A higiene dos 4 patas
Cuidados a ter com os nossos animais de estimação
Ter ou não ter um animal doméstico é uma opção individual. E são muitas as razões que podem influenciar essa opção. Quem se decidiu por não ter um cão ou um gato em casa pode tê-lo feito porque qualquer um deles dá trabalho e implica alguma disponibilidade, por não concordar com a presença de animais no espaço doméstico, por não sentir qualquer empatia com eles ou até devido a fobia. Mas quem decidiu em sentido contrário reconhece nos animais companheiros de quatro patas, com provas dadas no combate à solidão e na estimulação do desenvolvimento e sociabilização das crianças.
Para estas pessoas partilhar o ambiente doméstico com um cão ou um gato é, pois, uma fonte de prazer. Mas é também uma fonte de responsabilidade, pois um animal doméstico requer cuidados. Não basta alimentá-los, há que zelar pela higiene e pela saúde, sob pena de colocar a saúde da família em risco. É que os animais são veículo de doenças, algumas delas transmissíveis ao homem.
A higiene é fundamental, quer quando o animal está confinado a casa, quer quando contacta com o exterior. Naturalmente que um cão ou um gato habituados a passeios pela rua ou a escapadelas pelas vizinhanças comportam mais riscos, mas todos eles beneficiam de cuidados de higiene.
E os primeiros cuidados devem acontecer em casa, reservando ao animal um espaço próprio, mas em que a zona de alimentação esteja separada à destinada às necessidades fisiológicas. E em matéria de alimentação deve haver a preocupação de utilizar utensílios próprios para a comida e a água do animal, nunca a louça da família.
Mais caseiros, os gatos tendem a satisfazer as necessidades fisiológicas num caixote próprio, com areia ou outro material absorvente que deve ser substituído com regularidade. Assim se evita o acumular de urina e fezes e a libertação de odores desagradáveis. Convém que este caixote seja colocado sobre piso duro e lavável: é que os tapetes ou alcatifa são mais atractivos e um alvo fácil da urina. Já os cães, precisam normalmente dos seus passeios diários que aproveitam para fazer as "necessidades". Aqui o risco é de contaminação de espaços públicos, sobretudo dos frequentados por crianças. Deve-se, pois, recolher as fezes com a ajuda de um saco de plástico.
Hora do banho
A higiene dos companheiros de quatro patas envolve o banho. O que não é propriamente o momento mais apreciado por eles nem pelos donos. Manter um cão controlado não é fácil, molhar um gato muito menos. Mas de vez em quando tem de ser ...
Antes dos dois meses, o cão não deve tomar banho, sendo que, a partir daí. a frequência varia em função da raça. O melhor é recorrer ao conselho veterinário, pois a regularidade do banho tem a ver com a sensibilidade da pele, o tipo de pêlo e o habitat do animal.
O ideal seria que o banho ocorresse no exterior, o que nem sempre é possível quando se vive num apartamento na cidade. A banheira substitui então o quintal ou o jardim, devendo ser colocado um tapete anti-derrapante para que o cão se mantenha o mais estável possível durante os cuidados de higiene. É certo e sabido que um cão dificilmente pára quieto quando está a ser lavado ...
Há que ter à mão todos os produtos e acessórios, para que a tarefa seja mais fácil. As orelhas do animal devem ser protegidas com uma pequena bola de algodão, de modo a impedir a entrada de água. Uma gota de óleo mineral à volta dos olhos ajuda a prevenir a irritação provoca da pelo champô. Quanto ao champô, deve ser usado um específico para cães, dado que os produtos de uso humano são mais agressivos, sensibilizando a pele do animal. Existem, além disso, champôs que associam a limpeza à desparasitação, o que pode ser vantajoso.
No momento de molhar o cão, deve verificar se se a água está morna e usar o jacto o mais próximo possível do pêlo: geralmente, lava-se da parte traseira para a cabeça, mas enxagua-se em sentido contrário.
Depois do banho há que secar: com a ajuda de uma toalha ou até do secador (no caso de cães com pêlo muito comprido). Embora se saiba que os cães apreciam libertar-se da água agitando-se e espalhando-a à volta ... Cães desparasitados e escovados com regularidade nem sempre necessitam de banho, podendo a higiene fazer-se com recurso a produtos de aplicação a seco (sob a forma de pós).
Já dar banho a um gato é tarefa mais árdua. Os felinos são conhecidos pela sua aversão à água, além de que são, por natureza, animais limpos, que promovem a sua própria higiene. Mas se o gato doméstico regressar a casa imundo o mais provável é que precise de ser lavado. Há que usar champô adequa do e água morna, colocando-o na banheira já com água (mas não muita) pois o barulho da torneira e da água a correr pode assustá-lo. Pela mesma razão, molhe-o com suavidade, evitando jactos fortes, tentando manter-lhe a cabeça fora de água. Olhos e ouvidos também devem ser protegidos. Finalmente, seque-o com uma toalha e escove-o.
Para gatos com muita aversão à água, uma tolha húmida e quente pode ser suficiente para a higiene. Desde que se trate de um gato verdadeiramente doméstico ...
