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O fascínio primitivo do fogo

O poder atractivo do fogo
Numa noite escura no princípio do Inverno, num parque nacional, vi fogueiras bruxuleantes junto de cada tenda. Eram fogueiras pequenas mas inten­sas que arremessavam chispas por entre as árvores e «ladravam» como terriers furiosos às canelas dos campistas.
À roda delas, as pessoas aqueciam-se com as mãos em concha e conversavam, olhando as chamas. No Verão, o parque de campismo estaria cheio de música amplificada e do ruído dos geradores produzindo calor, luz e barulho.
Mas ali não havia música enlatada nem o brilho cinzento da televisão. As pessoas estavam banhadas pela luz amarela e reconfortante da fogueira, em paz umas com as outras e com a noite. Tinham vindo para a montanha para este ritual de fogo, sonho e histórias partilhadas, Tinham vindo pela fragrância do fumo da madeira queimada e pelo seu calor sagrado.
O ser humano sempre se interrogou sobre o fogo. Os po­vos primitivos situavam-no nas origens da Natureza, cren­do que algum antepassado o roubara aos deuses. Continuamos ainda a aproximar-nos do fogo com uma devoção quase religiosa. Escolhemos cuidadosamente a madeira.
Colocamo-la segundo regras precisas. Talvez um tronco de ácer novo no fundo da fogueira, para queimar lentamente e aguentar os outros troncos ao longo da noite. Os gravetos são cuidadosamente colo­cados em pilhas ou sobre papel de jornal amassado ou pinhas. O frei­xo, o vidoeiro amarelo e o carva­lho ficam no cimo da pirâmide, talvez com um galho de macieira para dar aroma. E um ritual tão rígido como o da comunhão. Quem acende a fogueira é como um sa­cerdote e quem ousar mexer no seu fogo comete um sacrilégio.
Somos meticulosos e ritualistas porque o fogo exerce um poder in­vulgar sobre as nossas mentes. O fogo é um estímulo forte para os sonhos e a poesia, as coisas que fazem de nós seres humanos, mas estão muitas vezes arredadas do nos­so espírito por causa da nossa avi­dez de riqueza e de poder. O fogo liberta-nos da prisão dos acontecimentos e abre as portas dos sen­tidos. Olhamos para os troncos quei­mados, onde as chamas dançam em tons de azul e a madeira se vai transformando magicamente em luz e fumo. As pálpebras começam a pesar-nos enquanto observamos a translucidez palpitante das brasas.
Talvez as nossas mentes estejam adaptadas ao fogo do mesmo modo que os nossos olhos estão calibra­ dos para o sol. Quando a foguei­ra se inflama, sentimos algo de familiar e ancestral. O ensaísta in­glês E. V. Lucas escreveu: «O fumo de uma fogueira ao ar livre está carregado de recordações. Uma ba­forada, e por um momento fugaz estamos em ligação com os nossos antepassados mais recuados e tudo o que é elementar e primiti­vo em nós desperta.»
Não o primitivo selvagem, o medo dos animais na noite, mas o pri­mitivo de sonho e de companhei­rismo. O calor de uma fogueira é extraordinariamente semelhante ao calor do amor e faz-nos pensar nas nossas ligações com os outros. Ao fixar as chamas de uma fo­gueira de Inverno, perdemos a no­ção do dia. É difícil ser-se crítico ou altivo ao pé de uma fogueira. As fogueiras são propícias ao ro­mance, à amizade, à conversa e às canções. «Os conselhos mais sen­satos são dados junto ao fogo», es­creveu Lucas. «A simpatia e a com­ preensão mais afectivas tornam-se então explícitas.»
Foi ao redor da fogueira que as famílias se reuni­ram, que a Humanidade aperfei­çoou a fala, criou canções e ex­plorou os mistérios. Foi ao redor do fogo que os nossos antepassa­dos ofereceram os seus sacrifícios aos deuses, e o fumo que elevava as preces para os céus estabelecia a ligação entre a religião e a at­mosfera doméstica.
Essa ligação entre fogo e fé que­brou-se nos tempos modernos. A ruptura começou quando os alqui­mistas medievais, tentando trans­mutar os metais não preciosos em ouro, acenderam o fogo dentro das fornalhas, onde já não conseguiam sentir o seu fascínio e a sua sen­sualidade.
Em meados do século XIX, as fo­gueiras domésticas começaram também a ser fechadas. Um fogão de sala conservava mais tempo o ca­lor num aposento e perdia menos calor pela chaminé. Dos fogões, os homens passaram às fornalhas e às caldeiras.
O fogo perdeu o seu po­der hipnótico. «Quem consegue ser espirituo­so, quem pode ser humano dian­te de um fogão a gás?», lamenta­-se Lucas. «Pouco diz ao olhar e nada à imaginação.» No seu livro In the Image of Fire, o religioso erudito David M. Knipe escreve sobre um amigo que acreditava que «a destruição da sensibilidade na vida moderna se devia largamente à ausência das fogueiras abertas nas casas. Os lares sem lareiras não têm «centro«, nem um ponto para onde olhar em busca daquela fantasia tão essencial a cada ser humano».
À medida que fomos deixando de acender as lareiras, adoptámos substitutos deprimentes: o tronco de cerâmica que oculta muito bem a chama do gás, a lareira de lajes de imitação e de celulóide, ilumi­nada por detrás por lâmpadas eléc­tricas acinzentadas. Mas ainda que­ remos olhar para as chamas.
Talvez que a atenção talhada nos nossos espíritos por milénios pas­sados a fixar o fogo seja o que nos mantém ociosamente, horas a fio, presos ao écran da televisão. Um produtor de software investiu nes­ta ideia e criou uma lareira em ví­deo. Basta introduzir uma cassete no gravador de vídeo e ficar en­roscado junto a uma fogueira que crepita no écran da televisão! Não há fumo. Nem cinzas. Nem calor, tão-pouco.
Mas o fogo jamais deixará de exer­cer a sua atracção naqueles de nós que buscamos o seu fulgor con­templativo. E descobrimos por en­tre as suas chamas dançantes uma renovação da nossa fé nos outros.
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As mais belas lendas do Brasil

