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Amuletos brasileiros

Amuletos estranhos
A lista de amuletos, ou seja, de objectos usados para afastar o mal, é quase interminável: cabeças e dentes de alho; amêndoas; âncoras; chifres de carneiro; galhos de arruda; víboras; caroços de tâmara; castanhas; cavalos-marinhos; cebolas; chaves; garrafas; dentes de javali; lagartixas; nós; vassouras; sapos; tesouras e mil e uma coisas estranhas!
Os hindus usam um tradicional amuleto: pequenas esferas, contendo milhares de elefantes pequeníssimos esculpidos em marfim!
Outro amuleto curioso no Japão: a estatueta de um gato sentado estendendo a pata direita para a frente. Chama-se maneki neko, isto é, "o gato que convida".
Na América Latina acredita-se que os dentes de jacaré protegem a dentição da criança.
De facto são mesmo muitos os tipos de amuletos espalhados por esse mundo fora e cada um com o seu significado.
Amuletos Brasileiros
A influência africana nos usos e costumes populares foi muito grande na Bahia devido ao número do elemento africano ali introduzido como mão-de-obra no Brasil colonial. O misticismo baiano ainda guarda muito dessa influência, especialmente nos amuletos.
Vejamos alguns desses objectos:
AGUIRI - Amuleto dos negros brasileiros descendentes de escravos sudaneses. Segundo eles, o aguiri protege do perigo a pessoa que o use sob o braço direito. E também dá sorte. Compõe-se de três caixinhas de couro unidas por um cordão e cheias de objectos mágicos.
BALANGANDÃS - Tornados internacionalmente famosos pela indumentária da cantora Cármen Miranda, são conjuntos de miniaturas, em ouro e prata, de campainhas, figas, corações, placas, frutos, chaves, cadeados, sapatinos, conchas, etc. Todas essas peças são presas numa argola de metal e penduradas na cintura das mulheres. Os balangandãs são amuletos para afastar o mau-olhado e as forças contrárias projectadas pelos inimigos, segundo a crença popular. É de origem africana, também.
BREVE - Saquinho de pano ou couro, contendo uma oração, que se usa pendurado no pescoço por uma fita. É considerado como uma forte protecção contra perigos e dificuldades e é tradicional no Norte-nordeste do Brasil.
CAJILA - Amuleto para atrair a caça, a pesca, os bons negócios e amores. É usado nos estados do Pará, Amazonas, Acre, entre outros.
LAGUIDIBÁ - Amuleto composto por contas pretas, esculpidas em chifre de boi e usadas, como protecção, no pescoço ou na cintura, em forma de colar, pelas crianças negras.
UIRAPURU - Os índios brasileiros acreditavam que este pequeno pássaro trazia fortuna e felicidade ao seu possuidor. Essa crença primitiva difundiu-se por toda a Amazónia. Assim, ter um uirapuru significa ter sorte. Até há bem poucos anos era rara a taberna do interior brasileiro que não possuia um destes pássaros enterrado à entrada ou suspenso nos umbrais das portas.
MUIRAQUITÃ - Quase todos os índios que habitavam a Amazónia transportavam amuletos pressupondo que esses objectos protegiam o seu dono e lhe davam sorte. O principal amuleto era o muiraquitã, um artefacto talhado em pedra verde, tais como o jade, a nefrita e a jadeíta, com a forma de sapo, peixe, tartaruga, serpente e outros bichos. É dotado de sulcos destinados a amarrar um cordel, de forma a poder ser pendurado no pescoço do dono. Tem sido encontrado com mais frequência no baixo Amazonas, especialmente nos arredores de Óbidos e na desembocadura (foz) dos rios Nhamundá e Tapajós.
Segundo a tradição indígena, o muiraquitã era dado de presente pelas amazonas aos visitantes. Conta-se, que, nas noites de lua cheia, elas iam até um lago próximo para retirar do fundo as pedras ainda moles, para então moldá-las em forma de pequenos animais e deixar secar e endurecer.
O muiraquitã é sempre esverdeado, de pedra polida e de belo efeito. Um aspecto desse amuleto tem, no entanto, intrigado os estudiosos: ofacto de ser feito, muitas vezes, de jade, pedra até hoje não encontrada em estado natural - ou em jazidas - no continente americano e, obviamente no Brasil.
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A Lenda do Urutau

Uma das mais belas lendas do folclore brasileiro é a do Urutau.
O Urutau é um pássaro solitário e de hábitos nocturnos que dificilmente se deixa ver.
Este pássaro habita na região norte e nordeste da Argentina, nas matas do Paraguai, no Norte do Uruguai e do Brasil, onde lhe são atribuídos vários nomes: Jurutaui na região amazónica; Ibijouguaçú entre os Tupis e Mãe-da-Lua entre os mineiros. Estas designações correspondem a diversas regiões linguísticas: à dos tupis e guaranis e à do idioma quichua.

Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite um canto bruxuleante que mais parece um lamento humano. Tem uma cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, a boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. A sua cor parda em tons de canela com riscas transversais e escuras permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho da árvore, passando completamente despercebida. Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protegem-na dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas (besouros e borboletas) com uma grande facilidade.

O seu grito é, provavelmente, o mais pavoroso de quantos se conhecem no mundo das aves.

