Aprenda a manter a calma quando os filhos a põem doida

Quando os seus filhos a põem doida: aprenda a manter a calma.
Uma criança que não aparece depois de ter sido chamada três vezes ou um adolescente que desafia as regras podem ser o rastilho suficiente para se perder a calma. Depois de a raiva passar, os pais ficam muitas vezes envergonhados, perguntando-se a si próprios como foi possível que a recusa do filho em comer os feijões provocasse tamanho ataque de fúria. Asseguro-lhes que essa raiva é normal. Mas que hipóteses têm os pais de exprimir a sua raiva e resolver os problemas sem magoar os filhos ou ofender o seu amor próprio? É claro que não existem soluções perfeitas, mas existem métodos que talvez ajudem a criar um pouco mais de paz nos vossos lares:
1.Estabeleça prioridades.
Ao definir regras, os pais têm que decidir o que é realmente importante nas suas famílias. Pergunte a si próprio: «Será que daqui a uma semana isto terá importância?» Valerá a pena discutir por causa de esparguete ao pequeno-almoço ou jeans com buracos nos joelhos? Também pode fazer duas listas, uma de regras inflexíveis e outra de regras flexíveis. Os pais costumam ter problemas com este tipo de situações. Certa vez um pai perguntou-me se «as regras não são todaspara cumprir?» «Se os meus filhos souberem que estou disposto a ceder, vão aproveitar-se disso.»
Pelo contrário - se os seus filhos souberem que há certas regras que são negociáveis, ficam mais receptivos a colaborar em relação às que não o são. Um pouco de liberdade ajuda bastante a encorajar as responsabilidades.
2. Saia ou aguarde um pouco.
A rai­va descontrolada é assustadora. Uma mãe contou-me que certa vez viu-se ao espelho por acaso quando gritava com o filho. O que viu chocou-a. «Era a imagem de uma mulher com um ar enlouquecido e uma face distorcida», recorda. «Pensei: meu Deus, esta sou eu!» Quando não temos respostas alternativas para a nossa fúria, dizemos e fazemos coisas das quais nos arrependemos mais tarde. Por isso, não esqueça: saia ou aguarde um pouco. Nos momentos de fúria, a retirada ou o silêncio são por vezes a melhor resposta. Quando uma mãe pediu ao seu filho de 8 anos que fizesse os trabalhos da escola e lhe desligou a televisão, o miúdo empurrou-a e voltou a ligar o aparelho. Enfurecida, levantou a mão, mas depois controlou-se e disse: «Estou tão furiosa contigo que o melhor é ir-me embora daqui.» Mais tarde, o rapazinho pediu desculpa.
Alguns pais pensam que se «saírem» ou «aguardarem» pode parecer que estão a desistir. Mas poucas crianças veriam as coisas desse modo. Com a atitude daquela mãe, o filho apercebeu-se certamente que fora longe demais. Se lhe tivesse batido, seria difícil convencê-lo de que não se deve empurrar nem bater. Sair da sala pode ser um método bastante eficaz para indicar que acha­ mos a situação muito grave. E a vantagem de ficar calado é o facto de nunca nos arrependermos.
3. Fale muito, ralhe pouco.
Se não consegue evitar falar quando ainda está furiosa, evite acusações directas, que podem magoar. Fale na primeira pessoa, para não afectar o amor­próprio da criança. Quando estiver zangada, diga: «Estou furiosa» em vez de «És impossível». O importante é exprimir o que sente e não fazer declarações sobre o carácter da criança. As crianças não gostam de receber ordens e não podemos censurá-las por isso. Em vez de dizer «As tuas roupas estão sempre espalhadas no chão! Como podes ser tão desmazelado?», diga antes «As roupas que não forem postas no cesto não são lavadas». As crianças sentem-se mais dispostas a colaborar quando ouvem frases neutras do que quando lhes são feitas críticas.
4. Seja breve.
Uma mãe minha conhecida ficou fula quando o filho utilizou o seu computador novo, não tendo autorização para o fazer. Disse-lhe que estava furiosa e ainda que ele deixara a sala numa desordem, o leite fora do frigorífico e se esquecera de dar a comida ao cão. No final, a criança estava visivelmente perturbada. A maioria das crianças deixa de prestar atenção depois da primeira frase, tornando-se surda às mães. Se for breve, a mensagem tem mais hipóteses de chegar ao destino. Não faça explicações muito longas. Conheço muitos pais cujos filhos de 5 anos já estão aptos a entrar na Faculdade de Direito. Estes pais pensam que, se derem aos filhos explicações suficientes, os miúdos deixam de estar interessados naquilo que queriam inicialmente. Nem pensar; os miúdos têm tempo de sobra para a massacrar com pedidos, na tentativa de a fazerem ceder. Quando a criança perguntar «Por que é que não posso?», não lhe dê um sermão. Em vez disso, pergunte-lhe «O que é que te parece?» ou use o seu sentido de humor: «Queres a minha explicação de dois minutos ou a de vinte minutos?»