A lenda do Curupira
O Curupira é um ser de cabelos vermelhos, corpo peludo, dentes verdes e pés virados. Um duende brasileiro. Seria uma criatura horripilante se não fosse bonzinho. Ele protege os animais da floresta de caçadores maldosos que matam os seus filhotes. Só tolera caçadores que caçam por necessidade. Grita, assobia, imita os bichos para atrapalhar os homens que o seguem até se perderem para sempre no mato.
Um certo dia o Curupira encontrou um índio caçador dormindo na floresta. A criatura tinha muita fome e decidiu comer o coração do homem, que parecia apetitoso. O índio acordou apavorado, mas fingiu não ter medo. Como se fosse muito natural, o Curupira pediu um pedaço do coração do homem. O índio, que não era tolo, pediu para o Curupira fechar os olhos e tirou duma bolsa um coração de macaco. O Curupira comeu, gostou e pediu mais. O caçador, vendo a ingenuidade do outro, pediu em troca um pedaço do coração do duende. Não tendo visto o índio sofrer nada e acreditando que tinha comido o seu coração, o Curupira, que não era lá muito esperto, enfiou a faca no seu próprio peito e caiu morto. O índio fugiu e jurou não voltar mais à floresta.
Um ano se passou quando Jacira, filha do índio, muito vaidosa, pediu ao pai um colar diferente. O caçador lembrou-se que o Curupira tinha dentes verdes que brilhavam como esmeraldas. Voltou à floresta e achou o esqueleto encoberto pelo mato. Quando o índio tentou arrancar os dentes da criatura, o Curupira voltou à vida, recompondo todo o corpo num passe de mágica. O COISA-FEIA agradeceu ao homem por tê-lo ressuscitado. Coitado, não sabia de nada e resolveu retribuir a bondade, dando um arco com flechas mágicas. Era só apontar para uma ave ou um animal e atirar. Nunca erraria o alvo. No entanto, avisou que se apontasse para um bando de bichos, acabaria morto por eles.
O índio tornou-se o maior caçador de todos os tempos. Um dia, esquecendo a recomendação do Curupira, atirou num bando de pássaros, só para ver se acertava em mais de um ao mesmo tempo, exibindo-se para os amigos. Um pássaro morreu, mas os outros atacaram-no. O pobre índio ficou então todo despedaçado. Era a cabeça para um lado e as pernas para outro. O Curupira viu tudo e, com pena, remontou o índio com uma cera encantada. Como nada é tão simples nesta vida, aconselhou o homem a não comer ou beber nada muito quente, senão derreteria para sempre. Essa era a última vez que poderia ajudá-lo. Um dia, a mulher do índio serviu-lhe um prato tão apetitoso que o guloso comeu tudo super quente e super rápido. Coitado, derreteu todinho. Moral da história: Se alguém mata um bichinho indefeso, acaba encontrando o Curupira, ou seja, cedo ou tarde acaba por se dar muito mal.
A lenda do Saci
O Saci é um negrinho de uma perna só, que usa um chapéu vermelho e segura sempre um cachimbo. Pede tabaco a toda agente que encontra. É danado e bastante travesso e adora atrapalhar a vida das pessoas. Vive atiçando os pobres dos cães, assusta constantemente os gatos, dá nós no rabo dos cavalos e deixa o feijão queimar na panela. Briga é com ele mesmo, o pestinha.
Certo dia um carpinteiro e os seus companheiros tinham que construir um barracão no meio da floresta. Como estavam longe do sítio em que moravam, decidiram dormir ali mesmo, quando o dia acabasse. Estavam todos descansando em volta de uma fogueira, conversando e jogando cartas. O carpinteiro resolveu passear, aproveitando o luar na floresta. Sentou­ -se num tronco de árvore perto de um rio, preparando o seu cachimbo. De repente, apareceu um Saci e o homem quase morreu do coração pois nunca tinha visto uma criatura como aquela.
O Saci, muito sem-vergonha, pediu um pouco de tabaco para o seu cachimbo. O carpinteiro, fingindo não ter medo, ofereceu o que tinha. O Saci disse que assim não queria, tinha que ser picadinho. O pobre homem picou o tabaco com um canivete tremendo mais do que vara verde. Mas nem assim o Saci estava satisfeito. Bem cínico, per­guntou ao coitado se ele trabalhava com madeira. Pediu, então, uma PERNA-DE-PAU. Pediu não, mandou o homem fazer. Não queria mais ter só uma perna, queria ser como toda a gente. Isto não era um defeito de nascença, pois todos os sacis nascem assim, só com uma perna. Mas ele queria duas e pronto. Voltaria em três dias. Se a encomenda não esti­vesse pronta, tornaria a vida do homem num inferno.
O carpinteiro contou a história aos outros que não acreditaram em nada. Três dias depois, apareceu o saci, cheio de razão, cobrando a PERNA-DE-PAU. Desta vez, os homens presenciaram a apa­rição e desataram a correr para tudo que era lado, cada um mais apavorado que o outro. O Saci ameaçou toda a gente e eles iam ver só o que era desgraça. O carpinteiro disse que cumpriria a promessa. Pensou então numa forma de enganar o Saci. Queria trabalhar rapidinho, terminar a obra e sumir. Achava que terminaria tudo antes do terceiro dia. O Saci, muito esperto, fez de tudo para atrapalhar o serviço. Dava tudo errado naquela obra. Os pregos desapareciam, a madeira quebrava e o trabalho atrasou como nunca. O Saci voltou como tinha prometido. Deu mais três dias para o carpinteiro, que não tinha mais desculpas. Fez uma perna de madeira bem bonitinha, do tamanho do Saci e até pintou de preto para combinar com a cor negra da sua pele.
O Saci até que gostou da perna, mas abusando da paciência do outro, pediu uma perna para cada saci da família. O homem, apavorado, ia passar o resto da vida fazendo pernas para tantos sacis que apareceram. Estes iam todos brigando entre si para serem os primeiros. O carpinteiro teve então uma ideia para acabar com a confusão. Construiu um baú bem grande, jogou um monte de grãos de feijão dentro e disse para o Saci que quem pegasse mais grãos, ganhava a perna. Era um truque, pois a ideia era trancar aquele monte de sacis dentro do baú. O problema é que o saci mais chato de todos já tinha uma perna e não tinha interesse na disputa. O homem não teve dúvida, arrancou a perna do Saci e jogou-a na caixa de madeira. O bando de sacis atirou-se para pegar a perna, inclusive o danadinho. Rapidamente, o carpinteiro fechou o baú com um enorme cadeado. Levou-o para a floresta, onde ainda deve estar até hoje. Tomara, entretanto, que ninguém tenha aberto o baú, pois existem sempre aqueles dias em que nada dá certo e isso pode ser sinal que haja um saci livre andando por aí.
A lenda do Papagaio e o Tamanduá
O Papagaio é um pássaro de bico torto. Ficou assim no tempo em que as aves ainda falavam. Era o bicho que mais falava na floresta. Não fechava a boca até conseguir o que queria. Enchia a paciência de toda a gente. O Tamanduá é um bicho de focinho comprido com um grande nariz para sugar formigas. Seria muito feio, se não fosse tão querido.
As florestas eram muito sem graça. Naquela época, as flores, as folhas e as frutas eram todas brancas. As aves e os outros bichos da floresta, cansados daquela monotonia de cores, reuniram-se em assembleia para discutirem e acharem uma solução. É claro que o Papagaio, sempre metido, coordenava a reunião. Falava o tempo todo sem chegar a conclusão alguma, até que o Tamanduá interrompeu. Sugeriu que se pintasse a floresta. O Gavião, que voa bem longe, poderia ir até às nuvens, onde vive a deusa das florestas, e pedir tinta de todas as cores. Todos adoraram a sugestão, menos o invejoso papagaio que queria ter ele tido a brilhante ideia. O Gavião foi falar com a deusa. Ela deu-lhe as tintas, mas pediu que não fizessem muita bagunça na natureza.
A ave foi e voltou muitas vezes, até trazer tinta suficiente para a grande obra. O Papagaio ofereceu-se para cuidar das latas até começar a pintura. Curioso, abriu as latas e derrubou tudo no chão. Só pensava em si mesmo. Resolveu então pintar-se todinho, usando todas as cores. Só não teve tempo de pintar o bico e os pés, pois os outros bichos chegaram. Estes ao verem o sucedido quiseram dar uma surra no Papagaio. No entanto, um sapo sensato pediu que parassem, afinal todos sabiam que o papagaio era uma criatura fútil e egoísta. O Tamanduá, sim, era responsável e deveria tomar ele conta de tudo. Afinal, era ele o dono da ideia. Ficou então decidido que o papagaio seria afastado do cargo. E lá foi o Gavião falar com a deusa da floresta. Contou tudo o que tinha acontecido, pediu desculpas e mais tinta. A deusa precisava da tinta para um arco-íris, mas deu mais uma hipótese para a bicharada.
Os animais começaram a pintar a floresta enquanto o Tamanduá coordenava o trabalho. O Papagaio, muito egoísta, pediu que lhe dessem tinta para o bico e os pés. Queria pintá-los de dourado. Os outros animais não lhe deram qualquer tipo de importância ao pássaro arrogante. Ele se emburrou e se escondeu para não ter que ajudar ninguém. Este ficou então atrás de uma árvore bisbilhotando os outros trabalhando.
Quando a floresta estava quase pronta, a deusa apareceu para visitá-los. Ficou surpresa com a belíssima combinação de cores. Disse que não conseguiria fazer um trabalho tão perfeito sozinha. Os bichos organizaram uma grande festa para comemorar, mas o Papagaio não foi convidado. O Papagaio não tinha ainda o bico torto, tinha o bico mais bonito de todas as aves. O Tamanduá não tinha um focinho comprido, tinha o focinho mais bonito de todos os bichos. O Papagaio, sempre vingativo, resolveu transformar o Tamanduá num bicho ridículo.
Lembrou que o Tamanduá tocava flauta na banda da floresta. O pássaro malvado fez uma flauta de bambu e disse para o Tamanduá que era mágica. Um presente da deusa da floresta. Com ela poderia tocar o som mais lindo do mundo, só que deveria ser tocado com o focinho dentro. O Tamanduá enfiou o focinho na taquara. Coitado do bicho, ficou preso. Ninguém conseguia tirá-lo. O Gavião correu para a deusa da floresta pedindo socorro. A deusa, com a ajuda dos bichos mais fortes, arrancou o bambu, que voou longe, acertando em cheio no bico do Papagaio.
Foi assim que o Tamanduá ficou com o focinho comprido e o Papagaio com o bico torto. Para completar, a deusa resolveu castigar ainda mais o Papagaio. O bicho tagarela ia passar o resto da vida falando, não o que ele pensasse, só o que ele ouvisse. Por isso, os papagaios repetem tudo que a gente fala.
A lenda da Iara, a Sereia
Uma sereia é uma mulher com rabo de peixe. No mundo inteiro, ouvem-se histórias de sereias que vivem no mar, em lagos e rios, encantando os homens com canções sedutoras. A Iara vivia num lago escondido no meio da floresta. Era muito bonita. Tinha cabelos negros muito longos e olhos tão verdes quanto a água do lago. A sereia cantava as suas músicas estranhas, deitada sobre uma pedra, apanhando o Sol como tal como todas as meninas gostam de fazer. Um índio chamado Jaguarari caçava na floresta quando ouviu aquele som maravilhoso que vinha detrás das árvores. Escondendo-se atrás de um arbusto, espiou a moça. Só conseguia observar da cintura para cima, não vendo o seu rabo de peixe FURTA-COR. Ficou lá ouvindo a cantoria até adormecer enfeitiçado. Quando acordou, a moça não se encontrava mais lá.

