava-se início às “acarrejas” que consistiam no transporte do centeio para as eiras, locais onde o cereal iria ser debulhado ou malhado;
- O cereal que ficava espalhado pelos campos era colocado em pilhas gigantes em forma de pirâmides e às quais se dava o nome de “meda”;
Figura 12. A eira e o palheiro (típicos da região de Vilar de Izeu), actualmente em vias de desaparecimento total.

- Nas malhadas também os mais pequenos podiam participar cumprindo as tarefas que lhes eram previamente definidas;
- Antigamente produzia-se o linho que depois era trabalhado e dava origem a tantas peças magníficas de artesanato. Hoje, essa cultura encontra-se em total declínio;
- Antigamente a matança do porco era um dia de festa. Actualmente este hábito continua, mas a alegria associada a este evento foi-se perdendo;
- A vindima era feita em grupo, mas todos tinham lagar onde produziam o seu próprio vinho.
Outrora, a apanha das uvas era efectuada para pequenos cestos que depois de cheios eram despejados em “barleiros” (cestos maiores), que por sua vez eram despejados em dornas. Terminada a vindima, era necessário pisar as uvas já colocadas no lagar.
Este trabalho era geralmente realizado à noite pelos homens, enquanto as raparigas bailavam e divertiam-se ao som da concertina;
- Os habitantes da aldeia não usavam sapatos, mas sim as socas (tamancos), especialmente no Inverno, e que eram construídas em madeira. Assim mantinham sempre os pés bem quentinhos;
- Os trabalhos domésticos ou caseiros eram organizados pela comunidade feminina da aldeia, mas muitas das tarefas a realizar em prol do bem-estar da aldeia eram discutidas e aprovadas pela comunidade formada pelo próprio povo. Estas tarefas eram geralmente adaptadas às necessidades da aldeia e todos as cumpriam de igual forma,
- Não se falava de política pois era extremamente perigoso fazê-lo e, como tal, era proibido tocar nesse assunto;
- Outrora não existia televisão e as notícias passavam de boca em boca, mas se fossem divulgadas na igreja então eram aceites como verdadeiras;
- Não existindo televisão, tanto os jovens como os adultos distraiam-se, os primeiros com as suas brincadeiras e os segundos com os jogos, hoje apelidados de populares;
- As crianças divertiam-se fazendo a corrida das rodas, jogando a “bilharda” ou ao pião, entre outras brincadeiras;
- Os adultos gostavam muito de jogar o “Fite” um jogo parecido com o jogo das malhas, mas com regras diferentes. Actualmente existem ainda aldeias do concelho de Chaves onde se organizam torneios de “fite”. Também se jogavam as “gralhas” (um jogo parecido com o “fite”) e a “malha ferrinha”, entre outros;
- O souto (castanheiro) era e continua a ser uma presença viva em torno da aldeia. As castanha sempre fizeram parte do quotidiano dos seus habitantes. Porém, antigamente, era costume alguns rapazes deslocarem-se ao campo e fazerem uma cova onde colocavam algumas castanhas envoltas em areia seca, sendo a cova tapada por folhas e terra.
Este método permitia conservar, durante alguns meses, estas castanhas frescas e prontas a serem usadas a qualquer momento. Assim, quando chegavam os meses de Maio ou Junho já ninguém, na aldeia, possuía castanhas nem sonhava podê-las encontrar noutros locais. No entanto, quando já ninguém acreditava, eis que uma espécie de milagre acontecia e esses rapazes apareciam com as castanhas que tinham escondido, revelando o mistério e fazendo um enorme magusto para todos;
- Por altura do ano novo, mais propriamente no dia 6 de Janeiro (dia de Reis) as crianças formavam grupos que ordeiramente, com uma sacola às costas, batiam a todas as portas dizendo” Boas Festas e Bom Ano, darão-nos os Reis” na esperança de receberem algo em troca. Os sacos normalmente enchiam-se de produtos que eram produzidos pelos donos das casas, como por exemplo: maças, figos secos, castanhas, nozes ou até mesmo rebuçados;
- Na altura da Páscoa, havia, geralmente, bailes que eram muito animados e onde se juntavam pessoas oriundas de outras aldeias;
- No Entrudo (carnaval) não existiam corsos carnavalescos, máscaras e nem samba. Cada um mascarava-se como podia. Geralmente os homens disfarçavam-se de mulheres e vice-versa.
A cara era usualmente tapada com panos ou rendas. Ao início da noite, haviam adultos que se mascaravam e percorriam todas as casas da aldeia cumprimentando os seus proprietários, mas sem proferirem uma única palavra. Só após o términus deste evento se ficava a saber afinal quem era quem.Com este artigo, pretendeu-se dar a conhecer um pouco da história (passado e presente) de Vilar de Izeu, uma entre muitas outras aldeias, por vezes esquecidas, mas que encerram em si um passado bastante rico e uma beleza por vezes rara, aspectos estes aos quais nem sempre se dá a devida importância.
Vilar de Izeu é de facto uma aldeia muito pequena, mas que merece e vale a pena ser visitada.
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Turismo Rural - Parque Natural de Montesinho - Nordeste de Portugal

Modalidades do Turismo em Espaço Rural - Portugal

O turismo em espaço rural engloba diversas modalidades , a saber:

Turismo Rural: é o aproveitamento de casas rústicas pertencentes a particulares que, pela sua traça, materiais de construção entre outras características, se integra na arquitectura típica regional;

Agro-Turismo: é um serviço prestado em casas de particulares que se encontram integradas em explorações agrícolas, que permitem aos seus hóspedes o acompanhamento e o conhecimento das actividades agrícolas ou a participação nos trabalhos que se desenvolvem nesses locais;

Turismo de Habitação: é um serviço prestado aos hóspedes pelas famílias de casas antigas particulares que, devido ao seu valor arquitectónico, histórico ou artístico, são representativas de uma determinada época. Nesta categoria encontram-se muitos solares e casas apalaçadas.