Em forma de "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, procura, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz desprender a sua voz cheia de lamentos. Para muitos, a sua voz é semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos "ais". O seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvi-lo e é também fantasmagórico. "Meu filho foi, foi, foi" - interpreta o povo.

A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, confere-lhe o carácter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, mas sim por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, o preservar das seduções e a pureza das jovens moças.

Conta-se que antigamente, matavam para esse fim uma dessas aves e tirava-se a pele que era, posteriormente, seca ao sol. Esta servia para os pais sentarem as suas filhas, nos três primeiros dias a partir do início da puberdade. No términus desse tempo, as jovens saíam "curadas", isto é, invulneráveis às tentações das paixões desonestas que as pudessem atrair. As qualidades sobrenaturais deste pássaro destacam-se nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são para muitas pessoas bastante milagrosas. Assim, se para muitos o Urutau é, muitas vezes, associado a maus presságios, para outros e, segundo a mitologia Tupi-Guarani, trata-se de uma ave benfeitora (abençoada).

Conta a lenda que Nheambiú, uma bela moça, filha do Tuxaua da nação Guarani, se apaixonou profundamente por um bravo guerreiro Tupi chamado Cuimbaé, que havia sido feito prisioneiro pelos Guaranis.

Nheambiú pediu aos seus pais que consentissem no seu casamento com Cuimbaé. Porém, esse e os posteriores pedidos foram terminantemente negados, com a alegação de que Cuimbaé era um Tupi, ou seja, um inimigo mortal dos Guaranis.

Não suportando mais o sofrimento, Nheambiú desapareceu da Taba, causando um enorme alvoroço.

O velho cacique mobilizou então todos os seus guerreiros para que procurassem, por todo o lado, a sua preciosa filha.

Após uma longa busca, a jovem foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, como uma estátua de pedra. Ao vê-la, o pai sacudiu-a, mas ela não deu nenhum sinal de vida.

Então, o seu pai mandou chamar o feiticeiro da tribo, que a examinou dizendo o seguinte ao cacique: - Nheambiú perdeu a fala para sempre; só uma grande dor poderá fazer Nheambiú voltar ao que era.

Então começaram por informar a jovem índia de todas as notícias mais tristes possíveis: a morte do seu pai e a de todos os seus amigos.

No entanto, nada surtiu efeito. A jovem continuou inabalável e intacta.

Então o pajé da tribo aproximou-se e disse: - Cuimbaé acaba de ser morto.

Nesse mesmo instante, o corpo da jovem moça estremeceu todo e ela, soltando repetidos lamentos acabando por desaparecer da mata.

Todos os que ali se encontravam, cheios de dor, acabaram transformados em árvores secas, enquanto Nheambiú se transformou num Urutau ficando a voar, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda do seu grande amor.

Dizem que foi dessa lenda que se originaram algumas superstições populares relativamente ao Urutau.

Uma dessas lendas, fala-nos de Jouma, um cacique dos Mocovies (Guaranis) que , surpreende a Marramac, nos braços de um estrangeiro e o mata com flechas. Porém, perde posteriormente a razão e transforma-se num Urutau.

Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos seus progenitores. Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se.

Contava uma lenda também, que o urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de Novembro a Janeiro.

Outra lenda diz que "carta de amor escrita com pena de Urutau tem sempre resposta favorável".

Já outra diz que a pele dessa ave preserva as donzelas dos deslizes e as protege contra os alheios de intenções menos honestas.

Devido à sua existência misteriosa, o Urutau além das lendas era objecto de práticas supersticiosas. Os Guaranis acreditavam que partindo-se as asas e as pernas do pássaro durante a noite, no dia seguinte ele amanhecia perfeito. Segundo algumas crendices indígenas, esta ave nocturna revestia-se de atribuições que são inerentes ao Cupido. As penas do Urutau eram eficazes talismãs de amor. Assim sendo, aquele que conduzir uma de suas penas, atrai a simpatia e o desejo do outro sexo; que se consegue qualquer pretensão com a escrita com uma de suas penas. Acreditava-se ainda, que as suas penas e as suas cinzas eram remédios contra doenças.

Há também quem diga que, na Amazónia, há o costume de varrer o chão, sob o véu das noivas, com as penas da cauda do Jurutauí (designação pela qual o Urutau é conhecido nesta região), a fim de se garantir para as futuras esposas todas as virtudes do mundo.

Outra das crenças mais curiosas no poder sobrenatural do Urutau é a que faz referências àsua posição face ao ciclo solar. Quando o sol nasce o pássaro volta a sua cabeça para ele e acompanha-o no seu percurso. Quando o astro caminha para o Poente, começa então a entoar o canto dolorido "U - ru - tau". Conta-se também que, Couto de Magalhães elevou o Urutau à categoria dos deuses, reservando-lhe o segundo lugar da sua teogonia Tupi. Todas essas considerações, entretanto, levam-nos a classificar o Urutau como um pássaro feérico (mágico), que existe por direito próprio. O Urutau é um pássaro que pertence à Ordem dos Caprimulgiformes, família dos Nyctibiidae. No Brasil, ocorrem as seguintes espécies: Nyctibius grandis (Urutau, Mãe-da-Lua Gigante); Nyctibius griseus (Urutau) e Nyctibius aethereus (Mãe-da-Lua Parda).
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