O rapaz voltou para a aldeia muito triste por não ter tido coragem de falar com ela. Não sabia o seu nome, nem de onde vinha. Desde aquele dia, passou a procurar a moça nas tribos das redondezas. Ninguém sabia de uma menina tão bela que cantasse músicas tão lindas. Decidiu voltar para o lago pois ela poderia aparecer por lá. O índio era o mais belo dos rapazes. Era forte, alto, um grande caçador. Sabia tudo de plantas e animais. Todas as moças queriam casar com ele. Mas o moço só pensava na desconhecida. Um dia, a sereiazinha apareceu nadando no lago e então ele pôde ver um rabo de peixe enorme batendo na água. Não podia acreditar que a moça era uma sereia. Nunca tinha visto uma, só tinha ouvido lendas muito antigas contadas pelos seus antepassados. Ela começou a cantar aquelas melodias estonteantes e ele ficou ainda mais apaixonado. Aproximando-se do rapaz, disse que se chamava Iara. Convidou-o para nadar com ela. Não sabia que ele era diferente. Nunca tinha visto um homem também. Quase arrastou o Jaguarari para o fundo do lago. O moço apaixonado explicou que poderia morrer afogado. Assustada, Iara desapareceu no lago. O coitado nunca mais teve sossego. Só pensava na amada. Não queria saber de caçar ou pescar, só queria vê-la outra vez. Não queria mais viver sem ela. Remava dia e noite pelos lagos daquela imensa floresta até o dia que, numa noite de luar, a sua canoa desapareceu. Aquela estranha canção podia ser ouvida por toda a parte. Era Uma canção feliz. Dizem que Iara levou o Jaguarari para sempre.

A lenda do Lobisomem
Um lobisomem é metade lobo e metade gente. É o primeiro de uma família de sete filhos. Normalmente é magro e amarelo. Nas noites de lua cheia, de preferência nas sextas-feiras, transforma-se em lobisomem e ataca toda a gente ou bicho em busca de sangue. Antes do amanhecer, procura sempre um cemitério, onde se transforma de novo em homem. Num povoado à beira do rio, vivia uma família de sete filhos. O mais novo era fraquinho e amarelado, com aquela cor de lobisomem.
Toda a gente dizia que ele era um. O pobre moço fingia não ouvir aquela fofoquice. Afinal, mesmo que fosse um, não tinha culpa. A natureza tinha-o feito assim. Um dia, pescando no rio, viu uma bela moça lavando roupa. Não deu muita importância, pois achava que não tinha muitas hipóteses com as mulheres.
De repente, uma trouxa de roupa da moça caiu na água. O rapaz, todo heróico atirou-se e salvou a trouxa da correnteza. Ela, agradecida, pediu que ele fosse até sua casa, onde a mãe lhe daria roupas secas e um chá quente para não se constipar. O moço acabou aceitando o convite. Acabaram se apaixonando e começaram a namorar. Os rumores na cidade aumentaram e todas as pessoas perguntavam para a menina se ela tinha a certeza que o namorado não era um lobisomem. Ela começou a ficar desconfiada, mas gostava tanto dele que não podia nem queria a acreditar.
Um dia, sexta-feira à meia-noite, a mocinha sentou-se no jardim de sua casa, apreciando a lua cheia. O namorado tinha ido para casa cedo, com a desculpa de uma dor de cabeça. Estava lá, sonhando com o seu amado, quando um bicho horroroso, que mais parecia um cão enorme, pulou na sua frente. A coisa horrorosa atacou a moça, mordendo o seu braço. A moça gritava como louca e conseguiu fugir para casa não tendo dormido nada naquela noite onde quase morreu de susto.
No dia seguinte, bem cedo, foi ver o namorado e contar a história, aos prantos. O rapaz sorriu, achando tudo palermice. No entanto, este entre os seus dentes tinha um fio vermelho do tecido da blusa da sua amada. Esta apavorada, viu que o seu namorado era mesmo um lobisomem. Não teve medo naquele momento, porque não era noite e já era Sábado. Decidiu que, por amor, salvaria o seu querido da maldição. Perguntou a toda a gente o que fazer. Ninguém sabia. Ouviu falar de um homem que morava na mata, bem longe da cidade, e que poderia ajudá-la. Um velhinho negro com cabelos brancos era a sua última esperança. Este disse para ela não se preocupar e que se tivesse amor pelo rapaz e coragem para ir sozinha a um cemitério de noite e tudo estaria resolvido.
Para isso precisava espetar um espinho de laranjeira que tivesse sido plantada à meia-noite de uma sexta-feira com lua cheia. Para sorte da moça, o preto velho tinha o hábito de plantar laranjeiras à meia-noite de sextas-feiras de lua cheia. Era meio caminho andado.
A moça foi confiante para o cemitério. Tremia de medo enquanto um vulto apareceu atrás de um túmulo, era ele. Quando se ia transformar, zum, ela pulou em cima do bicho fincando o espinho nas suas costas. O monstro peludo deu um grito horripilante e transformou-se no namorado da moça. Estava salvo do encantamento. Casaram e, graças a Deus, tiveram só cinco filhos, todos fortes e bem corados. Existem pessoas que não acreditam, mas se forem à meia-noite numa sexta-feira ao cemitério quem sabe se não serão confrontadas com um lobisomem?
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A cartomancia e a leitura da sorte

As cartas não mentem
Dizem que as cartas não mentem. Claro que se fala das cartas de baralho. Porém, as suas previsões podem dar certo ou errado. Quando as previsões não se realizam, explica-se que o erro não foi das cartas, mas da sua interpretação. Por outro lado, quando alguma profecia se cumpre, dizem os cépticos que se trata de mera coincidência.
A cartomancia é a arte de adivinhar pela leitura e interpretação das cartas de jogar. Para predizer o futuro (especialmente em relação à sorte e ao destino das pessoas) ou descobrir factos desconhecidos do passado e do presente, a cartomante consulta as cartas que deita na mesa. Para ela, cada carta tem um significado, que só tem valor a partir do momento em que é interpretada em conjunto com as outras.
Cada adivinho tem métodos próprios e pessoais, porque segue um certo dom intuitivo de adivinhação. Mas, de modo geral, os quatro diferentes naipes do baralho significam:
OUROS - infelicidade; pessoas de cabelo louro ou alourado;
PAUS - felicidade; pessoas morenas ou de cabelo castanho-escuro;
ESPADAS - infelicidade; pessoas morenas ou de cabelo castanho-escuro;
COPAS - felicidade, pessoas louras ou alouradas.
A coisa é bastante complicada, pois, além dos diferentes naipes, cada carta pode significar algo. As figuras, por exemplo correspondem, de modo geral, a:
REI - homem casado;
DAMA - mulher;
VALETE - homem jovem, solteiro;
As cartomantes costumam utilizar um baralho de 32 cartas (do Sete ao Ás), em que as figuras só têm uma cabeça. Isso porque, quando as figuras aparecerem invertidas na consulta, terão significados opostos ao que representam na posição normal.
A cartomancia originou-se no antigo Egipto, quando apareceram as primeiras cartas. Depois difundiu-se entre os árabes, os gregos e todos os povos do Oriente Próximo.
Na corte de Luís XIV, rei de França, e durante o império napoleónico, a cartomancia esteve em voga.
Os ciganos e a sorte
No mundo dos ciganos a sorte é levada muito a sério. Na Europa os ciganos chamam a sorte de Bakht, palavra de origem persa. Os sérvios representavam a sorte em duas figuras mitológicas: a Boa Sorte como uma ninfa dos bosques; o Azar ou Má Sorte, como um velho da mata.
A sorte era associada às pessoas, animais ou coisas. É tão concreta para os ciganos, que até pode ser repartida. Por exemplo: um cigano que se julga azarado pode chegar a esta conclusão interesseira: "O jeito é me casar. A sorte que me falta pode ser compensada pela de minha mulher". (Só que, se a mulher também fosse azarada, ele estaria bem arranjado: o seu azar dobraria.)
Outro hábito ligado à invocação da boa sorte é enterrar dinheiro para ele depois se multiplicar. Mas os próprios ciganos consideram essa "magia" uma grande farsa.
A leitura da sorte é uma das actividades tradicionais dos ciganos, em geral desempenhada pelas mulheres idosas. Essa tarefa é reservada tão-somente às mulheres. Segundo os ciganos, os homens não são capazes de prever o destino, não tendo a habilidade de sentir a mão, como dizem enquanto as ciganas sentem a mão do consulente. Não fazem a leitura das linhas e relevo das mãos através do exame minucioso da sua conformação, como se faz em quirologia. A quiromancia das ciganas é mais intuitiva: elas procuram sentir a mão do consulente através do tacto, apertando a mão, tocando-a, procurando senti-la fisicamente.
A análise das mãos para se descobrir a sorte das pessoas já era praticada pelos ocultistas desde a Antiguidade. Os ciganos herdaram alguns desses conhecimentos e praticam até hoje a quiromancia... mas não entre eles. Não porque não acreditem no que fazem. Ao contrário: acreditam tanto, que têm medo de conhecer o próprio destino...
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Superstições sobre o amor