Casas de Campo: é o aproveitamento de casas pertencentes a particulares e casas de abrigo situadas em áreas rurais, que devido à sua traça, materiais de construção entre outras características, se integram na arquitectura e ambiente rústico da área ou local onde se situam. Estas casas podem ou não ser utilizadas como habitação própria pelos seus proprietários, legítimos possuidores ou detentores das mesmas.

Turismo de Aldeia: é um empreendimento composto no mínimo por cinco casas pertencentes a particulares, situadas numa aldeia histórica, centros rurais ou aldeias, que mantenham, o seu conjunto urbano, estético e paisagístico típicos da região ou local onde se situam.

Turismo de Natureza: Esta forma de turismo tem como principal objectivo associar a ocupação dos tempos livres ao contacto com a natureza, em áreas de paisagem protegida, reservas ou parques naturais como o de Montesinho no Nordeste de Portugal Continental.

Nos últimos anos a procura destes espaços tem vindo a aumentar, mas essa procura tem sido limitada a um número muito restrito de actividades para que se mantenha a preservação do património ambiental, salvaguardando assim a biodiversidade (conjunto da flora e fauna) desses locais.
Em áreas como a do Parque Natural de Montesinho, podem-se encontrar diversas modalidades de hospedagem - Turismo em Espaço Rural e Casas da Natureza: Casas -abrigo (serviço de hospedagem prestado a turistas em casas recuperadas, a partir do património do Estado); Casas-Retiro (serviço de hospedagem prestado em casas recuperadas que mantêm o carácter genuíno da sua arquitectura, a partir de construções rurais tradicionais) e Centros de Acolhimento (serviço de alojamento prestado a grupos de turistas - em edifícios contruídos de raíz ou adaptados - com vista à educação ambiental, visitas de estudo e de carácter científico.
Existem também serviços complementares e desenvolvem-se actividades de animação ambiental que podem contribuir para:
-->a divulgação da gastronomia, do artesanato, dos produtos e tradições (usos e costumes) da região onde se inserem;
--> a observação local das magníficas paisagens, das formações geológicas, da flora (plantas), da fauna (animais) e respectivos habitats;
--> a prática desportiva que possa ser desenvolvida sem prejuízo da Natureza.
O Parque Natural de Montesinho - Nordeste de Portugal

O Parque Natural de Montesinho, situado no Nordeste de Portugal (Trás-os-Montes) a Norte de Vinhais e Bragança, foi criado em 1979 e é actualmente um dos maiores espaços de área protegida em Portugal.

O Parque Natural de Montesinho apoia:

--> a realização de feiras anuais onde os visitantes podem apreciar os famosos produtos fumados tradicionais de Vinhais;

--> a apicultura (arte de criar abelhas e de aproveitar os seus produtos);

--> a protecção de raças autóctones (nascidas na mesma terra onde habitam) de ovinos e de bovinos;

--> a organização de exposições e de concursos anuais em Bragança e Vinhais;

--> a reconstituição e conservação das grandes florestas de carvalhos e de soutos (castanheiros) duma forma sustentável (tendo em vista o futuro);

--> medidas de protecção contra os incêndios e a erosão dos solos.

O Parque Natural de Montesinho promove, também, o desenvolvimento do turismo em espaço rural, o artesanato, a construção de equipamentos de acolhimento, a gastronomia e a arquitectura tradicional da região de Trás-os-Montes.

O Parque Natural de Montesinho e o turismo nas áreas rurais têm contribuído para o desenvolvimento de Trás-os-Montes, dado que:

--> criam postos de trabalho - quer pela construção de equipamentos e de infra-estruturas de implementação e suporte às actividades desenvolvidas;

--> promovem o desenvolvimento de outras actividades como os serviços (transportes, banca, telecomunicações, etc.) e alguns tipos de indústria;

--> contribuem para o encontro de culturas;

--> projectam a cultura da região de Trás-os-Montes no Mundo;

--> permitem a troca de experiências entre as populações locais e os seus visitantes, o que por vezes contribui para a difusão de inovações;

--> incentivam o desenvolvimento do artesanato local;

--> promovem a qualidade dos produtos da região;

--> valorizam o património paisagístico e/ou cultural das áreas onde se insere, através da recuperação e conservação desse património;

--> dinamizam as áreas pouco povoadas e em regressão, revalorizando-as;

--> contribuem para a fixação da população, em especial a população jovem;

--> evitam o despovoamento das áreas rurais;

--> melhoram os rendimentos das populações locais através da acumulação de actividades;

--> minimizam as assimetrias (sociais, culturais, demográficas, etc.).

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