As mais belas lendas do Brasil
Um ano se passou quando Jacira, filha do índio, muito vaidosa, pediu ao pai um colar diferente. O caçador lembrou-se que o Curupira tinha dentes verdes que brilhavam como esmeraldas. Voltou à floresta e achou o esqueleto encoberto pelo mato. Quando o índio tentou arrancar os dentes da criatura, o Curupira voltou à vida, recompondo todo o corpo num passe de mágica. O COISA-FEIA agradeceu ao homem por tê-lo ressuscitado. Coitado, não sabia de nada e resolveu retribuir a bondade, dando um arco com flechas mágicas. Era só apontar para uma ave ou um animal e atirar. Nunca erraria o alvo. No entanto, avisou que se apontasse para um bando de bichos, acabaria morto por eles.
Os animais começaram a pintar a floresta enquanto o Tamanduá coordenava o trabalho.
O Papagaio, muito egoísta, pediu que lhe dessem tinta para o bico e os pés. Queria pintá-los de dourado. Os outros animais não lhe deram qualquer tipo de importância ao pássaro arrogante. Ele se emburrou e se escondeu para não ter que ajudar ninguém. Este ficou então atrás de uma árvore bisbilhotando os outros trabalhando.
O rapaz voltou para a aldeia muito triste por não ter tido coragem de falar com ela. Não sabia o seu nome, nem de onde vinha. Desde aquele dia, passou a procurar a moça nas tribos das redondezas. Ninguém sabia de uma menina tão bela que cantasse músicas tão lindas. Decidiu voltar para o lago pois ela poderia aparecer por lá. O índio era o mais belo dos rapazes. Era forte, alto, um grande caçador. Sabia tudo de plantas e animais. Todas as moças queriam casar com ele. Mas o moço só pensava na desconhecida. Um dia, a sereiazinha apareceu nadando no lago e então ele pôde ver um rabo de peixe enorme batendo na água. Não podia acreditar que a moça era uma sereia. Nunca tinha visto uma, só tinha ouvido lendas muito antigas contadas pelos seus antepassados. Ela começou a cantar aquelas melodias estonteantes e ele ficou ainda mais apaixonado. Aproximando-se do rapaz, disse que se chamava Iara. Convidou-o para nadar com ela. Não sabia que ele era diferente. Nunca tinha visto um homem também. Quase arrastou o Jaguarari para o fundo do lago. O moço apaixonado explicou que poderia morrer afogado. Assustada, Iara desapareceu no lago. O coitado nunca mais teve sossego. Só pensava na amada. Não queria saber de caçar ou pescar, só queria vê-la outra vez. Não queria mais viver sem ela. Remava dia e noite pelos lagos daquela imensa floresta até o dia que, numa noite de luar, a sua canoa desapareceu. Aquela estranha canção podia ser ouvida por toda a parte. Era Uma canção feliz. Dizem que Iara levou o Jaguarari para sempre.
A cartomancia e a leitura da sorte
Superstições sobre o amor
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A Lenda do Urutau

Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite um canto bruxuleante que mais parece um lamento humano. Tem uma cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, a boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. A sua cor parda em tons de canela com riscas transversais e escuras permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho da árvore, passando completamente despercebida. Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protegem-na dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas (besouros e borboletas) com uma grande facilidade.
O seu grito é, provavelmente, o mais pavoroso de quantos se conhecem no mundo das aves.
Em forma de "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, procura, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz desprender a sua voz cheia de lamentos. Para muitos, a sua voz é semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos "ais". O seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvi-lo e é também fantasmagórico. "Meu filho foi, foi, foi" - interpreta o povo.
A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, confere-lhe o carácter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, mas sim por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, o preservar das seduções e a pureza das jovens moças.
Conta-se que antigamente, matavam para esse fim uma dessas aves e tirava-se a pele que era, posteriormente, seca ao sol. Esta servia para os pais sentarem as suas filhas, nos três primeiros dias a partir do início da puberdade. No términus desse tempo, as jovens saíam "curadas", isto é, invulneráveis às tentações das paixões desonestas que as pudessem atrair. As qualidades sobrenaturais deste pássaro destacam-se nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são para muitas pessoas bastante milagrosas. Assim, se para muitos o Urutau é, muitas vezes, associado a maus presságios, para outros e, segundo a mitologia Tupi-Guarani, trata-se de uma ave benfeitora (abençoada).
Conta a lenda que Nheambiú, uma bela moça, filha do Tuxaua da nação Guarani, se apaixonou profundamente por um bravo guerreiro Tupi chamado Cuimbaé, que havia sido feito prisioneiro pelos Guaranis.
Nheambiú pediu aos seus pais que consentissem no seu casamento com Cuimbaé. Porém, esse e os posteriores pedidos foram terminantemente negados, com a alegação de que Cuimbaé era um Tupi, ou seja, um inimigo mortal dos Guaranis.
Não suportando mais o sofrimento, Nheambiú desapareceu da Taba, causando um enorme alvoroço.
O velho cacique mobilizou então todos os seus guerreiros para que procurassem, por todo o lado, a sua preciosa filha.
Após uma longa busca, a jovem foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, como uma estátua de pedra. Ao vê-la, o pai sacudiu-a, mas ela não deu nenhum sinal de vida.
Então, o seu pai mandou chamar o feiticeiro da tribo, que a examinou dizendo o seguinte ao cacique: - Nheambiú perdeu a fala para sempre; só uma grande dor poderá fazer Nheambiú voltar ao que era.