A sorte e o azar no amor
Quantas vezes, durante o namoro, não desfolhámos já uma margarida ou um malmequer para sabermos se a pessoa amada gosta realmente de nós?
"Bem-me-quer, mal-me-quer" é assim que fazemos até arrancarmos a última pétala e, se no final der "bem-me-quer" até suspiramos de alívio.
Mas será este gesto típico dos mais jovens?
Se pensa assim está completamente enganado pois o desfolhar de uma margarida ou de um malmequer é uma das supertições mais populares sobre o amor.
Mas existem muitas outras. Por exemplo: se dois homens e duas mulheres cruzarem as mãos ao se cumprimentarem, sairá casamento de um dos pares. Ou esta outra: se uma moça encontrar uma vagem com nove grãos, ao descascar ervilhas, é só prendê-la sobre a sua porta e o primeiro homem que entrar será o seu futuro marido.
Também o momento de vestir a noiva para o casamento está repleto de tradições supersticiosas: colocar a grinalda de flores na cabeça é sinal de casamento próximo. Prender o vestido da noiva com um alfinete, também.
Se o noivo vir a noiva vestida, com o fato de cerimónia, antes do casamento, dizem que dá azar.
Se chover na hora do casório ou depois da cerimónia, é bom sinal: os noivos serão felizes.
À saída da Igreja é hábito em muitas regiões atirar-se arroz nos noivos. Sobre esta tradição conta-se que os povos primitivos costumavam dar um valor mágico a inúmeras coisas. Na China, 2000 anos antes de Cristo, o arroz era o símbolo da fartura. Certo dia, um poderoso mandarim quis, por vaidade, mostrar o quanto era rico: no dia do casamento da sua filha, fez cair uma "chuva" de arroz nas suas extensas terras. Sem saber, ele iniciava uma tradição que perdura até hoje: a de se atirar punhados de arroz sobre os noivos, após a cerimónia nupcial. Este gesto é uma forma bonita de se desejar fartura e boa sorte aos recém-casados.
Depois do casamento, é tradição a noiva atirar o seu bouquets de flores para o meio das convidadas. A moça que o apanhar será a próxima a se casar. Em alguns países a tradição manda que o noivo entre com a noiva nos braços, na casa em que irão morar. Isso trará felicidade.
No interior do Brasil é hábito fazer-se uma festança depois do casamento. Dizem que quem não dá festa vai ser pão-duro como a personagem da Walt Disney: o "Tio Patinhas".
No Brasil, o mês consagrado às noivas é o Maio, mas há lugares em que os noivos fogem desse mês. Essa superstição vem dos antigos romanos. Para eles, o mês ideal era Junho, uma vez que esse era o mês consagrado à deusa Juno - a rainha das deusas -, protectora do casamento e das mulheres. Esta divindade, Juno - (Hera) em grego - tinha por missão distribuir os impérios e as riquezas entre os homens e os casamentos estavam também sob a sua influência.
Depois que os deuses mitológicos foram aposentados e se recolheram ao Olimpo para um merecido descanso, os santos da Igreja foram invocados pelos namorados. Santo António, São João, São Gonçalo, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Lurdes, são santos casamenteiros, santos que ajudam os fiéis a resolverem os seus problemas matrimoniais!.
Em Portugal, por altura das festas populares da cidade de Lisboa, altura em que se comemora o Santo António, ocorrem os tradicionais casamentos abençoados pelo santo padroeiro da cidade.
Existe também uma antiga e bela tradição referente aos aniversários de casamento. Dizem que dá sorte aos casais se lhes oferecer-mos presentes feitos do material relacionado com o símbolo do aniversariante. E os principais símbolos dos aniversários de casamento são os seguintes:
1º ano - algodão ou papel;
2º ano - papel ou palha;
3º ano - couro ou açucar-cande;
5º ano - madeira, lã, flores;
10º ano - estanho;
12º an - seda ou linho;
15º ano - cristal;
20º ano - porcelana;
25º ano- prata;
30º ano - pérola;
35º ano - coral;
40º ano - esmeralda;
45º ano - rubi;
50º ano - ouro;
60º ou 75º anos - diamante.
Porém, as ideias de sorte e de azar obcecam o ser humano desde os tempos primitivos. Podemos verificar a presença dessa preocupação em vários provérbios de origem remota e até hoje utilizados, dos quais se destaca o seguinte: "Casamento e mortalha no céu se talha". Este velho provérbio quer demonstrar, justamente, que a questão de sorte ou azar não existe, pois é no céu, isto é, por Deus, que as coisas da Terra são decididas.
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Amuletos brasileiros

Amuletos estranhos
A lista de amuletos, ou seja, de objectos usados para afastar o mal, é quase interminável: cabeças e dentes de alho; amêndoas; âncoras; chifres de carneiro; galhos de arruda; víboras; caroços de tâmara; castanhas; cavalos-marinhos; cebolas; chaves; garrafas; dentes de javali; lagartixas; nós; vassouras; sapos; tesouras e mil e uma coisas estranhas!
Os hindus usam um tradicional amuleto: pequenas esferas, contendo milhares de elefantes pequeníssimos esculpidos em marfim!
Outro amuleto curioso no Japão: a estatueta de um gato sentado estendendo a pata direita para a frente. Chama-se maneki neko, isto é, "o gato que convida".
Na América Latina acredita-se que os dentes de jacaré protegem a dentição da criança.
De facto são mesmo muitos os tipos de amuletos espalhados por esse mundo fora e cada um com o seu significado.
Amuletos Brasileiros
A influência africana nos usos e costumes populares foi muito grande na Bahia devido ao número do elemento africano ali introduzido como mão-de-obra no Brasil colonial. O misticismo baiano ainda guarda muito dessa influência, especialmente nos amuletos.
Vejamos alguns desses objectos:
AGUIRI - Amuleto dos negros brasileiros descendentes de escravos sudaneses. Segundo eles, o aguiri protege do perigo a pessoa que o use sob o braço direito. E também dá sorte. Compõe-se de três caixinhas de couro unidas por um cordão e cheias de objectos mágicos.
BALANGANDÃS - Tornados internacionalmente famosos pela indumentária da cantora Cármen Miranda, são conjuntos de miniaturas, em ouro e prata, de campainhas, figas, corações, placas, frutos, chaves, cadeados, sapatinos, conchas, etc. Todas essas peças são presas numa argola de metal e penduradas na cintura das mulheres. Os balangandãs são amuletos para afastar o mau-olhado e as forças contrárias projectadas pelos inimigos, segundo a crença popular. É de origem africana, também.
BREVE - Saquinho de pano ou couro, contendo uma oração, que se usa pendurado no pescoço por uma fita. É considerado como uma forte protecção contra perigos e dificuldades e é tradicional no Norte-nordeste do Brasil.
CAJILA - Amuleto para atrair a caça, a pesca, os bons negócios e amores. É usado nos estados do Pará, Amazonas, Acre, entre outros.
LAGUIDIBÁ - Amuleto composto por contas pretas, esculpidas em chifre de boi e usadas, como protecção, no pescoço ou na cintura, em forma de colar, pelas crianças negras.
UIRAPURU - Os índios brasileiros acreditavam que este pequeno pássaro trazia fortuna e felicidade ao seu possuidor. Essa crença primitiva difundiu-se por toda a Amazónia. Assim, ter um uirapuru significa ter sorte. Até há bem poucos anos era rara a taberna do interior brasileiro que não possuia um destes pássaros enterrado à entrada ou suspenso nos umbrais das portas.
MUIRAQUITÃ - Quase todos os índios que habitavam a Amazónia transportavam amuletos pressupondo que esses objectos protegiam o seu dono e lhe davam sorte. O principal amuleto era o muiraquitã, um artefacto talhado em pedra verde, tais como o jade, a nefrita e a jadeíta, com a forma de sapo, peixe, tartaruga, serpente e outros bichos. É dotado de sulcos destinados a amarrar um cordel, de forma a poder ser pendurado no pescoço do dono. Tem sido encontrado com mais frequência no baixo Amazonas, especialmente nos arredores de Óbidos e na desembocadura (foz) dos rios Nhamundá e Tapajós.
Segundo a tradição indígena, o muiraquitã era dado de presente pelas amazonas aos visitantes. Conta-se, que, nas noites de lua cheia, elas iam até um lago próximo para retirar do fundo as pedras ainda moles, para então moldá-las em forma de pequenos animais e deixar secar e endurecer.
O muiraquitã é sempre esverdeado, de pedra polida e de belo efeito. Um aspecto desse amuleto tem, no entanto, intrigado os estudiosos: ofacto de ser feito, muitas vezes, de jade, pedra até hoje não encontrada em estado natural - ou em jazidas - no continente americano e, obviamente no Brasil.
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Fantasias - Fantasmas