5. Fale do presente.
Um exemplo: uma amiga minha e o filho, um rapaz de 14 anos, tinham concordado que, se ele quisesse manter o seu emprego como paquete de um pronto-a-comer, teria que fazer os deveres logo a seguir à escola. Um dia, a mãe ouviu música no seu quarto e perguntou-lhe o que estava ele a fazer. Quando o rapaz encolheu os ombros, dizendo que não tinha muitos trabalhos de casa, a mãe começou a pregar-lhe um sermão. «Eu já devia saber que tu não eras capaz de cumprir o prometido!», gritou. No fim da conversa, ela acusou-o de reprovar a todas as disciplinas. «Por esse andar», disse por fim, «só vais servir para moço-de-fretes». Mais tarde, concordou que fora totalmente injusta. «Em poucos minutos, fiz-lhe acusações sobre os próximos 20 anos da sua vida», referiu. «Ele ficou revoltado, claro.» Não faça previsões terríveis. Fale do presente.
6. Escreva.
Em vez de falar, leve o tempo que for preciso, para anotar os seus pensamentos. E difícil conservar a fúria enquanto procuramos papel, caneta e nos sentamos, tentando reflectir acerca do que vamos dizer. As crianças dão muito mais importância àquilo que lhes escreve­ mos. Podemos assim conseguir uma maior aproximação. Certo dia, o porteiro de um prédio queixou-se à mãe de um garoto sobre o comportamento do seu filho. A mãe ia ralhar com o filho, mas decidiu escrever-lhe um bilhete:
«Querido filho: O porteiro viu-te a brincar na entrada do prédio e, quando te pediu para parares, respondeste-lhe mal. Este bilhete é uma advertência. Eu e o teu pai temos orgulho no filho que temos e esperamos que respondas sempre às pessoas com educação e respeito. Se quiseres, podes falar comigo ou com o pai em qualquer momento. Gosto muito de ti. Mãe»
Depois de receber esta nota, o rapaz pediu desculpa ao porteiro e à mãe. Não ficou na defensiva porque, em vez de o atacar, a mensagem expressava confiança em como ele podia fazer melhor.
7. Recupere os bons sentimentos.
É inevitável que por vezes não levemos a melhor, mas não é tão grave como parece. Tanto os pais como os filhos desejam que os bons sentimentos prevaleçam, mesmo quando as batalhas se tornam mais violentas. Por isso, é importante pacificar as relações o mais depressa possível quando todos tiverem acalmado.
Alguns pais preocupam-se com o facto de que pedir desculpa lhes poderá retirar a autoridade, mas na realidade mostra respeito para com os sentimentos da criança. Ao pedir desculpa, os pais ensinam-lhe que toda a gente se pode enganar e que não há qualquer problema em admiti-lo. Há muitas maneiras de fazer as pazes. Por vezes, um abraço e a simples frase «A mãe adora-te» são suficientes. Outras vezes, principalmente no caso de crianças mais velhas, é necessária uma conversa mais demorada. Pode começar com um comentário do género « Hoje o dia foi difícil, não foi?» ou «Diz lá como é que a mãe te pode ajudar…».
Estas técnicas não são infalíveis mas, é bom saber que, como pais, têm alguns truques na manga. Apesar de a paternidade ser um assunto sério, nós encaramo-la muitas vezes demasiado a sério. Por vezes, o peso das nossas responsabilidades não deixa margem para a alegria de estar com os nossos filhos. Se soubermos como reduzir os confrontos amargos com as nossas crianças, poderemos apreciá-las melhor como os espontâneos e maravilhosos seres humanos que são.

2 comentários:

  1. Criar filhos não é nada fácil, as dicas são ótimas muitas já tentei usar mas na hora da raiva é bem complicado e como você sita no texto depois vem o arrependimento.

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  2. Eu tenho um filho de 11 anos é uma amor de criança mas começou a ter seus ataques de adolescência, procuro sempre manter a calma senão fica difícil.

    abraço

    Valter

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