Então começaram por informar a jovem índia de todas as notícias mais tristes possíveis: a morte do seu pai e a de todos os seus amigos.
No entanto, nada surtiu efeito. A jovem continuou inabalável e intacta.
Então o pajé da tribo aproximou-se e disse: - Cuimbaé acaba de ser morto.
Nesse mesmo instante, o corpo da jovem moça estremeceu todo e ela, soltando repetidos lamentos acabando por desaparecer da mata.
Todos os que ali se encontravam, cheios de dor, acabaram transformados em árvores secas, enquanto Nheambiú se transformou num Urutau ficando a voar, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda do seu grande amor.
Dizem que foi dessa lenda que se originaram algumas superstições populares relativamente ao Urutau.
Uma dessas lendas, fala-nos de Jouma, um cacique dos Mocovies (Guaranis) que , surpreende a Marramac, nos braços de um estrangeiro e o mata com flechas. Porém, perde posteriormente a razão e transforma-se num Urutau.
Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos seus progenitores. Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se.
Contava uma lenda também, que o urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de Novembro a Janeiro.
Já outra diz que a pele dessa ave preserva as donzelas dos deslizes e as protege contra os alheios de intenções menos honestas.
Devido à sua existência misteriosa, o Urutau além das lendas era objecto de práticas supersticiosas. Os Guaranis acreditavam que partindo-se as asas e as pernas do pássaro durante a noite, no dia seguinte ele amanhecia perfeito. Segundo algumas crendices indígenas, esta ave nocturna revestia-se de atribuições que são inerentes ao Cupido. As penas do Urutau eram eficazes talismãs de amor. Assim sendo, aquele que conduzir uma de suas penas, atrai a simpatia e o desejo do outro sexo; que se consegue qualquer pretensão com a escrita com uma de suas penas. Acreditava-se ainda, que as suas penas e as suas cinzas eram remédios contra doenças.
Há também quem diga que, na Amazónia, há o costume de varrer o chão, sob o véu das noivas, com as penas da cauda do Jurutauí (designação pela qual o Urutau é conhecido nesta região), a fim de se garantir para as futuras esposas todas as virtudes do mundo.
Superstições: amuletos e talismãs
Profecias, presságios e superstições célebres
O célebre escritor escocês Walter Scott, autor de Ivanhoé, tinha uma curiosa superstição enquanto estudante. Sempre que precisava de recitar uma lição, apertava um botão de madeira do seu casaco. Pois, é que naquele tempo (século XVIII) acreditava-se que tocar na madeira dava sorte. Um dia, os seus colegas resolveram pregar-lhe uma partida: cortaram o botão do casaco sem que ele se apercebesse. Na hora de dizer a lição, segundo o próprio Scott, ele "fracassou vergonhosamente"...Às vezes, a superstição acompanha até o pensamento de alguns sábios e cientistas. Por exemplo: consta que Freud, o criador da psicanálise, acreditava em numerologia. Também na Inglaterra, todas as unidades militares acreditam que ter uma mascote lhes poderá trazer boa sorte contra maus presságios. Assim, todas têm a sua mascote. Trata-se de algo que é levado muito a sério pelos ingleses, de tal forma que a posse desses animais mascotes é considerada pelo Ministério da Defesa Britânico como um direito dos seus regimentos. Por isso, até um burro, um cão, um gato ou outro bicho qualquer pode ter a sua folha de serviços e aparecer na ordem do dia dos quartéis ingleses. Consta que as cabras são os mais antigos animais que já "sentaram praça". Os regimentos franceses usavam cabras brancas como mascotes, costume esse ainda conservado nos regimentos ingleses, onde a cabra mascote é tradicionalmente chamada de Billie.
Algumas das mais célebres curas de superstições
Há quem acredite tanto em superstições, que crê igualmente em curas para as mesmas. Na Idade Média, especialmente, a saúde era muito ligada a superstição, e a medicina tinha muito de feitiçaria. Muitas dessa práticas ficaram até a actualidade. Em certas regiões acredita-se que o orvalho da noite de São João tem um poder miraculoso. Na Sicília, é considerado um óptimo bálsamo para feridas. Em Veneza muitos curam queimaduras duma forma algo engraçada. Amarram-se ao tronco de uma árvore, dizendo três vezes sem tomar fôlego: "Aí te ponho e aí te deixo". Noutras regiões cura-se a dor de cabeça de um jeito ainda mais cómico: esfrega-se um fio na cabeça do paciente. Depois, ele é atado a uma árvore (o fio não o paciente...). Aí, o primeiro pássaro que pousar na árvore levará a dor de cabeça embora... Os antigos egípcios usavam um sistema curiosa. Os enfermos passavam uma noite no templo do deus Serapis que, durante o sono, "receitava" o remédio salvador. No Brasil também existem vários remédios populares de origem portuguesa, como a água-panada, por exemplo. É uma infusão feita com pão bem seco e água para curar males intestinais. Outro, para curar azia: dizer três vezes "Azia, Ave Maria". E a oração: "Santa Iria/temtrês filhas;/uma fia, outra cose/ e outra cura/ o mal da azia". Para tirar um cisco do olho, há dois recursos. Um é esfregar a pálpebra e dizer três vezes: "Vai-te, argueiro (cisco), pro olho do companheiro". Outro modo mais simpático e científico: coloca-se uma semente de alfavaca na pálpebra, que então é esfregada. A semente de alfavaca liga-se ao cisco, que é retirado facilmente.
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Superstições. amuletos e talismãs
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