O que são as fantasias?
Na acepção mais comum, as fantasias são a produção imaginária de um indivíduo que cria uma realidade mental em alternativa à realidade da vida de todos os dias.
Se nos indivíduos saudáveis é normal sonhar de serem mais bonitos, mais ricos, mais sedutores, mais potentes e cheios de dotes, nos neuróticos as fantasias estão ligadas à neurose e geram por vezes um objectivo impossível de alcançar, um modelo ão realístico, um obstáculo à realização de si, com inevitável sensação de angústia.
Existe porém também outra definição de "fantasia" baseada nos conceitos psicanalíticos e no modelo da estrutura da psique que dela deriva.
A natureza das fantasias segundo a psicanálise
As fantasias - ou fantasmas, conforme os autores e as escolas de pensamento à qual pertencem - são uma produção da parte incônscia da psique que emerge a nível cônscio (ciente, que tem conhecimento íntimo do que lhe cumpre fazer). As fantasias são processos interiores, psíquicos, aos quais só o indivíduo em questão pode ter acesso: os outros podem só imaginá-los, tentar deuzi-los através dos seus relatos ou comportamentos, nunca captá-los directamente. Não existe nada de mais secreto, de mais pessoal, e menos comunicável que uma fantasia.
Inicialmente, uma fantasia é a resposta primária a uma pulsão libídica ou destrutiva e aparece como uma forma de defesa, uma satisfação do desejo ou a compensação de um estado de angústia.
Nesta fase é vivida como pura sensação, que não tem nenhuma necessidade de palavras para encontrar expressão. Em seguida, baseando-se em experiências sucessivas, enriquece-se de imagens, é elaborada, articula-se pouco a pouco como uma cenografia cinematográfica ou teatral.
As fantasias podem então encontrar expressão, mas existem já há muito tempo antes desta fase.
Quem está sujeito a fantasias?
Todos nós, sem excepções, mesmo se a intensidade com a qual são vividas varia notavelmente de pessoa para pessoa. Já nos primeiros meses de vida, a psique da criança produz fantasias que dizem respeito, em particular, à satisfação da fome e, em seguida, à identificação com a mãe ou com o pai. Aquilo que ainda não pode ser expresso verbalmente manifesta-se através de gestos, atitudes, comportamentos. A fantasia desempenha um papel importante na maneira cmo a criança descobre o mundo externo e encontra nele o próprio lugar. E se nos adutos a fantasia a nível cônscio pode ser vivida como moralmente inaceitável ou perversa, isto não significa que as pessoas dotadas de princípios morais muito rígidos não tenham fantasias.
Pelo contrário, as fantasias são o meio mais imediato de defesa do incônscio para satisfazer as pulsões oprimidas, removidas ou inibidas pela consciência. Os indivíduos que têm uma vida real rica e intensa têm pelo contrário menos necessidade de fantasias para se libertarem das próprias pulsões.
Em percentagem maior ou menor a adaptação à realidade tem de qualquer das formas necessidade de fantasias que permitem suportá-la e integrá-la. Nisto as fantasias diferenciam-se dos sonhos e das alucinações, que se afastam, pelo contrário, da realidade.
Quais são os efeitos das fantasias?
Apesar de serem uma criação puramente mental, as fantasias são vividas como experiências reais porque desencadeiam emoções, sensações físicas, processos mentais semelhantes àqueles produzidos pela realidade.
Estes efeitos físicos e mentais são a consequência das fantasias, não a sua causa nem, tão pouco, constituem as fantasias propriamente ditas, como demasiadas vezes se pensa.
Neste sentido as fantasias sexuais podem dar uma sensação de bem-estar, porque dissolvem o excesso de tensão produzido pela insatisfação das necessidades. As percepções físicas experimentadas durante a elaboração de uma fantasia, que alcança por vezes até o orgasmo, podem resultar tão benéficas como o acto real, tanto mais que resultam livres de todos os vínculos impostos pela realidade. Muitas vezes a fantasia elaborada realiza a função também de factor desencadeante de um desejo que encontrará satisfação na realidade, com um parceiro que não tem nada de imaginário. Isto contribui para o equilíbrio do indivíduo, do casal e da vida social.
Pode fazer-se qualquer coisa contra as fantasias?
Lutar contra as fantasias não só parece impossível, como nem sequer é desejável, porque estas representam o emergir da parte mais profunda, mais secreta de um indivíduo.
Muitas religiões, entre as quais a católica, têm estigmatizado as fantasias, sobretudo aquelas com conteúdo sexual ou em contraste com os ditames morais, condenando-as como pecados, com o resultado de favorecer os processos de remoção e inibição, que estão à base das neuroses.
Por outro lado, o indivíduo deve ser capaz de um certo autocontrolo para evitar que as fantasias invadam o campo da realidade, sobretudo no âmbito sexual, onde se podem tornar o ponto de partida de atitudes perversas.
As fantasias ou fantasmas como lhes queiram chamar fazem parte de todos nós e, quanto a isso, parece não haver nada a fazer. Resta-nos então vivermos o melhor que pudermos com ou sem fantasias.
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Superstições: o significado do número "quatro"