Escovar é preciso
Depois da higiene propriamente dita, outro dos cuidados fundamentais quando se tem um animal em casa é a escovagem do pêlo. Para o manter limpo e saudável, livre de para sitas e resíduos. Além disso, escovar permite avaliar o estado de saúde da pele e detectar eventuais lesões, contribuindo também para a renovação capilar.
Tal como no banho, há que usar acessórios próprios, estando disponíveis escovas e pentes para cães e gatos, adequadas aos diferentes tipos de pêlo. Para obter melhores resultados, é conveniente escovar com regularidade e até diariamente se o animal tiver o pêlo longo e espesso, de modo a evitar que se formem nós ou tufos. O mesmo cuidado deve ser adoptado na época de muda de pêlo, contribuindo para o bem-estar do animal e para a limpeza da própria casa. Os gatos possuem uma ferramenta muito útil para esta tarefa: a língua. Graças à sua superfície áspera, remove os pêlos mortos ao mesmo tempo que ordena e areja a pelagem. O único problema é a ingestão das bolas de pêlo daí resultantes, mas existem já alimentos secos que favorecem a sua eliminação.
Os animais de pêlo comprido ou muito denso requerem uma atenção particular, que, além da escovagem, envolve a tosquia. Sob pena de se estar a penalizar a saúde do animal: é que sob o pêlo pode gerar-se um ambiente de humidade favorável ao desenvolvimento de infecções.
A tosquia deve, no entanto, ser efectuada por profissionais, pois a falta de perícia ou o desconhecimento dos procedimentos adequados pode deixar marcas na pele.
Pequenos grandes cuidados
Na higiene do animal, seja cão ou gato, não devem ser descurados os "pormenores": ouvidos, olhos, unhas e bigodes devem ser devidamente limpos e cuidados. Assim, para os ouvidos deve ser usado um cotonete ou uma pequena mecha de algodão, seco ou embebido em água tépida, mas tendo o cuidado de não introduzir demais no canal auditivo, pois há o risco de provocar uma lesão. Este procedimento permite uma limpeza superficial, própria da higiene regular, devendo as limpezas mais profundas ser confiadas ao veterinário.
Cães e gatos beneficiam deste cuidado, na medida em que a higiene dos ouvidos contribui para a prevenção de otites.
Também a limpeza dos olhos deve ser regular. Usando um pedaço de algodão embebido em água tépida e insistindo nos cantos. É que, sobretudo nos gatos, o canal lacrimal fica obstruído com alguma frequência, o que dá origem ao acumular de um resíduo acastanhado nos cantos dos olhos. Outra zona sensível, em que se acumulam resíduos, são os bigodes. Os dos gatos constituem um importante órgão sensorial, pelo que de vem ser limpos com regularidade, de preferência após as refeições. Estes companheiros de quatro patas necessitam ainda de cuidados de "manicure". Nuns e noutros, aparar as unhas é essencial, mas nos gatos é ainda mais importante: é que, se não lhes cortarem as unhas, eles tomam a iniciativa, arranhando as superfícies disponíveis, o que pode significar estragos no mobiliário.
Deve ser usado um instrumento adequado, tendo o cuidado de não cortar demasiado. As unhas dos gato colocam uma dificuldade adicional pelo facto de serem retrácteis. Há que exercer uma ligeira pressão para que apareçam e cortar apenas a porção translúcida. Esta é uma operação delicada, podendo ser mais prudente recorrer ao veterinário.
Todos os cuidados de higiene destes animais de companhia devem ser iniciados precocemente, de modo a criar habituação. Com a certeza de que contribuem para animais bonitos e, sobretudo, saudáveis. E para um ambiente doméstico saudável, em que a presença de um cão ou de um gato seja, de facto, uma fonte de prazer.
Dentes sãos
Cães e gatos necessitam, tal como os seres humanos, de cuidados de higiene oral.
Os dentes são igualmente susceptíveis ao acumular de tártaro, ao desenvolvimento de cáries e de outras doenças da boca. Ambos têm duas dentições - a temporária, que nos cães é constituída por 28
dentes e nos gatos por 26, e a definitiva, correspondente a 42 dentes nos cães e 30 nos gatos. E é preciso cuidar deles desde cedo, habituando o animal à higiene oral. Primeiro com uma gaze ou um pedaço de algodão, que se enrola à volta de um dedo para massajar dentes e gengivas. Depois com uma escova de dentes apropriada (ou uma escova infantil) e dentífrico formulado especificamente para cães ou gatos (a pasta de uso humano não é adequada). Paralelamente, deve ser vigiada a alimentação, evitando alimentos cuja consistência favoreça a aderência de resíduos aos dentes e preferindo os que estimulam a mastigação. Com o mesmo objectivo, podem ser oferecidos ao animal brinquedos próprios.
Vigiada deve ser também a boca do animal, em busca de sinais que possam indiciar uma infecção: mau hálito, gengivas vermelhas e inchadas, placa amarelada sobre os dentes, sangramento ou dor ao toque. Se assim acontecer, deve consultar se o veterinário para um exame mais rigoroso.
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