Os enigmas do número quatro
O número 4 pelas inúmeras conotações que tem e de acordo com a simbologia sagrada é a raíz de todas as coisas que acontecem no nosso planeta. Com este artigo pretende-se fazer uma abordagem sobre as várias acepções deste algarismo: os elementos fundamentais do Universo que nos regem (Terra, Fogo, Água e Ar); as quatro estações do ano; os trevos de quatro folhas e os conhecimentos emanados da numerologia.
As quatro estações do ano
Primavera, Verão, Outono e Inverno, são as quatro estações do ano. Cada uma delas é associada, respectivamente, ao desabrochar das flores, ao calor, à queda das folhas e por último ao frio.
Tal como o dia e a noite são marcados pelos movimentos do nosso planeta, também o são as estações do ano.
A explicação, de uma forma simplista, está na inclinação da Terra num ângulo de 23,5º e que gira em torno de uma linha imaginária que vai desde o Pólo Norte ao Pólo Sul. Dependendo da época do ano, um hemisfério recebe mais radiação solar do que o outro, e, portanto, mais calor. As mudanças de temperatura ao longo do ano marcam as estações do ano. Ao se falar do número quatro não nos podemos esquecer também das quatro fases do satélite natural da Terra, a Lua.
A Lua Nova acontece quando o Sol se encontra do lado oposto e consequentemente a face iluminada da Lua está também do lado oposto ao do observador na Terra.
O Quarto Crescente acontece quando se observa apenas metade da face iluminada da Lua.
A enigmática Lua Cheia acontece quando o Sol ilumina completamente a face da Lua voltada para o observador na Terra.
Por último, o Quarto Minguante acontece também quando se observa apenas metade da face da Lua iluminada.
Uma fase da Lua demora, aproximadamente, 7 a 8 dias até mudar para outra fase. A Lua demora, aproximadamente, 29 a 30 dias até completar todo este ciclo.
Os quatro elementos do Universo
Os elementos do Universo são também quatro: água, terra, fogo e ar.
A teoria dos quatro elemento surge na Grécia Antiga com os filósofos pré-socráticos. Existem inúmeras referências na literatura, nas artes plásticas e até na filosofia acerca destes elementos que são também a base dos signos do Zodíaco.
Signos de Fogo: Carneiro, Leão e Sagitário.
As pessoas cujo signo é regido por este elemento do Universo são, geralmente, espontâneas, agem por impulso e são muito emotivas.
Signos do Ar: Gémeos, Balança e Aquário.
As pessoas pertencentes a um destes signos geralmente têm muita energia, são agitadas e animadas.
Signos de Água: Carangueijo, Escorpião e Peixes.
As pessoas destes signos são geralmente muito imaginativas e bastante sensíveis.
Signos de Terra: Touro, Virgem e Capricórnio.
Normalmente as pessoas regidas por este elemento do Universo são geralmente calmas e não gostam muito de mudanças radicais.
Os quatro elementos do Universo são ainda associados aos quatro pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste), de acordo, com o Xamanismo, um tipo de religião de povos asiáticos e árticos, que tem um profundo respeito pelas forças da natureza.
O Xamanismo é uma prática filosófica e religiosa de cura, que se pode encontrar em quase todo o mundo. Assim sendo, o Norte corresponde à Terra, o Sul à Água, o Leste ao Ar e o Oeste ao Fogo.
Os trevos de quatro folhas
Os trevos de quatro folhas são o símbolo de sote em muitas civilizações.
Geralmente as plantas funcionam com números ìmpares, tanto na quantidade de folhas, ramos, frutos ou raízes. Por essa razão, os trevos de quatro folhas são muito raros e, por isso, considerados verdadeiros talismãs de sorte.
Os trevos têm geralmente três folhas, o que faz dos que têm quatro folhas verdadeiras raridades. Quem os acha guarda-os religiosamente como preciosidades em bolsas e carteiras e sobretudo junto ao dinheiro para atrair mais.
No universo esotérico, o trevo é usado para curar doenças e em feitiços de boa sorte. Por exemplo, sonhar com um trevo significa fortuna, principalmente para pessoas jovens.
No Antigo Egipto, o trevo de quatro folhas era considerado símbolo de Ísis, a Grande Deusa, e utilizado nos rituais de iniciação, de amor e de sorte.
Para os Celtas, o trevo de quatro folhas estava associado à Deusa da medicina, Airmid e, por isso, era usado como um catalisador de cura e saúde.
A interpretação da Numerologia
De acordo com a Numerologia, ciência que estuda as influências e qualidades dos números, cada algarismo é dotado de uma vibração ou essência individual e indica tendências de acontecimentos ou de personalidade, apesar de não haver qualquer evidência científica de que os números apresentem tais propriedades.
Para muitos, o filósofo grego Pitágoras (século VI a.C.) é considerado o "pai" desta ciência apesar de já existirem muitas derivações desta mesma origem.
Segundo a Numerologia, conhecendo as indicações fornecidas pelos nove primeiros números, cada pessoa pode estar apta para se dirigir na vida com um conhecimento real de si própria e das suas oportunidades.
Através do nome e da data de nascimento de uma pessoa, pode-se realizar e interpretar o mapa numerológico.
Para qualquer pessoa chegar ao seu mapa numerológico é necessário conhecer o método pitagórico que analisa o nome completo e data de nascimento (dia, mês e ano).
Este método utiliza os números 1 a 9 e 11, 22 e 33.
Números superiores a 9 (excepto o 11, 22 e 33) devem ser reduzidos a um único algarismo. Por exemplo: 49=4+9=13. Neste caso é necessária mais uma redução: 13=(1+3)=4.
Segundo este método, o nome indica talentos e habilidades, o padrão de comportamento nos relacionamentos, a imagem que passamos para as outras pessoas, o número do destino.
Por sua vez, a data de nascimento fornece orientações sobre a lição de vida e desafios e fases da vida das pessoas.
Assim sendo, se a soma do seu nome é o quatro, as características são: tem muito medo de perder a força; trabalha tanto, que até se esquece de pedir ajuda e tem uma grande capacidade de trabalho. Recusa-se a ser vulnerável e a palavra-chave é estabilidade. A família é muito importante na sua vida e tem muito medo de se amar a si próprio e aos outros. As suas doenças são sobretudo, no sistema articular (ossos), fígado e vesícula. A profissão "ideal": advogado.
O caminho de vida para os que "têm" o número quatro, ou seja, a soma da sua data de nascimento dá este valor: devem construir coisas em grande e com peso; é-lhes pedido o sentido do trabalho bem feito; devem ter paciência, minúcia, perseverança; precisam de trabalhar no concreto, com regras, encontrar as raízes.
Estas pessoas funcionam bem se conhecerem o seu passado. Possíveis profissões: organização, construtor ou artesão. O desafio: libertar-se das rotinas da vida.
Por último, qual o poder do número quatro?
Número do destino: potencia a constância, o percorrer passo a passo o caminho. Alcançará o êxito através de um trabalho metódico e contínuo.
O número quatro é de facto um número muito forte e, no Tarot corresponde ao Imperador.
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A Lenda do Urutau

Uma das mais belas lendas do folclore brasileiro é a do Urutau.
O Urutau é um pássaro solitário e de hábitos nocturnos que dificilmente se deixa ver.
Este pássaro habita na região norte e nordeste da Argentina, nas matas do Paraguai, no Norte do Uruguai e do Brasil, onde lhe são atribuídos vários nomes: Jurutaui na região amazónica; Ibijouguaçú entre os Tupis e Mãe-da-Lua entre os mineiros. Estas designações correspondem a diversas regiões linguísticas: à dos tupis e guaranis e à do idioma quichua.

Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite um canto bruxuleante que mais parece um lamento humano. Tem uma cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, a boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. A sua cor parda em tons de canela com riscas transversais e escuras permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho da árvore, passando completamente despercebida. Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protegem-na dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas (besouros e borboletas) com uma grande facilidade.

O seu grito é, provavelmente, o mais pavoroso de quantos se conhecem no mundo das aves.

Em forma de "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, procura, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz desprender a sua voz cheia de lamentos. Para muitos, a sua voz é semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos "ais". O seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvi-lo e é também fantasmagórico. "Meu filho foi, foi, foi" - interpreta o povo.

A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, confere-lhe o carácter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, mas sim por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, o preservar das seduções e a pureza das jovens moças.

Conta-se que antigamente, matavam para esse fim uma dessas aves e tirava-se a pele que era, posteriormente, seca ao sol. Esta servia para os pais sentarem as suas filhas, nos três primeiros dias a partir do início da puberdade. No términus desse tempo, as jovens saíam "curadas", isto é, invulneráveis às tentações das paixões desonestas que as pudessem atrair. As qualidades sobrenaturais deste pássaro destacam-se nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são para muitas pessoas bastante milagrosas. Assim, se para muitos o Urutau é, muitas vezes, associado a maus presságios, para outros e, segundo a mitologia Tupi-Guarani, trata-se de uma ave benfeitora (abençoada).

Conta a lenda que Nheambiú, uma bela moça, filha do Tuxaua da nação Guarani, se apaixonou profundamente por um bravo guerreiro Tupi chamado Cuimbaé, que havia sido feito prisioneiro pelos Guaranis.

Nheambiú pediu aos seus pais que consentissem no seu casamento com Cuimbaé. Porém, esse e os posteriores pedidos foram terminantemente negados, com a alegação de que Cuimbaé era um Tupi, ou seja, um inimigo mortal dos Guaranis.

Não suportando mais o sofrimento, Nheambiú desapareceu da Taba, causando um enorme alvoroço.

O velho cacique mobilizou então todos os seus guerreiros para que procurassem, por todo o lado, a sua preciosa filha.

Após uma longa busca, a jovem foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, como uma estátua de pedra. Ao vê-la, o pai sacudiu-a, mas ela não deu nenhum sinal de vida.

Então, o seu pai mandou chamar o feiticeiro da tribo, que a examinou dizendo o seguinte ao cacique: - Nheambiú perdeu a fala para sempre; só uma grande dor poderá fazer Nheambiú voltar ao que era.

Então começaram por informar a jovem índia de todas as notícias mais tristes possíveis: a morte do seu pai e a de todos os seus amigos.

No entanto, nada surtiu efeito. A jovem continuou inabalável e intacta.

Então o pajé da tribo aproximou-se e disse: - Cuimbaé acaba de ser morto.

Nesse mesmo instante, o corpo da jovem moça estremeceu todo e ela, soltando repetidos lamentos acabando por desaparecer da mata.

Todos os que ali se encontravam, cheios de dor, acabaram transformados em árvores secas, enquanto Nheambiú se transformou num Urutau ficando a voar, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda do seu grande amor.

Dizem que foi dessa lenda que se originaram algumas superstições populares relativamente ao Urutau.

Uma dessas lendas, fala-nos de Jouma, um cacique dos Mocovies (Guaranis) que , surpreende a Marramac, nos braços de um estrangeiro e o mata com flechas. Porém, perde posteriormente a razão e transforma-se num Urutau.

Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos seus progenitores. Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se.

Contava uma lenda também, que o urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de Novembro a Janeiro.

Outra lenda diz que "carta de amor escrita com pena de Urutau tem sempre resposta favorável".

Já outra diz que a pele dessa ave preserva as donzelas dos deslizes e as protege contra os alheios de intenções menos honestas.

Devido à sua existência misteriosa, o Urutau além das lendas era objecto de práticas supersticiosas. Os Guaranis acreditavam que partindo-se as asas e as pernas do pássaro durante a noite, no dia seguinte ele amanhecia perfeito. Segundo algumas crendices indígenas, esta ave nocturna revestia-se de atribuições que são inerentes ao Cupido. As penas do Urutau eram eficazes talismãs de amor. Assim sendo, aquele que conduzir uma de suas penas, atrai a simpatia e o desejo do outro sexo; que se consegue qualquer pretensão com a escrita com uma de suas penas. Acreditava-se ainda, que as suas penas e as suas cinzas eram remédios contra doenças.

Há também quem diga que, na Amazónia, há o costume de varrer o chão, sob o véu das noivas, com as penas da cauda do Jurutauí (designação pela qual o Urutau é conhecido nesta região), a fim de se garantir para as futuras esposas todas as virtudes do mundo.

Outra das crenças mais curiosas no poder sobrenatural do Urutau é a que faz referências àsua posição face ao ciclo solar. Quando o sol nasce o pássaro volta a sua cabeça para ele e acompanha-o no seu percurso. Quando o astro caminha para o Poente, começa então a entoar o canto dolorido "U - ru - tau". Conta-se também que, Couto de Magalhães elevou o Urutau à categoria dos deuses, reservando-lhe o segundo lugar da sua teogonia Tupi. Todas essas considerações, entretanto, levam-nos a classificar o Urutau como um pássaro feérico (mágico), que existe por direito próprio. O Urutau é um pássaro que pertence à Ordem dos Caprimulgiformes, família dos Nyctibiidae. No Brasil, ocorrem as seguintes espécies: Nyctibius grandis (Urutau, Mãe-da-Lua Gigante); Nyctibius griseus (Urutau) e Nyctibius aethereus (Mãe-da-Lua Parda).
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Superstições: amuletos e talismãs

Superstições: o que são?
O que são afinal superstições?
São várias as pessoas que não gostam de superstições, mas são, igualmente, muitas outras, talvez até mais, as que acreditam em superstições.
Superstição é uma espécie de crença no poder mágico de certas coisas ou factos, mas sem qualquer fundamentação científica. Por exemplo: muita gente não é capaz de passar por baixo de uma escada, pois julga que isso dá azar. Porém, não existe nenhuma lógica para provar isso!
A sexta-feira 13, por exemplo, é uma das superstições mais difundidas, pois há quem acredite que se trata de um dia agourento. Essa crendice é mais popular entre os cristãos. A razão disso é o facto de Jesus Cristo haver sido crucificado numa sexta-feira e de que, na última ceia, havia treze pessoas à mesa.
Deve-se aceitar essa superstição?
Em 1936 uma firma de seguros publicou a relação dos acidentes ocorridos nos últimos cinco anos, na Inglaterra. Pois bem: o dia em que ocorreram menos desastres havia sido a tão caluniada sexta-feira! E o domingo, tão respeitado, fora o dia em que tinha havido mais acidentes!
Outra estatística foi feita pelo jornal norte-americano Norfolk Behavior: Colombo partiu para a sua famosa expedição numa sexta-feira, dia 21 de agosto de 1492. No dia 12 de outubro desse ano, uma sexta-feira, avistou terra pela primeira vez.
Em 14 de março de 1493, sexta-feira, chegou a Palos levando a boa nova.
No dia 23 de novembro de 1493, sexta-feira, chegou a Hispaniola, realizando a sua segunda viagem. E foi também numa sexta-feira, em 13 de junho de 1494, que ele desvendava o Novo Mundo.
Quer dizer: a sexta-feira não é tão azarada assim, não é mesmo?
Em Portugal, mais propriamente na capital, Lisboa, o 13 de Junho é feriado e festejam-se as festas da cidade, no dia dedicado a santo António. Será que os lisboetas deixarão de festejar as tão afamadas festas da cidade caso o dia 13 corresponda a uma sexta-feira? É evidente que não. Festa é festa e as superstições, neste caso, parecem não existir mesmo.
Existem tantas superstições por esse mundo fora que certas pessoas chegam mesmo a irritar-se com essa situação. dizem elas: como é possível aceitar essas crendices numa era científica como a nossa?
No ano de 1932, alguns ingleses que pensavam assim resolveram fundar, em Londres, um clube com a única finalidade de chatear os supersticiosos. Ou seja, faziam tudo o que a crendice popular diz que "dá azar", só para demonstrar que isso não passa de um perfeito disparate.
O dia das reuniões, por exemplo, era às sextas-feiras, dia da semana que muitos acham de mau agouro. Davam banquetes nesse dia e sempre com treze sócios à mesa. Não havia porta-chapéus. Assim, todos eram obrigados a deixar os seus chapéus sobre a cama - o que dá um tremendo azar, segundo os supersticiosos.
Entornavam sal na mesa, punham as facas em cruz, e por aí fora.
Sempre que o calendário anunciava uma sexta-feira e um dia 13, organizavam excursões para esse dia...
Quando o clube foi inaugurado, os jornais publicaram a foto de treze risonhos senhores ao redor de uma mesa, alguns empunhando guarda-chuvas... abertos, o que, segundo os supersticiosos, é um verdadeiro perigo!
Porém, existem muitas pessoas que levam bastante a sério isto das superstições e durante as 24 do dia levam essas questões muito a peito. Ora vejamos alguns exemplos de crendices populares para com o intuito de atrair a boa sorte:
1) Deitar com a cabeça em direcção ao Norte para não ser enganado; deitar com a cabeça para o Sul para ficar rico, pois o ouro e as pedras preciosas vêm do Sul; deitar com a cabeça para o Leste para ficar sábio, pois a luz vem do Oriente; e, finalmente, deitar com a cabeça para o Oeste para trazer viagens bem sucedidas: Colombo, Magalhães e outros descobridores partiram na direcção do Ocidente...
2) Na hora de acordar, abrir primeiro o olho direito, que é o símbolo do trabalho: isso trará êxito nos negócios. E se quiser ver tudo com clareza e não ser enganado por ninguém, abra os dois olhos ao mesmo tempo, ao despertar.
3) Se você colocou as suas meias do avesso, não se preocupe: isso é sinal de que vai receber boas notícias.
4) Se você comer ovos pela manhã, não se esqueça de quebrar a casca com uma colher. Assim, não lhe faltará dinheiro.
5) Se sentir um zumbido na orelha esquerda, isso significa que estão a falar bem de si; na direita, que você está sendo caluniado.
6) Ao levantar da cama - e ao sair de casa - procure dar o primeiro passo com o pé direito. Entrar num lugar com o pé direito dar-lhe-á o dom de atrair a boa sorte e a felicidade.
Também muitas pessoas, com a intenção de afastar o mal e atrair a boa sorte, usam no seu dia-a-dia amuletos e talismãs.
O amuleto é um objecto usado como protecção mágica, para afastar as influências más. O uso do amuleto vem desde que o mundo é mundo, sendo conhecido em muitas civilizações.
Os antigos egípcios usavam inúmeros amuletos; os hebreus também, e neles costumavam guardar textos sagrados. Os cristãos do século IV usavam amuletos em que ocultavam versos bíblicos. Os materiais utilizados em amuletos podem ser muito diversos: desde dentes de animais até pedras preciosas. Às vezes ostentam gravações de símbolos, como a roda do deus-sol.
Mas, se o amuleto defende o seu possuidor, o talismã vai um pouco mais longe. Segundo a tradição, o talismã dá ao seu possuidor um poder mágico activo, que favorece a realização de inúmeros desejos. Eram talismãs: o lendário anel ou selo de Salomão; acreditava-se que este anel tinha o poder de dominar anjos, gigantes e demónios e, também, a lâmpada de Aladino.
Aladino, o tal da lâmpada maravilhosa, trata-se de um dos mais populares heróis das famosas Mil e Uma Noites, colecção de contos e lendas da literatura árabe.
A história é mais ou menos assim: Aladino entra na posse de uma lâmpada mágica que, ao ser esfregada, liberta um poderoso génio, que cumprirá todas as ordens do seu possuidor. Aladino usa, então, a lâmpada para satisfazer todas as suas necessidades e as de sua mãe.
Um dia, Aladino vê passar a bela filha do sultão e apoixona-se. Mas o pai da jovem faz exigências descabidas para dar a mão da princesa aos seus pretendentes. Por exemplo: construir, de um dia para o outro, um palácio com 24 janelas feitas de pedras preciosas. Com a ajuda da lâmpada maravilhosa, Aladino realiza todas as proezas e conquista a sua amada princesa.
Deste conto surgiu a expressão: "lâmpada de Aladino", significando um método para satisfazer todos os desejos.
O uso de um pata de coelho. Muita gente acredita que usar um pata de coelho dá sorte. como esse animal se multiplica rapidamente, virou um símbolo de poder e fertilidade. Além disso, o homem primitivo via na terra a fonte da vida. E a parte mais sagrada do corpo era aquela que ficava em contacto com a terra. Por isso, os pés e as pegadas tinham significado místico. Uma coisa puxa a outra, e isso talvez explique por que o pé do animal mais fértil acabou tendo fama de trazer boa sorte.
Os antigos negros do Sul dos Estados Unidos da América consideravam o coelho uma espécie de bicho sobrenatural, o mais esperto de todos. Muitos acreditam tanto no poder mágico do pé de coelho que chegam a usá-lo até como amuleto contra doenças em geral.
Também o uso de uma ferradura parece ter um poder mágico. Segundo a tradição popular isso deve-se a três causas: o seu formato, a sua ligação com o cavalo e o facto de ser feita de ferro.
O formato da ferradura lembra o da lua crescente, e esta é venerada em muitas regiões. Por sua vez, o cavalo é considerado como uma defesa forte contra o mau-olhado, especialmente na Arábia, Espanha e Alemanha. E quanto ao ferro que compõe a ferradura, é crença antiga que ele tem a virtude de repelir as bruxas, os duendes e os maus espíritos.
Mas, a lista de amuletos, ou seja de objectos usados para afastar o mal, é quase interminável. Eis mais alguns exemplos: cabeças e dentes de alho, amêndoas, âncoras, chifres de carneiro, galhos de arruda, víboras, caroços de tãmara, castanhas, cebolas, chaves, garrafas, cavalos-marinhos, dentes de javali, lagartixas, nós, vassouras, sapos, tesouras e mil e um coisas estranhas!
Os hindus usam um tradicional amuleto: pequenas esferas em colares, contendo milhares de elefantes pequeniníssimos esculpidos em marfim!
Outro amuleto curioso é usado no Japão: a estatueta de um gato sentado estendendo a pata direita para a frente. Chama-se maneki neko, isto é, "o gato que convida".
Na América Latina acredita-se que os dentes de jacará protegem a dentição da criança.
Depois de tudo isto, afinal não se pode culpar que muitas pessoas tenham a cisma por muitos objectos que crêem trazer-lhes boa sorte e afastar o mal.
Superstições? Afinal quem as não tem? Você? Será que não?
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Profecias, presságios e superstições célebres

Homens célebres e superstições
Muitas são as histórias que se contam sobre superstições. Sobre este assunto, existe em Espanha uma famosa piada, em que um sujeito diz: "Yo no creo en brujos, pero que los hay, los hay" que podemos traduzir das seguintes formas: "Não acredito em fantasmas, mas que eles existem, existem!" ou " Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!".
Era mais ou menos esse o caso de Napoleão Bonaparte. Ele não gostava de adivinhos, que chamava de charlatães, mas, mesmo assim, tinha as suas superstições. Ora vejamos: num dia de Janeiro de 1794, em Marselha, Napoleão deixou que uma cigana lhe lesse a sina. Ela então dise-lhe: "Cruzará os mares, regressará e será maior do que nunca". A profecia deu certo, mas Napoleão não ligava muito a essas coisas. è que ele era um fatalista, isto é, achava que o destino de cada criatura humana já estava traçado de antemão. Tanto que se recusava a tomar os remédios que os seus médicos lhe receitavam. Para Napoleão, a rópria guerra tinha muito de jogo de azar; nos seus planos militares não tentava prever tudo, deixando boa parte ao imprevisto e ao acaso.
Mas em duas coisas ele acreditava: em presságios e na sua boa estrela. Quando chegou a Burgos, na Espanha, em 1808, a primeira notícia que teve foi má. Bastou isso para acabar com a alegria do conquistador francês. A partir daí, Napoleão ficou apreensivo.
A outra coisa em que Napoleão acreditava era que havia uma estrela nova na constelação da Virgem, e que essa estrela lhe aparecia nos momentos mais importantes da sua vida. Quer dizer: no fim de contas, ele era supersticioso como qualquer simples mortal!...
O Kaiser Guilherme II, da Alemanha,também tinha as suas crendices nos mistérios do Além. Ele acreditava piamente que o anel que usava, dos seus antepassados, assegurava a continuidade da sua dinastia real. Havia até uma lenda para justificar esse facto. Um ancestral seu, Jorge Frederico-Carlos, fora enterrado com esse anel, e um dos seus ramos familiares, a casa dos Hohenzollern, extinguiu-se em 1806 por falta de descendência masculina. O outro ramo também iria terminar, pois o rei frederico Guilherme II só tinha uma filha até então. Aí aconteceu o seguinte: um dos seus camareiros, por três noites consecutivas, sonhou com o anel de Jorge Frederico-Carlos. Avisou, então, ao rei que era necessário recuperar o anel!... do túmulo.
Dito e feito. Assim que o monarca passou a usar o anel, teve um filho varão, que seria mais tarde o bisavô do Kaiser Guilherme II e, a dinastia acabou por não se extinguir.

O célebre escritor escocês Walter Scott, autor de Ivanhoé, tinha uma curiosa superstição enquanto estudante. Sempre que precisava de recitar uma lição, apertava um botão de madeira do seu casaco. Pois, é que naquele tempo (século XVIII) acreditava-se que tocar na madeira dava sorte. Um dia, os seus colegas resolveram pregar-lhe uma partida: cortaram o botão do casaco sem que ele se apercebesse. Na hora de dizer a lição, segundo o próprio Scott, ele "fracassou vergonhosamente"...

Às vezes, a superstição acompanha até o pensamento de alguns sábios e cientistas. Por exemplo: consta que Freud, o criador da psicanálise, acreditava em numerologia. Também na Inglaterra, todas as unidades militares acreditam que ter uma mascote lhes poderá trazer boa sorte contra maus presságios. Assim, todas têm a sua mascote. Trata-se de algo que é levado muito a sério pelos ingleses, de tal forma que a posse desses animais mascotes é considerada pelo Ministério da Defesa Britânico como um direito dos seus regimentos. Por isso, até um burro, um cão, um gato ou outro bicho qualquer pode ter a sua folha de serviços e aparecer na ordem do dia dos quartéis ingleses. Consta que as cabras são os mais antigos animais que já "sentaram praça". Os regimentos franceses usavam cabras brancas como mascotes, costume esse ainda conservado nos regimentos ingleses, onde a cabra mascote é tradicionalmente chamada de Billie.

Algumas das mais célebres curas de superstições

Há quem acredite tanto em superstições, que crê igualmente em curas para as mesmas. Na Idade Média, especialmente, a saúde era muito ligada a superstição, e a medicina tinha muito de feitiçaria. Muitas dessa práticas ficaram até a actualidade. Em certas regiões acredita-se que o orvalho da noite de São João tem um poder miraculoso. Na Sicília, é considerado um óptimo bálsamo para feridas. Em Veneza muitos curam queimaduras duma forma algo engraçada. Amarram-se ao tronco de uma árvore, dizendo três vezes sem tomar fôlego: "Aí te ponho e aí te deixo". Noutras regiões cura-se a dor de cabeça de um jeito ainda mais cómico: esfrega-se um fio na cabeça do paciente. Depois, ele é atado a uma árvore (o fio não o paciente...). Aí, o primeiro pássaro que pousar na árvore levará a dor de cabeça embora... Os antigos egípcios usavam um sistema curiosa. Os enfermos passavam uma noite no templo do deus Serapis que, durante o sono, "receitava" o remédio salvador. No Brasil também existem vários remédios populares de origem portuguesa, como a água-panada, por exemplo. É uma infusão feita com pão bem seco e água para curar males intestinais. Outro, para curar azia: dizer três vezes "Azia, Ave Maria". E a oração: "Santa Iria/temtrês filhas;/uma fia, outra cose/ e outra cura/ o mal da azia". Para tirar um cisco do olho, há dois recursos. Um é esfregar a pálpebra e dizer três vezes: "Vai-te, argueiro (cisco), pro olho do companheiro". Outro modo mais simpático e científico: coloca-se uma semente de alfavaca na pálpebra, que então é esfregada. A semente de alfavaca liga-se ao cisco, que é retirado facilmente.

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